Ele pedia comida em uma casa
Tinha três mascaras em suas mãos…
E se uma no rosto a colocava,
as outras derrubava ou levantava
certo de que uma porta se abriria.
Mas ninguém lhe atendia, a porta era fechada.
ninguém lhe dava nada.

Começou a tossir e a escarrar
E foi pior – fez aumentar o medo do contágio.
E semi nu, faminto, e a costa encurvada,
Juntou-se aos companheiros da calçada.

Não adiantava ir ao hospital, e suplicar:
“Tô doente do vírus”.
Documento nenhum. És pura nulidade…
mais um dos brasileiros invisíveis:
Nem CPF nem Identidade.

És invisível, sem provar que existes.
A Pandemia veio escancarar este drama terrível.
Ninguém para ajudar
Miseráveis, mihares,
para um triste dinheiro receber…
Onde estão Dulce ou Madre Teresa?
para nesse problema se envolver ?

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Marília Menezes
*Poeta e escritora. Ex-secretária da CRB. Trabalhou na Prelazia de Itacoatiara, em 1962-1963, ao tempo do bispado de dom Francisco Paulo Mc-Hugh (1924-2003), onde dirigiu o Colégio Nossa Senhora do Rosário. Em 1997 voltou a Itacoatiara para secretariar o bispo dom Jorge Marskell (1935-1998), até sua morte no ano seguinte. Sócia correspondente da Academia Amazonense de Letras. Reside em Belém, sua terra natal.

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