Tia Idalina me telefona aos prantos. Sua encomenda de pirarucu e farinha do Uarini foi confiscada por fiscais da Anvisa no Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o conhecido Galeão.

Todo ano no Natal, tia Idalina faz uma receita especial de pirarucu do céu. Já publicamos tal receita com autorização dela evidentemente. Aí vai novamente, a pedidos:

”Assar o pirarucu. Após, tirar as lascas. Fazer um bom refogado com cebola, cebolinha, cheiro-verde, tomate e pimentão. Usar azeite. Usar farinha do Uarini molhada no leite de castanha. Colocar na tigela uma camada de pirarucu, misturada com o refogado. Em seguida uma camada de farinha molhada no leite de castanha. Outra camada de pirarucu, em seguida outra de farinha. Enfeitar com ovo cozido, azeitonas e tomate. Fritar banana comprida para acompanhar.” 

A receita é muito parecida com o famoso pirarucu de casaca. Idalina diz que não é a mesma coisa. Outro dia, num “chá” em homenagem a Almir Diniz, dona Aníria, sua esposa, nos brindou com um pirarucu fardado. Muito gostoso. O fato é que fardado, de casaca ou traje esporte o nosso “bacalhau da Amazônia” é muito gostoso.

Mas voltamos ao drama reportado por tia Idalina. As embalagens destinadas ao contato com alimentos podem transferir substâncias que representam risco à saúde. A Anvisa regulamenta a matéria visando a segurança do uso de materiais em contato com alimentos. Por atribuição legal, portanto, a Anvisa tem a competência de regulamentar, controlar e fiscalizar os produtos e serviços que envolvam risco à saúde pública, dentre eles, embalagens para alimentos.

A encomenda de tia Idalina não tinha nota fiscal. A lei determina que embalagens de pescados devem ter as seguintes informações: tipo do pescado, estabelecimento de origem, peso líquido, data de embalagem, prazo de validade, forma de conservação.

Não teve argumento que pudesse convencer o fiscal da Anvisa a liberar a encomenda.

O fato é que titia resolvera pedir para um ex-namorado da Tina despachar os produtos. O rapaz sofre de leseira baré aguda. E fez o que fez. O que não tem remédio remediado está.

Tia Idalina se conformou com a perda. “Que façam bom proveito do meu pirarucu e da minha farinha”. Disse se auto consolando. Devem ser amazonenses esses fiscais. E como sempre, Idalina tem um ditado para cada situação:

-Barco perdido, bem carregado.

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Pedro Lucas Lindoso
*Bacharel em Direito e licenciado em Letras pela Universidade de Brasília. Membro efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Pertence a Associação dos Escritores do Amazonas e a Academia de Letras Ciências e Artes do Amazonas. Membro fundador da Academia de Ciências e Letras jurídicas do Amazonas.

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