Para entendermos a cultura indígena amazonense aldeia de Pari-Cachoeira Tribo Tukano Município de São Gabriel da Cachoeira Amazonas – Brasil Botânica Indígena

Narrado pelo bayá Doétiro (Cândido Gentil), de 76 anos, do grupo étnico Dahsé (Tucano), no ano de 1967, e anotado pelo kumu Seribhi (Gabriel Gentil), também Tucano, em 24/8/1984, que me passou os originais para publicação. In memoriam.

Explicação sobre mandioca

“Quando eu era pequeno, meu pai me obrigava ir com ele sempre nas roças”. Nossas roças ficavam no igarapé Veneno. Eram os macús que ajudavam de derrubar as roças, plantar mandioca e frutos. Minha maior alegria era a de ir para roça comer frutos: abacaxi, abiu e cana. Um dia no momento quando ele colhia ipadú, eu Gabriel ajudando ele a colher, perguntei:

– Por que nós Tucanos, e outras tribos vizinhas, respeitam as plantas e as ervas medicinais da mata? Também nós comemos raiz mandioca.

Quando perguntei estas perguntas o meu pai velho Cândido me olhou com cara feia de seriedade, me olhando bem e abrindo os olhos dele disse:

– Mahkê, na língua Tukano significa filho.

– Primeiro veja se as folhas de mandioca se têm aparência quase igual às palmas (mãos) de gentes. Repare também o caule dela se não parece coluna vertebral. Os frutos, que são as raízes, nós chamamos mandioca e são as pernas dela. As mandiocas são gentes que já existiram no começo do mundo de outras formas diferentes dos humanos. Assim para nós indígenas da tribo Tukano são gentes. Não só mandioca, vários outros tipos de frutos, animais, seres vivos, são todas gentes.

– Nós humanos Tukanos somos produtos das mandiocas e outros alimentos. Nós comemos mandioca e está se transforma em células, em esperma, e se transforma através de gostos, originando a vida, dentro do útero da mulher (palavra feminina em tucano). É por isso que existem as cerimônias para antes de plantar as mandiocas, feitas no terreno da roça.

Tipos, qualidades, origem, nomes de mandiocas. 

Existem vários tipos de mandiocas, com vários nomes, vários gostos, e com dois cores brancos e amarelos (cor é masculina em tucano). As mandiocas gentes frutos (raízes) graúdos, pertenciam à família de Chefes das hierarquias superior, classificação do clã irmão maior observe e confira.

No começo do mundo, somente a criadora Yepá (Deusa da Terra), quando ela morava na Yepáwii (Casa de Terra), o lugar mais antigo da Terra, repassou segredos para BASEBÔ (Deus de Fartura), outro Deus criador de mandioca. Isto se deu no tempo quando o BASEBÔ morava na Terra, na Dia Potekhãwii (Casa do Norte), lá era o lugar onde existia muitas comidas, muitos animais.

No começo do Mundo a mandioca era somente para comer. Não precisava cozinhar, nem fazer roças, estava tudo pronto para comer. Quando não tinha mandiocas, os Tukanos comiam as comidas kohtó, pusí. Basebô fazia armadilhas de pássaros inambus, e comia somente inambus. É assim que contavam os mitos da tribo Dessana. Do BASEBÔ, muitas tribos tiraram as sementes de mandiocas, e em troca deram as filhas deles, ou houve troca de bens de culturas entre os Tukanos, com tribo Gente Pedra, os mesmos Gentes Juruparis, que os brancos pesquisadores deram o nome de Aruak. Assim espalhou-se em todas as partes da Terra, em várias tribos. Onde as tribos indo, ou mudando de malocas eles levavam com eles, até hoje.

Existem dois grupos de mandiocas:

1°. Grupo. É mandioca cor branca, é da família de Chefe, irmão maior.

2° grupo. É mandioca amarela pertence da família inferior irmão menor.

Ritual Mandioca

Nós humanos também somos assim, temos hierarquia de chefe superior e inferior. Com os animais também é mesma coisa, eles também têm seus chefes. A Terra ela tem suas cores, a suas camadas, as camadas de cima são as casas moradias dos Deuses Chefes, debaixo das camadas moram os Deuses Pequenos.

