Aprenda com seus medos

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Transformar esse terrível sentimento, o medo, em coragem pode ajudar você a viver com mais criatividade, sabedoria e, sobretudo, liberdade.

Conversando com uma pessoa amiga, ela me dizia que quando criança o escuro a apavorava. Acordar no meio da noite mesmo que fosse para ir à toalete também a apavorava e a deixava paralisada, com uma dificuldade muito grande para conciliar o sono novamente, pois os monstros imaginários eram terríveis. Hoje em dia, já adulta, os medos foram modificados, mais ainda estão muito presentes. Conversando com seus filhos sobre seus próprios medos, acabou por descobrir medos parecidos vivenciados por eles. Alguns ficam sonhando com zumbis. Outros têm medos de aranha, baratas, etc. Lembro a ela os meus próprios medos quando criança, as pessoas de minha casa quando queriam que eu e meu irmão fôssemos para a cama dormir, diziam: – “Olha, se vocês não forem se deitar agora o Murucututu vem pegar vocês”. E ouvindo os sons noturnos produzidos principalmente por corujas e morcegos, atribuíamos a estes agentes apavorantes a presença de nosso algoz.

Estes pequenos exemplos nos mostram que não podemos deixar que nossos medos possam se tornar maiores que nós próprios. À medida que crescemos outros medos certamente vão se apresentar para nós, como os riscos da violência crescente na sociedade moderna. Temos que orientar nossas famílias que lugares fechados como as cabines dos elevadores, quartos escuros, viagens de aviões, nada disto deve ser motivo de medos, pois tudo faz parte da nossa vida enquanto vida exista, promovendo o conhecimento das realidades e nos fazendo crescer.

Os médicos que, convivendo todos os dias com a morte também acompanham a terminalidade dos pacientes fragilizados, não deverão temer a morte, pois esta faz parte da própria vida. Quando nos abrimos para falar sobre a realidade da finitude, experiência pela qual todos deverão passar um dia, passamos a valorizar mais e mais a própria vida, dando mais valor a pessoas e coisas simples que nos rodeiam e vendo a vida com realidade e generosidade e, principalmente, como sendo um paciente divino.

Devemos evitar falhar a todo instante, mesmo que a nossa natureza seja frágil e imperfeita e não se deixar dominar pelo medo para preservar o que existe de melhor dentro de nós. Aprender com nossos próprios medos para saber distinguir e conviver com eles é importante para se conhecer melhor e ter uma vida mais criativa e transformadora, mesmo que isso nos amedronte de vez em quando.

O medo pode ser um motor poderoso para o nosso autoconhecimento, porque nos obriga a olhar para o desagradável. E, a partir disso, conseguiremos buscar caminhos para nos transformar em pessoas vencedoras de seus próprios medos e principalmente LIVRES!

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Euler Ribeiro
Amazonense, de Itacoatiara. Formado em Medicina em Belém (PA), o médico geriatra completou os estudos em SP e nos EUA. Foi secretário de Saúde do Estado e deputado federal. Fundador da Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI), ligada à Universidade Estadual do Amazonas (UEA). Membro das academias amazonenses de Letras e de Medicina.

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