“Trata-se de José Bernardino Lindoso e de Plinio Ramos Coelho, dois ícones bastante festejados e considerados pela. trajetória que edificaram em meio de nós”.

Era hábito comum dos historiadores tidos como positivistas referenciar as datas magnas da Nação e de grupos sociais, em particular, e, por meio delas, contar a história das sociedades. Importante obra nacional titulada “Efemérides brasileiras” assumiu posição de relevância na nossa bibliografia, durante algum tempo, instigando a elaboração de outros livros semelhantes.

Não mais atentos a datas desta natureza, muitas vezes deixamos passar em brancas nuvens a oportunidade singular de reconhecermos e homenagearmos personalidades que, de forma especial, prestaram bons serviços e ofereceram importante contributo ao desenvolvimento do país, seja por atuação no mundo político, social, econômico ou desportivo, precisamente por ocasião de festas centenárias de nascimento.

Evitando incorrer neste erro, a Academia Amazonense de Letras vai comemorar, neste ano, os centenários de nascimento de duas ilustres personalidades do magistério e da política amazonenses, com a pompa possível e procurando dar a dimensão que os homenageados merecem.

Trata-se de José Bernardino Lindoso e de Plinto Ramos Coelho, dois ícones bastante festejados e considerados pela trajetória que edificaram em meio de nós.

Professores, advogados, jornalistas, políticos com vários mandatos seja como parlamentar federal ou como governador do Estado. Lindoso e Plinio foram membros da Academia, ornando-a com conhecimento elevado e alta notoriedade intelectual.

Se foram notáveis no magistério e na advocacia, e zelosos com o trato do idioma pátrio, além de exercerem funções públicas as mais relevantes ficaram notáveis como políticos.

Plinio, um dos tribunos mais festejados de seu tempo. Desafiador a todos os que se arvoravam a enfrentá-lo nos comícios e na tribuna das casas legislativas nas quais marcou presença significativa.

Lindoso, mais articulador, homem de entendimentos e pacificação, habilidoso para a condução natural dos processos que eram encaminhados à Câmara Federal e ao Senado da República.

Governaram em fases distintas da vida amazonense, mas cada um deles deixou marcas profundas e audaciosas na gestão pública.

Plinio conseguiu romper o alvarismo que de há muito vinha instalado no Palácio Rio Negro, modernizou o Estado para os padrões dos anos 1950-1960, utilizou de todos os meios para que o Poder Público se transformasse em alavanca para o desenvolvimento econômico quando a iniciativa privada se encontrava em completo marasmo, encalacrada, sem alternativa e ânimo.

Lindoso, audaciosamente’, buscou interiorizar os instrumentos de desenvolvimento conferidos à Zona Franca de Manaus, enfrentando interesses poderosos, e organizou um sistema de planejamento moderno, sem autoritarismo, empenhado em identificar e promover as vocações das regiões interioranas.

Foi este o aspecto de suas vidas que mais se tornou evidente: o político.

Mais tarde foram ·igualmente desconsiderados pelos eleitores mesmo depois de grandes consagrações nas urnas, precisamente quando buscavam continuar oferecendo dedicada contribuição ao Amazonas.

Plinio, sacado do cargo de chefe do Executivo em 1964, depois, em várias tentativas, não conseguiu retornar a cargo eletivo, o que era de seu merecimento e de justiça.

Lindoso, afastando-se do governo para disputar o retorno ao Senado, viu-se preterido em razão de circunstâncias partidárias, eleitorais e de retorno de antigos líderes, e igualmente injustiçado.

Há muito para ser estudado sobre a vida, a obra e a trajetória dessas duas personalidades amazonenses da gema – Plinio de Humaitá, Lindoso de Manicoré -, aguardemos, pois, o que farão os pesquisadores motivados pelas efemérides aqui anunciadas.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ex-Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até 2017 e atual Presidente da Academia Amazonense de Letras.

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