Depois perguntei para meu pai:

– Entre mandiocas existem homens maridos e mulher esposas?

Escutando isso, antes de explicar o meu pai Cândido Gentil, para abrir bem as memórias dele. Ele comeu ipadú, fumou tabaco, olhou para direção do leste, onde nasce o Sol. Depois virou a cabeça dele no lado Sul, e para o Norte. Na direção do Oeste, onde o Sol entra, é lá ele posicionou ficou em pé e narrou esta cerimônia do Deus Sol e da esposa dele a Terra:

– Esta Terra onde eu estou em pé, neste momento é a Terra do Sol.

– É por isso temos que respeitar muito a Terra, e os animais também.

– A Terra é a mulher do Sol. Como nós humanos fazemos relação sexual com nossas esposas, o Sol faz sexo com a Terra, ele engravida maior parte. Outros Deuses Astros como o Lua (masculino), Trovão, Estrelas e Arco-Íris também ajudam de engravidar a Terra.

– É por isso nós Tukanos quando realizamos rituais cantamos dizendo que a Terra, é uma linda mulher. Que seu corpo é tão macio, seu corpo é de pedra cristal. Você é saborosa como ipadú, as bebidas ayawascas kahpí e a medicina pari cá.

-Oh! Deusa Terra deixa deitar por cima de você. Hoje vamos beber dançar, e dormir juntos.

Mente com 30 anos tukano é homem

É assim que meu pai Cândido Gentil me ensinou quando eu tinha 15 anos de idade. Conforme com o passar do tempo tua memória vai madurecer. Se um dia for bem esclarecido, desenvolvendo bem, se ficar adulto homem acima de 30 anos, aí sim eu vou te ensinar os segredos dos homens Tukanos. Meu pai hoje em dia ele gosta de trabalhar nas roças. Gosta de ver as plantas crescerem especialmente ipadú, mandiocas e outros frutos. Dizia que estamos nos tempos de ar puro, quando as flores florescem nas árvores, estamos respirando ar puro. Nem todas as árvores dão ar puro, algumas árvores dão venenos. É sinal que as árvores de frutos de venenos, é que provocam as dores de cabeças, nas humanidades, ervas medicinais de venenos também provocam as dores de cabeça.

Classificação explicação de mandioca

Dona Maria Cabral, 41 anos, da tribo Dessana, do povoado São Francisco, rio Tiquiê. Município São Gabriel da Cachoeira, Amazonas foi quem fez a explicação sobre a classificação sobre a mandioca, no dia 20 de outubro de 1982, na cidade de Manaus. Foram os pais dela os velhos Kumuã José Cabral, e Joaquina Cabral, do povoado Cucura Igarapé, afluente rio Tiquiê, que transmitiram estes conhecimentos. Quando a Dona Maria Cabral, ditou estas ela chorava muito, lembrando a morte do marido dela que faleceu nvenenado no dia 14 de fevereiro de 1976, chamava-se Antônio Sampaio. Era o tio do Álvaro Sampaio. Aqui está a lista de classificação de mandioca, tipos e qualidades e nomes.

