“Ao retornar a Manaus foi revolucionário de 1924 e por ter sido diretor do Ginásio Amazonense Pedro II foi preso pela Justiça Federal, em 1925.

A mania de formar coleções tem sido passatempo preferido de muitas personalidades influentes mundo afora. Em nossas terras, ao que se sabe, além de Bernardo Ramos que formou a nossa primeira coleção de moedas e cédulas, considerada de elevado valor, vários se somaram a essa boa mania como Junot Carlo Frederico, Ernando Marques, Francisco Vasconcellos, Danilo Areosa e Gebes Medeiros, além de outros mais que se dedicaram a compor coleções variadas, de cujo grupo Joaquim Marinho é o mais emblemático de todos reunindo seus pequenos, carros, jornais, revistas, discos, fotos, charges, livros, moedas, selos e uma quinquilharia sem fim. Ao seu lado, com seus barcos, telas, cartas, fotos, desenhos e bilhetes, esteve Moacir Andrade, o grande artista.

Nessa mesma Manaus houve um professor e jornalista, lá pelos anos de logo após o auge da “belle époque” que se dedicando com fervor elevado a essas atividades, colecionou caixa de fósforos de várias cidades pelo mundo, mas se tornou famoso por haver obtido uma decisão judicial no mínimo estranha, mas que serve para demonstrar o valor que ele conferia ao ensino e à boa formação humanista.

Nascido em Manaus em 1894, aqui estudou e depois se transferiu para o País de Gales para ter aulas na Dinglewood School, em Colwyn Bay, e, em seguida ingressar na Faculdade de Engenharia da Universidade de Liverpool. Ao retornar a Manaus foi revolucionário de 1924 e por ter sido diretor do Ginásio Amazonense Pedro Il foi preso pela Justiça Federal, em 1925, respondeu a júri e foi absolvido.

Versado em inglês, lecionou, também, na Escola “Lopes Gonçalves”, atuou em vários veículos de imprensa como “O Dia”, “A Liberdade”, “A Nação”, e fundou a “Revista Amazônida”, tendo conseguido publicar vários títulos em opúsculos.

O fato pelo qual se tornou único, no Estado, correu nos salões da Tribunal de Justiça, pois, sem conseguir entender-se com a ex-esposa a respeito da escolarização de seu único filho, e desejando que ele tivesse a melhor formação possível, o emérito professor recorreu à justiça para conseguir realizar seu intento, obtendo a devida autorização legal para este fim, apesar da resistência da mãe da criança.

Mais do que isso, o Juiz de Menores determinou que a mãe entregasse a criança ao pai o qual, sem conseguir dar cumprimento à decisão judicial, aproveitou um passeio do filho pelas ruas da cidade e o tomou nos braços e, ato contínuo, o levou para bordo do vapor e o entregou aos cuidados do comandante para seguir viagem para a Inglaterra. Lá, foi interno na Dinglewood School, em Colwyn Bay, e depois estudou em Liverpool, retornando a capital amazonense somente depois de concluída a sua formação e quando já estava casado, e para uma breve temporada.

Boêmio e cervejeiro, defensor do glebarismo, bom escritor e famoso jornalista, o professor Carlos Mesquita conseguiu impor, quase à força, a melhor formação a seu filho, em fato que ficou comentado como a astúcia do colecionador de fósforos.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ex-Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até 2017 e atual Presidente da Academia Amazonense de Letras.

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