Indústria 4.0, inteligência artificial, nanotecnologia, robótica, biotecnologia configuram plataformas tecnológicas que se encontram no centro da poderosa revolução científica e tecnológica em curso no Planeta. Alguma dessas tecnologias já foram executados em outros momentos da humanidade, quando foi inventada na China o papel (105 a.C.) e a pólvora (século I), a máquina impressora de Gutenberg na Alemanha por volta de 1450, a máquina a vapor que definitivamente impulsionou e consolidação a Revolução Industrial inglesa do século XIX.

A propósito, de acordo com professor Tarso LedurKist, do Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em entrevista concedida à revista do Instituto Humanitas da Universidade Unisinos (IHU On-Line), os desafios da biotecnologia no Brasil ainda são enormes.Certamente, afirma o cientista gaúcho, “porque possuímos uma biodiversidade e recursos biológicos como poucos países”, mas, por outro lado, “não possuímos uma cultura científica, investigativa, prática e pragmática como outras”.

Segundo Kist, todo desenvolvimento tecnológico traz riscos e benefícios para a sociedade, mas ao que tudo indica a biotecnologia e a nanotecnologia vieram para ficar. Segundo o professor, novos processos e fenômenos estão sendo descobertos, o que demonstra que não há esgotamento ou limites para futuros desenvolvimentos na área. “É exatamente neste fato que reside a certeza de um grande mercado em potencial e da capacidade destas disciplinas afetarem todos os setores da economia, desde os mais tradicionais e até de criar novos setores econômicos”, conclui.

Com a biotecnologia pretende-se produzir mais, a um menor custo, com melhor aproveitamento do solo e sustentabilidade ambiental, desenvolvendo processos e produtos de maior rentabilidade em setores estratégicos e inovadores, tais como enzimas e insumos oriundos da bioeconomia. A biotecnologia e a genéticas são uma das maiores ferramentas para aumentar a biodiversidade e frear a extinção de espécies. Provavelmente, afirma Kist, nos próximos anos algumas espécies já extintas poderão ser trazidas de volta com o uso da biotecnologia e genética. Pode-se esperar que esta busca se intensifique num horizonte de 10 a 50 anos. A Amazônia é rica em exemplos nesse campo.

O potencial da biotecnologia e da nanotecnologia de agregar valor à economia é realmente muito grande. Existem muitos produtos em potencial como também fenômenos e processos novos sendo descobertos a toda hora sem possibilidade de esgotamento ou limite para estas descobertas e sua inserção no sistema econômico. É exatamente este fato que nos induz a crer em potencialidades a serem exploradas e em mercados potenciais capazes de promover uma revolução econômica envolvendo desde os setores mais tradicionais aos de características disruptivas.

O Brasil está enfrentando os desafios desse “admirável mundo novo” na qualidade de coadjuvante por não ter sido capaz de estruturar projeto de desenvolvimento arrimado em tecnologias de ponta de sorte a promover o equilíbrio estrutural do país em consonância com suas diferenciações regionais, e corrigir monumentais atrasos em relação ao sistema político, educacional, de ciência e tecnologia. Na Amazônia a situação é ainda mais grave face à persistência de históricos déficits de investimentos em setores estratégicos.

O Amazonas apresenta profundo desequilíbrio setorial. Mais de 90% de sua economia é gerada no Polo Industrial de Manaus (PIM), razão pela qual enfrenta imensa dificuldade de equacionar soluções.

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Osíris Silva
O economista Osíris M. Araújo da Silva é consultor de empresas, ex-secretário Municipal de Economia e Finanças da PMM, ex-secretário da Indústria, Comércio e Turismo e ex-secretário da Fazenda do Amazonas. É presidente da AMAZONCITRUS – Associação Amazonense de Citricultores, membro do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (GEEA), do INPA, e articulista econômico de A Crítica.

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