  1. Mehkã diarã dëhkë. É, “Maniwara mandioca”, ou tanajura. Representa gentes que vivem na Terra. As que moram debaixo da Terra, bebem águas do ramal do rio Subterrâneo.
  2. Soaria dëhkë. “Mandioca vermelha”. Representa uma Camada da Terra, da família Terra Tabatinga. 
  3. Beré dëhkë. É mandioca da família de Chefe. A mandioca se tomou com as forças energias das palavras cerimoniais da Criadora Deusa da Terra Yepá, e seu esposo. 
  1. Wará dëhkë. É mandioca Deus das árvores. Produz mandioca grande gordurosa. Antigos Tukanos comiam esta mandioca para ter os filhos graúdos e altos.
  1. Pahtí dëhkë. É mandioca de partos. No tempo de frutos árvores costumam dar as flores, depois nascem seus filhos, que são os frutos, mandioca oval é homem, mandioca redonda forma de bola é mulher, e aí está os controles quem quiser ter os filhos homens, só é comer mandioca oval, querendo ter filhas só é comer a mandioca bola.
  1. Wamëpetorí dëhkë. É mandioca casca de fruto umarí.
  1. Batia dêhkê. É mandioca peixes. Forma da mandioca é como peixe de pacu (raiz em forma de pacu).
  1. Ãhuporã dëhkë. É mandioca de beiju miúdo. É um dos nomes da filha da criadora Deusa da Terra Yepá. Que organizava as danças rituais, e curas de doenças.
  1. Buhá dëhkë. É pombo mandioca. Os Pajés tiram os poderes espirituais alimentando-se desta mandioca, feita em beiju, e farinha estando em jejum.
  1. Ihkí dëhkë. É inajá mandioca. Os cantores músicos fazem as bebidas de caxirís desta mandioca, ela tem as forças, dá muitas energias, e visões.
  1. Oreró dëhkë. É Surubim mandioca. O peixe surubim tem os desenhos no corpo dele, os desenhos simbólicos da casa do rio – DIA WII. É lá a origem de todos os simbolismos, que existem nas malocas, nos artesanatos, e pintam nos corpos durante os rituais, e dançam com as esposas, bebendo caxirís, feito com mandioca.
  1. Toa dëhkë. Mandioca tambor Trocano. Ela representa todas as árvores que faz os tambores trocanos de todos tamanhos e todas as qualidades.
  1. Wahpë dëhkë. Cunurí mandioca. É mandioca mais utilizada para fazer farinha de tapioca, ou beiju dos chefes.
  1. Tãi dëhkë. Mandioca Trovoa (trovão fêmea). Nasceu com a cerimônia do estrondo do trovão. Quando as mulheres-pajés mandavam nos homens, os homens faziam caxirís, beijus, com esta mandioca.
  1. Ohópuri dëhkë. Folhas de bananas mandioca. Esta mandioca veio em semente da maloca da Cobra Dágua Preta, que fica dentro do fundo da Terra.
  1. Yoasó dëhkë. Calango mandioca. Esta mandioca é das hierarquias de classificação de mandiocas, é servente ou macú das mandiocas chefes.
  1. Wehkó mona dëhkë. Papagaio mandioca. Esta mandioca semente veio da tribo Papagayo, mesma da família das araras.
  1. Behkaria dëhkë. Maniwa mandioca. Esta mandioca representa uma tribo antiga que mora na região do rio lçana, alto rio Negro Amazonas. Nós tukanos chamamos esses Baniwa na nossa língua de Behkarã.
  1. Perutë dëhkë. Camute mandioca. Esta mandioca é importante, pois é um ser quando se faz cerimônia de caxirís é pedido por ele, chamado perutê mahsê õakhê.
  1. Epesa dëhkë. Mandioca Epesa. Esta mandioca é maior de todas, mais comprida e grossa, quem alimenta esta mandioca costumam ter os filhos altos e graúdos, especialmente as mulheres devem ter as coxas grossas. Ela representa coluna vertebral do peixe.
  1. Mahsãbho dëhkë. Gente mandioca branca. Esta mandioca representa uma montanha, chamada Serra Bela Adormecida, ou Serra do Warirú, além dela é que fica a Serra do Basebô, que fica perto da cidade de São Gabriel da Cachoeira, Amazonas. Lá é a casa de uma Deusa da Mandioca deitada olhando para o Sul. É assim nos mitos dos Arauak, aprendido pelos Tukanos. É lá também é a casa do Deus da Fartura BASEBÔ, com suas três esposas, e as roças dele, onde se originou uma parte das sementes de mandiocas.
  1. Numu dëhkë. Bacaba mandioca. Esta mandioca representa Montanha de Bacaba, que fica no rio Papurí, com Tiquiê. De lá foi tirada esta semente de mandioca.
  1. Ñairõ dëhkë. Batata mandioca. Esta mandioca é pajé mandioca que morava na Casa do Céu. Esta mandioca era a comida da Criadora da Deusa da Terra Yepá. Alimentava em tapioca, em beiju, caxirís, e alimentando com isso ela criava o mundo, luz e humanidades.
  1. Duhiri dëhkë. Sentar mandioca. Os primeiros pajés da tribo Gente Pedra, eles comiam farinha de tapioca, após de ter feitos os rituais de sexos sagrados com suas esposas, em público, no meio da maloca, depois da meia noite, em nome de Deus Pedra Ehtã Õakhê.

