“O que tem se dado, como o povo diz, até Deus duvida, porque nunca se viu uma em bolada tão grande, a perda quase completa da identidade dos partidos (…).

Apaixonado pela política, vidrado em eleições e sempre desejoso de servir à coletividade, conforme aprendi com meus pais e muitos amigos em tempos passados, mesmo distanciado do processo eleitoral até por boa dose de desilusão, nem por isso tenho deixado de acompanhar os acontecimentos, especialmente os mais recentes, na formação das coligações e lançamento de candidaturas, por grande parte do Brasil.

O que tem se dado, como o povo diz, até Deus duvida, porque nunca se viu uma em bolada tão grande, a perda quase’ completa da identidade dos partidos – se é que a maioria deles teve identidade algum dia -, tudo isso em razão das composições ou associações de grupos políticos os mais antagônicos do ponto de vista programático, visando, unicamente, o resultado eleitoral, o que, aliás, não é novo, mas dessa feita ficou por demais escancarado e escandaloso.

. O ajuntamento de interesses imediatos parece que -vem presidindo a formação de grupos que, de tão’ heterogêneos, ainda que vestidos por siglas partidárias que aparentam certa proximidade, uma boa parte dos candidatos que se abraçam a essas legendas não tem o menor cacoete dos verdadeiros ideólogos que as constituíram de boa-fé.

E não venham me dizer que isso está acontecendo somente aqui e ali, ou seja, coisas pontuais, diante de determinadas circunstâncias. Uma simples passada pelas redes sociais, pelos blogs e jornais virtuais basta para comprovar essa assertiva. Por todo o canto, em qualquer Estado, as convenções se excederam na construção de verdadeiros monstrengos que, ao contrário do que pensam alguns, tendem a afastar o eleitor das urnas, ainda mais. Há casos que parecem a tentativa de fusão da água com o óleo que, como todos aprendemos desde a primeira escola, não é possível obter.

Isso tudo decorre não só da permissiva legislação eleitoral que, em que pese estar bastante avançada e moderna em relação à captação e apuração de votos, se mantém bastante atrasada no que se refere à organização dos partidos, e, ainda mais, a permitir que se reúnam somente para apresentar candidaturas, mesmo que seja vendendo a alma de cada um dos seus dirigentes.

O que se viu foi também uma luta titânica de alguns querendo porque querendo firmar esses pactos, a qualquer preço, e outros reagindo, inclusive de maneira agressiva, não porque defendem a unicidade partidária nas eleições, mas porque tais possibilidades de associação não eram da conveniência imediata do grupo dir1gente, de certo candidato ou detentor de mandato. Dão a entender que a modinha popular – não te quero mais – estaria apropriada para quem sempre-viveu de namoro e noivado, anos a fio, e, de uma hora para outra, ficam de mal como meninos levados na passagem da fogueira de São João.

Diante desse quadro dantesco quem fica cada vez mais embasbacado é o eleitor, especialmente o cidadão mais simples, quando se apercebe que tem sido transformado em joguete na mão da maioria dos políticos mais escolados e sem escrúpulos, ressalvadas, naturalmente, as justas exceções. E nesse vai-e-vem de coligações, candidaturas, imposições de partidos retirando completamente a desejada autonomia regional e diante da persistência insolente de candidaturas juridicamente impossíveis, é assim que segue o barco para breve período de campanha eleitoral que deve tomar conta do noticiário da imprensa, das redes de televisão e rádio esperando-se que, pelo menos por esses meios de comunicação haja alguma compostura dos disputantes vez que, nas silenciosas e quase incógnitas redes sociais, o pau deverá comer solto.

Sinceramente, e com todo o respeito pelos que pensam diferente ou, estão entranhados nos partidos unicamente por ideal e não participam dessas encrencas, o que se deu nessa fase preparatória das próximas eleições gerais, foi um verdadeiro angu-de-caroço.

*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até esta data.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até esta data.

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