*Raimundo Silva

Francisco Calheiros foi um vencedor em todas as frentes de batalha que enfrentou na vida Conheci poucos jovens que saíram da cidade pequena para enfrentarem a cidade grande, e mesmo diante de dificuldades diversas, carências materiais e até afetivas, pela distância da família, conseguiram se movimentar para alcançarem posição social e profissional mais alta na pirâmide social. O nosso confrade da Academia Itacoatiarense de Letras, Francisco Calheiros, foi um desses jovens vitoriosos na conquista dos seus objetivos.

Deixando a sua cidade natal, a nossa bela Itacoatiara, com o coração partido de saudade, estabeleceu-se em Manaus para estudar e trabalhar. E por conta da sua ousadia e coragem para enfrentar os desafios, seguiu as vocações que povoavam a sua mente brilhante, para exercer o magistério, para a advocacia e para a produção literária na prosa e na poesia.

Esse labor diversificado na produção intelectual, em áreas de saberes distintos mas convergentes, tornou o saudoso confrade Calheiros um cidadão que prestava serviços à sociedade, para torná-la mais humana, com a qualidade da sua atividade na docência, na advocacia e na literatura.

A nossa querida Itacoatiara fica em desalento, com a sua partida, assim como a sua família, a Academia e os seus amigos, restando a todos se consolarem, porque ele foi chamado ao encontro de Deus. O menino pobre de bens materiais que andava pelas ruas da cidade, carregando sonhos quase impossíveis de concretude, realizou tudo que a sua mente planejou, e se tornou um homem rico de virtudes admiráveis e de valores da moralidade e da dignidade. Mas por toda a sua vida de 51 anos, ele permaneceu sendo um ser humano humilde e destinatário de respeito e consideração da sociedade.

Se visitarmos apenas a produção literária do confrade Calheiros, vamos encontrar conteúdos na prosa e na poesia, que convencem o leitor a não interromper a leitura. Na prosa, o estilo dele é envolvente e de linguagem gramatical correta. Tenho na minha admiração, grandes escritores de língua portuguesa, dentre os quais o Machado de Assis, que é meu patrono na Academia Itacoatiarense de Letras, o grande historiador, acadêmico da Academia Amazonense de Letras e conterrâneo Francisco Gomes, o escritor consagrado Osiris Silva, o também acadêmico da AAL, José Braga, e o nosso saudoso confrade Francisco Calheiros.

Nada melhor do que o leitor visualizar no texto, um conteúdo que não ofenda o pudor da linguagem correta. Essa ofensa não está presente nos textos do saudoso confrade. Na poesia, ele deixa à posteridade, conteúdos de boa construção poética, sobre temas variados. Movido pela sua criatividade versátil, na poesia, ele navegou por referências da amazonologia aos temas românticos do amor. Tem-se muito a dizer sobre o estimado confrade Calheiros que nos deixou, mas neste espaço é o que cabe, com a conclusão de que Itacoatiara perdeu um grande e valoroso filho, e o Amazonas e o Brasil também perderam um talento de construtor intelectual de muitas obras a serem realizadas. Que Deus o tenha.

*Amazonense de Itacoatiara. Advogado. Desembargador Federal do Trabalho aposentado. Professor de Direito da UFAM aposentado. Mestre em Direito pela UFPE. Foi vereador em dois mandatos, de 2009 a 2016, e nesse período Presidente da Câmara Municipal de Itacoatiara. Escritor e membro da Academia Itacoatiarense de Letras.
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