Observação: Daqui pra cima são mandiocas cores brancas que pertencem da família de Chefe da mandioca gentes do Grupo I. Depois daqui para baixo é do grupo 11, observe: Kãre dëhkë.

  1. Kãre dëhkë. Abiu mandioca. Esta mandioca é de cor amarela, muito gostosa. Os Chefes das tribos gostam mais como farinha amarela e nos caxirís também. 
  1. Ësé dëhkë. Cucura mandioca. É mandioca que tem pouca tapioca, tem menos gosto, pertence à famílía inferior macús.
  1. Buu dëhkë. Tucunaré mandioca. Os macús é que tinham as sementes desta mandioca.
  1. Serã dëhkë. Abacaxi mandioca. É uma mandioca com gosto lembrando o fruto do abacaxi. Esta mandioca veio da Casa do Curupira. Foram humanos encantados pelos Curupiras, que trouxeram as sementes.
  1. Tapá dëhkë. Preta mandioca. Esta mandioca tem sua origem no tempo, quando ainda no Mundo não existia luz, existia no tempo da escuridão, no começo do Mundo.
  1. Uá dieri dëhkë. Tartaruga ovos mandioca. A forma dela é como a forma da tartaruga, tem cor amarela.
  1. Castaña dëhkë. Esta mandioca foram os brancos, ou caboclos que levaram para aldeias dos Tukanos e Desana.
  1. Uhurí dëhkë. Jabuti mandioca. Ela tem a forma de Jabuti.

Daqui para baixo foi a minha esposa ANA CABRAL, da tribo Dessana, a irmã da Maria Cabral, que fez essa explicação. Fiquei admirado dela saber conhecimentos tradicionais. Na verdade, a minha esposa Ana Cabral, também sabia muitas histórias, tanto lendas, como histórias da parte das mulheres.

  1. Semé dëhkë. Paca mandioca. Esta mandioca é especial com que o Jurupari, o Miri, se alimentava, quando fazia os rituais, gerando os novos pajés, para várias tribos da Amazônia. O Jurupari pertencia da família do Sol. Ele era da tribo Gente Pedra, Ehtã mahsê,
  1. 0ori dëhkë. Flores mandioca. Esta mandioca foi tirada sementes na Serra Toco de Flores, que fica no igarapé Castanho, afluente do rio Tiquiê.
  1. Ahké dëhkë. Macaco mandioca. Esta mandioca veio na Casa do Mapinguarí, que é o Chefe de todos outros monstros da mata, é o maior de todos com mais de 11 metros de altura. Forma dele é como um macaco grande, com unhas compridas, cabeludo.
  1. Busá dëhkë. Samauma mandioca. Mandioca que faz ficar mais inteligente da Terra. Os iniciados para serem os pajés comem farinha, e beijus desta mandioca durante treinamentos e provas de inciações, fora da maloca, e fora da família, estando em jejum.
  1. Wahpé dëhkë. Esta mandioca ela veio de sementes da Casa dos Peixes. Um humano perdido foi levado, para o fundo do rio, pela Cobra Grande, junto com os filhos dele: os peixes. Assim que conseguiu fugir ele trouxe esta semente para nosso mundo Terra.
  1. Uhtía dëhkë. Caba mandioca. Esta mandioca pertence à tribo Tariana. Eles conseguiram sementes com o pai criador deles o Trovão.
  1. 0mã dëhkë. Rã mandioca. As mulheres guerreiras levavam com elas os beijus e farinha e enterravam por longo tempo, quando elas matavam gentes e comiam.
  1. Uñu dëhkë. Abacate mandioca. Esta mandioca é da tribo Werekena, fora da tribo Desana, que trouxeram para os Tukanos. Assim que as mulheres casaram com os Tukanos as sementes ficaram até hoje.
  1. Pãmo dëhkë. Tatu mandioca. Esta mandioca é da tribo Tatu. Foi o Guariba que deu para os Tukanos. Os Tukanos em troca de mandioca deram duas filhas virgens. Porque ela é comida pelo Deus Sol.
  1. Mere dëhkë. Ingá mandioca.
  1. Numiã ëtá dëhkë. Fezes das mulheres Juruparis mandioca.

