Barra do Rio Negro

O Mapa que hora apresentamos foi feito pelo próprio Primeiro Presidente da Província do Amazonas, no ano de 1852, e publicado com o seu belíssimo Relatório apresentado ao deixar o governo, naquele mesmo ano.

A cidade de Nossa Senhora da Conceição da Barra do Rio Negro, como então se chamava, pois só será denominada de Manáos, em 1856, possuía quatro bairros: a cidade, da ilha de São Vicente, onde estava o Hospital Militar até o igarapé do Espírito Santo, a Avenida Eduardo Ribeiro, depois de aterrado; Campina, ao longo do Caminho da Cachoeira Grande, hoje Avenida Epaminondas, até o inícioda atual Constantino Nery; República, entre os igarapés do Espirito Santo e o do Aterro, e do Caminho da Cachoeirinha, atual Avenida 7 de Setembro e Remédios, além do Igarapé do Aterro, sobre o qual foram construídas as Avenidas Floriano Peixoto e Getúlio Vargas, ao qual se tinha acesso por diversas pontes ou de catraia.

A primeira Matriz, fundada pelos carmelitas, em 1695, incendiara-se, a 2 de julho de 1850, tornando-se a igreja dos Remédios a Matriz provisória.

Em 1852, a Barra possuía 5081 habitantes, umas 1161 pessoas a mais do que no ano anterior, das quais 4749 livres e 332 escravas. Na Capital estavam estabelecidas uma tipografia, 35 lojas, 2 padarias, uma botica, 2 ferrarias, 2 sapatarias, 4 cartórios, 1 marcenaria, 3 alfaiatarias, 1 ourivesaria. Existiam 89 casas telhadas, 122 palhoças, 8 sobrados, 3 edifícios públicos e 1 igreja.

O abastecimento de água era feito através de aguadeiros e escravos, que iam buscá-la no igarapé de Manaus. Também os dejetos humanos, recolhido a noite, eram lançadosa noite, longe, no meio do rio Negro.

Barra do Rio Negro

Ferreira Pena acabou com os enterros da Praça da Matriz, estabelecendo o cemitério dos Remédios. Mais tarde, em 1856, foi aberto o cemitério de São José, com o fechamento do anterior.

A 4 de setembro de 1856, a cidade da Barra do Rio Negro passou a denominar-se Manaus.

Dias Vieira determinou a reconstrução da ponte de Espírito Santo, concluiu a construção de um mercado, no Largo da Imperatriz e do Instituto de Educandos Artífices, origem do atual bairro de Educandos, levantou a torre da igreja dos Remédios e contratou com Francisco Fernandes, no Pará, a compra de 25 lampiões a gás, a 30$000 cada um, para a iluminação da cidade. O serviço foi inaugurado, a 7 de agosto de 1858, dois anos após a sua aquisição, quando chegou o gás necessário.

A 10 de junho de 1858, foi iniciada a construção da atual Matriz, com o preparo do terreno e, a 23 de julho, ainda daquele ano, foi lançada a sua pedra fundamental. A construção arrastou-se por quase 20 anos, sendo uma das principais preocupações dos governos provinciais.

Nota: O mapa deve ser uma cópia do publicado em 1852, pois desde de 1848 e até 1856, o nome verdadeiro da cidade foi Cidade de Nossa Senhora da Conceição da Barra do Rio Negro.

Além do Mapa publicamos uma foto da cidade atual de satélite, em que a parte do mapa de 1852 é o ponto vermelho, à margem do rio Negro, na imensidão rosa, junto à palavra Porto, e uma outra com uma vista aérea recente.

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Antonio Loureiro
Historiador amazonense. Membro das academias Amazonense de Medicina e Amazonense de Letras. Ex-presidente do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.

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