Domingo. Recebemos a visita de nossa netinha Maria Luísa. Durante a quarentena ficamos quase cinco meses sem contato. A recente revisão das medidas restritivas parece que aliviaram as saudades dos avós.  Com o uso de máscaras e sem aglomerações os netos foram liberados para visitar-nos. Um alívio relativo. As preocupações com contágio do terrível corona continuam. E não se pode relaxar.

A escola de minha neta Maria Luísa reabriu obedecendo todas as normas sanitárias. Uso de máscara, distanciamento e álcool em gel. E ainda há um rodízio de alunos. Mas até quando?

Em princípio parecia temerário o retorno. Mas para a Maria Luísa acho que foi um ganho. Principalmente no seu psicológico. Há que se priorizar a saúde, sem dúvida. Evitar-se o contágio. Mas o aspecto de saúde mental não pode ser negligenciado.

Maria Luísa mora em casa espaçosa, com piscina e tem a atenção constante de adultos responsáveis. Mas sentia falta dos amiguinhos. Voltar às aulas foi bom. E o fato de poder visitar os avós eventualmente trouxe a ela a sensação de que a pandemia havia terminado.

Uma jovem mãe que está em tele trabalho confessou no grupo de whats app que se sente culpada ao brincar com os filhos. Simplesmente porque acha que deveria estar trabalhando. Entretanto, quando está trabalhando, acha que deveria estar com os filhos.

O importante é os pais não transmitirem tanta ansiedade para as crianças nestes tempos tão complicados. Maria Luísa é privilegiada nesse aspecto.

Nossa conversa de domingo girou em torno das festinhas de aniversário. Maria Luísa teve a sorte de fazer anos em fevereiro. Sua festinha foi antes da pandemia. O tema foi a princesa Ariel e cia.  Uma festa muito bonita e Maria Luísa irradiava felicidade.

Acostumada a ir a aniversários temáticos, tem sentido falta. E comentou:

– Sinto falta de brincar em festas com meus amigos. Festa no computador não tem graça. A gente não brinca junto, não corre, não se diverte. E questionou:

– Vovô esse corona já foi embora ou não? Disse-lhe que infelizmente “ele” ainda estava por aí. No que ela perguntou:

– Mas até quando vovô?

Compartilhar
Pedro Lucas Lindoso
*Bacharel em Direito e licenciado em Letras pela Universidade de Brasília. Membro efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Pertence a Associação dos Escritores do Amazonas e a Academia de Letras Ciências e Artes do Amazonas. Membro fundador da Academia de Ciências e Letras jurídicas do Amazonas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário
Por favor informe seu nome aqui