Prometer maravilhas é e sempre foi comportamento adotado nas campanhas eleitorais, algumas chegando às raias da leviandade e da irresponsabilidade, por ser impossível o cumprimento, mas tudo vale para conquistar o voto dos eleitores.

Transformar em realidade o prometido, em época de escassos recursos públicos, é o maior contratempo do administrador, pois não há previsão orçamentária para atendê-lo. É exemplar a promessa de aumento do bolsa-família pelos candidatos, embora não esteja consignado no orçamento de 2019, que já terá dificuldades para custear os encargos necessários e comprometidos.

Os orçamentos são delimitados e divorciados das promessas de campanha, tornando real a possibilidade de frustração. É previsível para o próximo exercício um rombo nas contas públicas de R$ 139 bilhões, dificultando investimentos que oportunizem oferta de trabalho aos desempregados. São 13 milhões sem emprego, mas o IBGE cita outros 14 milhões de subempregados, que não ganham o suficiente para cobrir todas as despesas.

O desequilíbrio financeiro do país decorre de desgovernos recentes, que usaram o dinheiro público de forma leviana e inconsequente, havendo vários Estados atrasando salários de servidores: Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe, Mato Grosso e Roraima. Alguns já estão quebrados e outros na iminência da insolvência ou bancarrota, pois muita herança maldita vai aparecer no ano vindouro.

Após os naturais conflitos eleitorais, que se faça prevalecer a pacificação, com um ambiente de moderação para que, com a união de todos, se possa ajudar o país a enfrentar o ajuste fiscal, e aprovar urgente as reformas da Previdência, Tributária e Política.

Não podemos correr o risco, em razão de imprevidência ou postura inadequada, de distribuir sem a cautela necessária, os recursos públicos arrecadados, não considerando as prioridades devidas, visando tão somente a cumprir promessas assistencialistas, em prejuízo do interesse público. Conceder benefícios a uma categoria poderá representar uma perda de vantagens de outras parcelas da população. Um dos maiores desafios da administração pública é governar bem, com poucos recursos disponíveis, tendo que estabelecer preferências inadiáveis.

Haverá necessariamente um grande esforço para se tentar equilibrar as contas públicas e controlar os gastos governamentais, buscando compatibilizar as despesas com a arrecadação prevista. Os problemas serão graves e para solucioná-los o país precisará contar com a participação de todos, inclusive de uma oposição que atue com firmeza e responsabilidade, não servindo de exemplo opositores que outrora não assinaram a Constituição de 88 e até votaram contra o Plano Real, que tirou o país da hiperinflação.

O futuro da nação exigirá dos que discordam, uma postura equilibrada e patriótica, para contribuir na solução dos grandes problemas nacionais. Após as eleições, que se adote a postura de respeito aos derrotados e sobriedade no trato do interesse público, pois o Brasil precisará fazer reformas impopulares e atrair investimentos externos e internos para alavancar a combalida economia e recuperar as contratações.

O que os brasileiros mais anseiam no momento é a geração de empregos e rigorosa honestidade na gestão pública, prevalecendo sempre o diálogo elevado, bem distante do habitual e afamado “toma lá dá cá”.

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Lupercino Nogueira
Ex-membro do Ministério Público do Amazonas e da Magistratura do Estado de Roraima.

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