Uma cidade do porte e da tradição de Itacoatiara não pode prescindir de modernizar sua Biblioteca Pública e nem descurar da construção do Museu Municipal. Providências imperiosas e urgentes que têm desafiado seguidas administrações.

A Biblioteca Pública “Anísio Jobim”, fundada em 31 de julho de 1929, pelo prefeito Isaac José Perez, iniciou com 3.000 livros comprados ao custo de 10 contos de réis do político e escritor amazonense Antonio Monteiro de Souza. Em 1946 teve seu acervo ampliado pelo prefeito Osório Alves da Fonseca. Nos idos de 1960 nada mais restava de suas antigas coleções ricamente encadernadas, parte delas devorada pelo cupim e outra criminosamente roubada.

Vem funcionando aos trancos e barrancos, graças ao esforço de dedicados servidores de sucessivas administrações municipais, anônimos idealistas que orgulhecem a Cultura de nossa cidade. Nas primeiras décadas funcionou no salão nobre do prédio da Prefeitura. E desde a inauguração da Casa de Cultura, em 1970, ocupa uma de suas dependências. Fruto de doações de particulares e instituições, seu atual acervo bibliográfico beira os 5.000 ou 6.000 volumes, a maioria resultado de envelhecidas e desatualizadas edições. Nesta histórica Cidade da Pedra Pintada – lugar de pessoas talentosas, berço de tantos vultos ilustres nas Artes, na Literatura, etc. – tradicionalmente os orçamentos municipais não contêm rubricas para aquisições de livros. Prova de que o Poder Público de Itacoatiara, como ocorre em todo o Brasil, também odeia livros, não incentiva a leitura, está pouco se ligando para a juventude estudiosa…

 

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O Brasil possui mais de 3.000 museus. Sabendo-se que os municípios ascendem a 5.500, nosso País ainda tem muito a avançar, precisando de mais investimentos nesse campo. Criado em 2009, o IBRAM – Instituto Brasileiro de Museus é a autarquia federal ligada ao Ministério da Cultura, responsável pela Politica Nacional de Museus e pela melhoria dos serviços do setor museal. Entre suas prioridades está a universalização do acesso à memória do Brasil.

Além de administrar 30 museus federais, o IBRAM promove importantes ações de divulgação, qualificação e fomento do setor museal. Desde março último o Instituto vem percorrendo os estados brasileiros com o projeto Conexões IBRAM, cujo objetivo é disseminar o desenvolvimento de temas estruturantes para essa área e pactuar metas com estados e municípios. O Programa de Fomento do exercício de 2012 lançou dez editais para apoiar e premiar iniciativas que vão da construção e modernização de museus até a memória do esporte olímpico, passando por incentivo a artistas contemporâneos e experiências de memória social.

Os museus são instituições estratégicas de inclusão social e de garantia de direitos culturais, daí que o IBRAM se empenha em ampliar ações de promoção, valorização, preservação e fruição do patrimônio museológico brasileiro e acredita que o nosso País está olhando para o futuro ao colocar a memória como fator de desenvolvimento social e de fortalecimento da cidadania.

Na teoria tudo segue muito bem. Reportagem da Folha de São Paulo, de 28 de junho p. passado, traz a manchete “Museu de Lula poderá utilizar incentivos fiscais”. Segundo a ministra da Cultura, Ana Buarque de Hollanda, “o Instituto Lula poderá captar verbas via Lei Rouanet para construir o Memorial da Democracia, que exibirá o acervo do ex-presidente, projeto orçado em R$ 100 milhões”.

Creio que a construção e aparelhamento de um Museu em Itacoatiara consumiriam somente cinco a oito por cento da vultosa quantia planejada para construir uma obra destinada a “adocicar” e solidificar o culto à personalidade do polêmico líder petista.

Porém, é petulância pensar, sonhar que algum dia um município amazonense será aquinhoado com R$ 5/8 milhões por qualquer órgão governamental dos níveis federal ou estadual, para construir e montar um Museu – apesar da falácia do programa do IBRAM.

Talvez com uma quantia abaixo dos mencionados R$ 5 ou 8 milhões (R$ 3 milhões, por exemplo), pudéssemos ver realizado o sonho do Museu Itacoatiarense (que poderia intitular-se “MUSEU MUNICIPAL: Histórico, Arqueológico, Etnográfico e Ecológico”). Menos até, se fosse aproveitado o Casarão dos Ramos, ou a Casa Moysés, ou o Palacete Aquilino Barros: três monumentos históricos sensacionais, orgulhos de nossa cidade.

Isso tudo poderia acontecer se tivéssemos à frente do Governo do Amazonas homens realmente interessados no todo estadual, que suas políticas privilegiassem não só a capital, mas também o interior. Aconteceria se elegêssemos prefeitos realmente empreendedores, dotados de espírito verdadeiramente construtivo. Imploremos, então, pela ressuscitação dos governadores Ephigênio de Salles e Arthur Cézar Ferreira Reis, que muito realizaram em favor de Itacoatiara. Também, à falta de homens dotados de espírito público à frente da Prefeitura Municipal, rezemos pelo renascimento de prefeitos modelares do tipo Isaac José Perez e Osório Alves da Fonseca.

Afinal, dentre as muitas necessidades deste Município, a Biblioteca Pública “Anísio Jobim” carece de ser modernizada, dotada de sede própria e o seu acervo bibliográfico ampliado e atualizado. Sem falar na existência de um Museu Municipal capaz de agasalhar um pouco do imenso patrimônio histórico, arqueológico e artístico de que a velha Serpa é possuidora.

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1 COMENTÁRIO

  1. Voce não está só, nesta crítica e na luta, meu amigo.
    A falta de visão dos administradores beira ao abismo de um cânion.
    Ainda sonho, especialmente em relação ao Museu, com o dia do repatriamento de todos os objetos que foram saqueados e que pertencem a nossa gente.

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