É preciso crer que esse clima de insegurança, dor e tristeza, quase generalizado, vai passar.

O ano que iniciará em breve, chegará carregado da esperança dos povos do mundo inteiro, muito mais do que tem sido comum e sucedeu até aqui, em razão, naturalmente, da grave crise de saúde pública que estamos atravessando, e das milhares de vidas humanas que romperam seus laços nessa transitória passagem terrena.

O clima, por onde se anda, não é de festa, mas de insegurança. É preciso crer que esse clima de insegurança, dor e tristeza, quase generalizado, vai passar, porém, mais do que acreditar que vai se operar a calmaria, é necessário que cada um dos habitantes, ao redor do planeta, compreenda melhor o que sucedeu, extraia as mais expressivas lições dessa agonia e, ao fortalecer a esperança que carregamos, assimilemos essas mensagens em favor do nossos crescimento pessoal.

Tem sido comum, tempo após tempo, que se distribua votos de Ano Bom – como se dizia antigamente, expressão que servia para augúrios de saúde, paz, felicidade e prosperidade. Para 2021 essas mensagens devem ser repetidas e revigoradas pela esperança, principalmente pela esperança de que a pandemia cedo aos resultados do trabalho dos cientistas e sejamos libertados.

Há quem fale com otimismo sobre a nova fase de vida que vamos viver, a cada vez que nasce o novo tempo. Há quem ressalte que se deve esquecer o passado, virar a página e seguir adiante, assim como há aqueles que desejam que a transposição do ano represente um recomeço, ou um renovar de pensamentos e de sonhos. Alguns sintetizam as suas mensagens augurando novas e grandes realizações. Muitos e muitos enviam votos desejando alegrias, paz e superação.

Não resta dúvida de que todos estes desejos, se ardentes e puros, e verdadeiramente sentidos no fundo da alma, têm valor e traduzem o que representaria desejar um Ano Bom, no momento que é de confraternização universal, conforme o calendário adotado por grande parte dos povos.

Sem desprezar tais desejos, os quais se justificam, também, porque iluminam o caminho a seguir e porque representam as nossas mais caras tradições devemos inaugurar o novo ano que se aproxima com agradecimentos profundos ao Supremo Ser que a tudo preside. Agradecer a oportunidade singular do aprendizado que tivemos e estamos experimentando diante da crueza das páginas de vida que desejamos ultrapassar e que preenchem a história do ano que se encerra.

Os festejos, qualquer que seja a data recomendada pela cultura do povo, sejam sempre de passagem de ciclo de vida, tal como sucedia com os povos mais antigos que bem sabiam extrair lições da história de antanho. Esse tempo novo é marcado, no Egito, pela cheia do grande rio; na China, pela lua cheia de fevereiro; como sucedia na Babilônia, com o início da colheita.

Os nossos costumes nos remetem à Roma Antiga, quando se trata de festejos populares, mas sem as orgias mundanas e pervertidas de que se valiam, porém, com a libertação de presos perdoados, com expurgos e purificações mas sem os sacrifícios aos deuses.

O que melhor traduz nossos votos para este Ano Novo que vai nascer, está nos versos de Camões, quando dizia: “Depois de procelosa tempestade/Noturna sombra e sibilante vento/Traz a manhã serena claridade/Esperança de porto e salvamento.”

Esperemos, pois, com esperança, a manhã de serena claridade que vai chegar.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ex-Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até 2017 e atual Presidente da Academia Amazonense de Letras.

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