Quando menino fiz o Curso Primário no Grupo Escolar Saldanha Marinho. Lá me foi ensinado que o ano tinha quatro estações: primavera, verão, outono e inverno. A primavera é a estação das flores, o verão do calor, no outono as folhas caem e no inverno faz frio e neva.

Isso tudo parecia muito abstrato e estranho. Não só para mim, mas penso que para toda a curuminzada. A verdade é que na nossa região, na primeira metade do ano chove mais. É menos quente. E no segundo semestre chove um pouco menos. Faz mais calor.

Os livros das escolas dos anos sessenta eram escolhidos pelos professores do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Compulsoriamente adotados para todos os alunos Brasil afora.

Os tempos mudaram e hoje existe a tal BNCC – Base Nacional Comum Curricular. Fui pesquisar e descobri que as estações do ano devem ser ensinadas no primeiro ano do Fundamental. Segundo a BNCC o objetivo da aprendizagem é identificar o ritmo natural das estações. Os alunos devem desenvolver habilidades de comparar sua realidade com outras.

Isso é muito bom. Os professores devem ensinar aos alunos que de dezembro a junho os rios ficam cheios. E de julho até o final do ano é a vazante. O ensino das estações do ano está vinculado à influência do hemisfério norte em nossa cultura. Lá tem neve no inverno. E no Brasil? As quatro estações do ano são bem definidas somente na região sul. É importante que as crianças sejam ensinadas na sua realidade.

Por aqui não temos estações do ano visíveis como na Europa, nos Estados Unidos e no sul do Brasil. Temos o regime das águas. Francisco Vasconcelos, saudoso membro do clube da Madrugada, em seu clássico romance descreve esse regime com maestria. Aborda a nossa condição humana e como nossos caboclos são obedientes às ordens da natureza. Os rios enchem e depois há a vazante. Como é esplêndida a nossa capacidade de adaptação e de escolhas.

O regime das águas está vinculado ao regime das chuvas. Nesse ano o regime das chuvas está sob o efeito do fenômeno La Ninha. Tem chovido muito e os rios estão excepcionalmente cheios. Uma cheia já considerada histórica.

Ao falar sobre estações do ano, os professores de Geografia do Fundamental não podem esquecer de ensinar seus alunos os regimes. É importante saber que aqui há o regime das águas dos rios. E o regime das chuvas. Não esqueçam de falar da cheia e desses regimes.

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Pedro Lucas Lindoso
*Bacharel em Direito e licenciado em Letras pela Universidade de Brasília. Membro efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Pertence a Associação dos Escritores do Amazonas e a Academia de Letras Ciências e Artes do Amazonas. Membro fundador da Academia de Ciências e Letras jurídicas do Amazonas.

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