Explicação sobre mandioca da esposa do Gabriel Gentil, Ana Cabral, da tribo Dessana, em  Manaus, 18 de janeiro de 1996.

–  Meu pai José Cabral, 77 anos, da tribo Dessana, junto com o tuxaua Venâncio Fernandes, comandava a maloca da nossa aldeia de Cucura Igarapé. Antes de fazer roças todos os anos, eles sempre  escolhiam a terra de cor preta.

–  Depois faziam cerimônias da Terra “Ditá bahseró”, para nossas roças produzirem mandiocas graúdas com grandes tubérculos de tapiocas. Faziam ritual às oito horas da noite. Pediam para o criador da mandioca ao Deus o Basebô, que as nossas roças sejam como as roças do Basebô. –  Eles faziam assim porque meu pai nos ensinou dizendo assim: – em todas as roças, no meio das roças, ele plantava ipadú, ervas medicinais paricá, ayawascas, para ele receber as visões, as forças para curar as doenças.

– Os meus pais gostavam de comer as folhas de maniva, chamada maniçoba, cozinhavam bem, misturavam com os peixes. O caldo de mandioca a minha mãe cozinhava fazia tucupi misturava com pimenta, ou somente tucupi, aí a mandioca tomava o sal. Os líquidos da mandioca tomavam anicoera, a minha mãe cozinhava e nós todas as filhas dela: – Anita Cabral, Mariquita Cabral, Mariquinha Cabral, Emília Cabral, Guilhermina Cabral, Ana Cabral, Maria Cabral. Morreu um homem ele era o nosso irmão. Nós todas bebíamos caxirís de cana, comíamos a pimenta quinhoeira. Nós as filhas dele, fazíamos para nosso pai os vários tipos de. bebidas de caxirís: caxirís de cana e caxirís de batata, os beijus e a farinha de tapioca. Assim a nossa casa tinha as comidas em todos os dias. Nosso pai caçava pacas, antas, cutias, jacarés, tucanos, inambus. E pescava peixes, surubins, pacus, aracús, acundás, e todos os tipos de peixes.

– Nossas mandiocas eram graúdas porque a nossas Terras eram terra preta e fértil. Maniwa é o caule, eram altos e grossos, os tubérculos é tapiocas, flores das mandiocas eu brincava. A gente carregava mandiocas com cestos de aturás. Ralava mandiocas com ralador, quem faziam ralador eram tribo Baniwa do rio Içana. O meu pai tinha os macús, que trabalhavam para ele. São os nomes dos macús: – Keé, Hêhê, eram os músicos que tocavam as músicas de juruparis; Pihkôturo, Keri, Boo, Se, Wikê, Dega, eram caçadores e pescadores, são eles que faziam as roças, faziam dabucurís de mandiocas. As mulheres esposas dos macús, eram estas: – Sôo, Mi, Yuhkê dêhka, Bohsó pahko, Kipu waharo, Na, Oori. Estas mulheres é que cuidavam nossas roças.

Estas informações vieram de várias tribos do alto rio Negro, Amazonas, Brasil. Estas algumas informações foram adotadas pelos índios Tukanos. Outras foram dadas por Maria Cabral, da tribo Dessana. Mesmo assim eu desde quando eu tinha seis anos eu comecei ver nas roças as mandiocas. Também comecei escutar sobre cultura de mandioca. Somente quando eu tinha 15 anos eu aprendi com meu pai Cândido Gentil. Hoje eu com 51 anos de idade atualizo este texto tão importante e valioso para os Tukanos, e outros tribos vizinhos: Dessano, Tuyuka, Piratapuia, Tariano, Carapaná, Miriti tapauia, Barásano e o Macús (tribo é masculino, não interessa se a palavra não é). Este artigo é uma homenagem ao nosso etnólogo tucano Gabriel Gentil, que morreu magro como o Jurupari, em decorrência de complicações de uma doença diabética evolutiva, chegando à amputação de uma de suas pernas. (Adaptado do português de Pari Cachoeira, mantendo ao máximo o pensamento original – Antonio Loureiro Foram utilizados em muitos trechos concordância e gêneros da língua tucano aplicados à maneira tucano.

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Antonio Loureiro
Historiador amazonense. Membro das academias Amazonense de Medicina e Amazonense de Letras. Ex-presidente do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.

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