Árvore da Amazônia!
Tens a forma de um cálice
Enraizado no solo desta  gente,
e com tua copa aberta ao Infinito!
Cálice de sangue…
Sangue desse teu tronco decepado
vendido e transportado como o pau-brasil.
Cálice de sangue
da seiva derramada
ante o machado, o fogo, a motosserra. 

Cálice de silencio
Ante o “cáli-ce” do inimigo,
Mas cálice que grita
Pela boca de um Chico Mendes
E de tantos e tantas
Que dão até seu sangue para te preservar! 

Cálice erguido ao céu
Como o do Sangue de Cristo
Suplicando, bradando…
Que este cálice de morte se transforme
Em cálice de festa e em cálice de vida !

Compartilhar
Marília Menezes
Poeta e escritora. Ex-secretária da CRB. Trabalhou na Prelazia de Itacoatiara, em 1962-1963, ao tempo do bispado de dom Francisco Paulo Mc-Hugh (1924-2003), onde dirigiu o Colégio Nossa Senhora do Rosário. Em 1997 voltou a Itacoatiara para secretariar o bispo dom Jorge Marskell (1935-1998), até sua morte no ano seguinte. Sócia correspondente da Academia Amazonense de Letras. Reside em Belém, sua terra natal.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário
Por favor informe seu nome aqui