Nem que eu enfrente essa Chimera
Eu preciso dessa nova estação
Não me minta a primavera
Nem consinta que eu parta assim
Sem primeiro destruir
Os moinhos que causam temor
É por isso que eu preciso
Desse ninho cercado de amor.

Nem que eu vença a emboscada
Eu preciso desse novo prazer
Não me minta a alvorada
Nem consinta que eu cale assim
Sem primeiro ver sarada
A ferida aberta no peito
É por isso que eu preciso
De orquídeas jogadas no leito.

Nem que o salto jogue a sela,
Eu preciso desse outro calor
Não me minta a sentinela
Nem consinta que eu fuja assim
Sem primeiro descobrir
Toda a rota dessa romaria
É por isso que eu preciso
Da rainha desta festaria.

Nem que seja rebeldia
Eu preciso desse grito no ar
Não me minta a ventania
Nem consinta que eu adormeça assim
Sem primeiro ter certeza
De que a planta perdeu seus abrolhos
É por isso que eu preciso
Do primeiro orgasmo dos teus olhos.

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Alírio Marques
Alírio Marques, advogado e compositor, natural de Itacoatiara.

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