Os pinheiros desgalhados

com as agulhas dos ramos misturadas ao pó

erguem os braços ao céu,

implorando piedade.

As pinhas dos enfeites de Natal

perderam a côr e o viço

e jazem pelo chão.

É a chuva ácida, vinda das terríveis chaminés,

derrubando os pinheiros altaneiros.

E o fogo do país industrial,

é a cinza dos produtos,

é a fumaça das multinacionais.

Tudo se transformou em gotas de veneno

transformando a floresta em cemitérios.

 

E eu que nascei na terra de uma chuva boa,

que fecunda, que alegra, que refresca,

tenho pena dos Alpes magníficos,

das florestas alpinas

tão castigadas pela chuva ácida da maldade dos homens.

 

Mas vejo que na Amazônia

nós não estamos longe do f1agelo.

Convivemos com ele.

O nosso ácido vem pela mão dos homens

manejando as selvagens moto-serras,

golpeando com os machados as árvores robustas.

O nosso ácido vem, mas por meio do fogo

vem das nuvens escuras das queimadas.

 

E preciso criar uma nova consciência de amor à Criação.

É preciso descobrir no Norte e no Sul do mundo,

na Amazônia e nos Alpes,

um Deus que aí habita,

e respeitá-LO e amá-LO.
Suíça, 1986

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Marília Menezes
*Poeta e escritora. Ex-secretária da CRB. Trabalhou na Prelazia de Itacoatiara, em 1962-1963, ao tempo do bispado de dom Francisco Paulo Mc-Hugh (1924-2003), onde dirigiu o Colégio Nossa Senhora do Rosário. Em 1997 voltou a Itacoatiara para secretariar o bispo dom Jorge Marskell (1935-1998), até sua morte no ano seguinte. Sócia correspondente da Academia Amazonense de Letras. Reside em Belém, sua terra natal.

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