Na última quinta-feira, já próximo da meia-noite, sai de casa com esposa e filha para dar o último adeus a Armando Andrade de Menezes, cujo corpo repousava, porque seu espírito de luz já se aninhar nos braços de Deus, no Salão do Pensamento Amazônico da Academia Amazonense de Letras, casa que ele integrou, lustrou e presidiu com brilho invulgar por muitos anos. O espaço de que disponho é curto para dizer da grandeza de Armando, mas é suficiente para prestar-lhe um justo tributo.

A última vez que conversamos foi no leito da UTI do Hospital SagracCort. Eu fui visitá-lo e, para minha surpresa, ele estava acordado, lúcido e falante. Contou-me episódios de seu passado, disse que estava fazendo um trabalho sobre Phelippe Daou, seu amigo de longa data, e até pediu voto para um dos candidatos que disputou a última eleição da Academia. Ele era assim, sempre atuante, sempre com novos planos, sempre inspirador. Despedimo-nos, como ele também sempre fazia, com beijos no rosto. Sai animado, pois Armando era mesmo uma fortaleza, homem tocado pelo criador com longevidade e saúde, bênçãos somente conferidas aos bons e aos justos.

Mas a vida é mesmo assim, tem início e fim. E, o que importa, é o que fazemos no meio. Armando, neste intervalo, quebrou paradigmas. Há pessoas que vivem muito e nada fazem. Há pessoas que vivem pouco e deixam um grande legado. Armando viveu muito e muito deixou, porque tudo o que fez, foi com amor, generosidade e compromisso com seus irmãos de gênero humano. Quando presidiu a Academia, vejam só,  entre os 88 e os 89 anos, Armando o fez com a fibra de um espartano, pois dava expediente todos os dias no silogeu, participava das sessões como o primeiro a chegar e o último a sair, incentivava os mais jovens e prestigiava pessoalmente, sempre que possível, os seus confrades, sendo um exemplo e um modelo para todos nós.

Ele emprestou o seu brilho a diversas entidades culturais, como o  Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e a Associação dos Escritores do Amazonas, exercendo, ainda, a presidência do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas e o magistério. No campo das letras era um notável memorialista. Era, porém e acima de tudo, um ser humano adorável. A menina de seus olhos, fora sua adorada esposa Ivete,  era o famoso “Chá do Armando”, um encontro de intelectuais, espécie de “mecenato líterocultural, voltado para o cultivo da amizade”, com registra Almir Diniz em seu livro “Dicionário biográfico – Acadêmicos Imortais do Amazonas”.

Por tudo o que foi e por tudo o que fez, Armando viverá eternamente em nossas memórias. E hoje eu gostaria de cantar, como por vezes ele me pedia, a música de Dolores Duran, “A noite do meu bem”, ofertando-lhe a mais linda rosa do jardim de meu coração, coisa que, sei, todos os seus amigos gostariam de fazer. Descanse em paz, Irmão.

*Advogado e escritor. Membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.
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Júlio Antônio Lopes
*Amazonense de Manaus, Advogado, jornalista, escritor e editor. Em âmbito regional é membro da Academia Amazonense de Letras; do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas; da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas - seu atual presidente; da Academia de Letras do Brasil-Am; da Academia de Letras e Culturas da Amazônia; da Associação dos Escritores do Amazonas; e da Associação Brasileira de Poetas e Escritores PanAmazônicos. Idealizador e fundador da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas - a Casa de Bernardo Cabral. Integra, como membro efetivo, a Academia Brasileira de Ciências Morais e Políticas; a Academia Internacional de Jurisprudência e Direito Comparado; a Confraria Dom Quixote; a Associação Nacional dos Escritores, sendo, ainda, sócio correspondente da Academia Carioca de Letras; e da Academia Cearense de Direito;) e sócio honorário da Academia Paraibana de Letras Jurídicas. Faz parte também do Conselho Consultivo da Academia Brasileira de Direito.

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