“A crítica mais ácida, política ou social, ficava por conta da turma do Café dos Terríveis, instalado com solenidade e pompa, pelo menos nos primeiros anos do seu funcionamento”.

Os folguedos carnavalescos como brincadeira de rua não são novidades na cidade de Manaus. De há muitos anos passados são realizados com certa frequência, modificando-se de tempos em tempos. Os grupos de assalto que dominavam as pacatas vielas da cidadezinha provinciana fizeram sucesso durante uma época, notadamente aqueles organizados pelo tal do Pigarrilho que cuidava de tomar conta dessas festas de Momo porque também organizava os bailes de máscaras que eram por demais considerados.

A crítica mais ácida, política ou social, ficava por conta da turma do Café dos Terriveis, instalado com solenidade e pompa, pelo menos nos primeiros anos de seu funcionamento, confronte ao oitão da igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição, na esquina da Rua Visconde de Mauá.

E não era sopa para os escolhidos que ilustravam o enredo, os quais padeciam a mais não puder com o tom das modinhas, que, entretanto, não chegavam ao desrespeito por pior que fosse o “homenageado”.

Ao que penso, pareceria muito com a Banda da Bica que costuma eleger temas políticos e produz músicas comumente ácidas e até pouco palatáveis para os que são honrados com a escolha de ser tema do ano.

Nos festejos carnavalescos de rua, anos mais tarde, pelos tempos republicanos, costumavam sair os brigues, como o Independência, os cordões das Lavadeiras e outros grupos bem característicos e com vestimentas próprias, todos eles debaixo de boa organização e comando, que escolhiam a Avenida Eduardo Ribeiro para desfilar, durante alguns anos ao som das Batalhas de Confete que a Rádio Difusora organizava.

Nos salões dos clubes sociais mais sofisticados, ou naqueles de bairros mais simples. davam-se as festas de carnaval, desde a abertura da programação em 7 de dezembro com o baile da Associação Banco do Brasil, ao réveillon chicoso do Atlético Rio Negro Clube, aos classudos do Ideal Club, aos inúmeros festejos do Olímpico e sua Kamélia famosa, do Cheik para pegar o sol com a mão, do Barés Clube, do Nacional Futebol Clube, da União Sportiva Portuguesa, do BEASA, da União de Constantinópolis, do São Raimundo, do Sul América e do Fast que eram mais populares, e dos desfiles de fantasia em vá rios clubes.

De forma brincalhona, com a crítica mais escrachada e de boas curtidas, foi o Clube da Mocidade que descia pela Avenida Eduardo Ribeiro fazendo galhofa, uma forma de pura diversão quase inocente de algumas figuras importantes do comércio e da sociedade, renovado pelo menos em duas gerações de foliões.

Mais ou menos dessa época começaram os desfiles das escolas de samba como grupos maiores e mais organizados, desde as primeiras como a Em Cima da Hora, e a dos militares, esta que era comandada pelo coronel Jorge Teixeira de Oliveira e que fez história, juntamente com a batucada Baré, do grande Maranhão, e a Batucada do Rio Negro, do velho e querido Manoel Reis.

Bem mais recentes são as bandas de rua que chegam a lotar grande avenidas arrastando multidões ao som das músicas mais estravagantes e com estruturas gigantescas.

As vezes, no mesmo dia e na vizinhança, se encontram duas ou mais bandas quase sempre organizadas por grupos comunitários e alguns carnavalescos que tem o samba nas veias. Trata-se de evento que a cada vez se torna mais bem organizado.
Há aquela que, importada de Pernambuco, passou a fazer sucesso na capital amazonense que é a Galo de Manaus, e seria uma expansão do famoso Galo da Madrugada que sal no Recife e consegue parar a cidade quase por inteiro, tanto lá como aqui, afinal, seja onde for, o carnaval é a alegria do povo.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ex-Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até 2017 e atual Presidente da Academia Amazonense de Letras.

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