Amazônia, a desinformação destrutiva
Amazônia, a desinformação destrutiva

Como elucidar a chave das fragilidades e potencialidades amazônicas? No contexto do debate acadêmico e de mercado, já existe a clareza e a certeza de que Inovação é o instrumento necessário para fazer com que velhas tarefas sejam operadas de um modo novo, criativo e eficiente. A par disso, passamos a entender Sustentabilidade como fator de superação da civilização predatória que sabe usar e promover a renovação dos recursos naturais para atendimento das demandas sociais. A posse dessas duas premissas nos remete a uma nova concepção de Governança, que explicita o ato de administrar como metodologia da transparência e da partilha de resultados, um novo movimento onde todos têm oportunidades e responsabilidades com os conteúdos, os processos e os produtos das ações de interesse comum. Nesse patamar, Gestão da Amazônia, o último jardim do mundo, projeta nosso futuro comum, ao futuro da Gaia, onde a economia e a ecologia se confundem na tarefa de atender as demandas socioeconômicas e ambientais. Este é o paradigma e o legado do Polo Industrial de Manaus e demais integrantes do Setor Produtivo na economia incentivada de Manaus.

Emissários sem representação

Temos, entretanto, alguns equívocos e um deles é de que modelo industrial nos sustentará com a nova Reforma Tributária mesmo com nossos preocupantes riscos da obsolescência tecnológica produzido pela convergência digital para o smatphone (Tvs, aparelhos de som, tablets, notebooks, videogames, calculadora, câmeras fotográficas). Ora, se não criarmos novas matrizes de riqueza vamos chorar as mágoas de nossa omissão. Sobretudo se os arroubos da Indústria 4.0 confirmarem a submissão ao modelo tecnológico da Alemanha, recém visitada por emissários sem representação cívica que decidiram o que é bom para as empresas e para o futuro da inovação no Amazonas. Lastimável.

Potencialidades de mãos dadas com a prosperidade

Temos que adotar medidas com respaldo dos atores envolvidos. Essa visão de mundo, porém, é anterior 1967, ano da criação da Zona Franca de Manaus e sua autarquia gestora. A ZFM resulta do legado deixado pelos empreendedores da Amazônia que criaram soluções para recompor a dinâmica do desenvolvimento com a queda do I Ciclo da Borracha, no início do Século XX, depois de três décadas de pujança da Árvore da Fortuna. A seringueira respondeu por 45% do PIB do Brasil durante três décadas. A oportunidade, entretanto, foi entregue, por indolência e incompetência, como o principal ativo da economia inglesa dos anos 1910 em diante. Refletir sobre essa dinâmica de Gestão ineficaz do patrimônio amazônico, sempre visa responder a um de nossos mais emergenciais desafios, o imperativo inadiável de transformar potencialidades naturais em prosperidade social. Uma virada de concepção, sonhada e descuidada da Amazônia, do ponto de vista de nossa gente, da inteligência local, resguardando e maturando a gestão eficaz e competente da imensidão de negócios em favor de quem aqui vive.

Heróis da resistência e resiliência

Fomos buscar naqueles pioneiros e empreendedores amazônidas, vindos da diáspora israelense, árabe, asiática, nordestina brasileira, aqueles que reergueram a economia da Amazônia com a quebra do Ciclo da Borracha, que se repetiria com o encerramento da II Guerra Mundial. O pioneirismo e empreendedorismo deles levaram a Amazônia a consolidar uma vocação de economia permanentemente vinculada à ecologia. Seus valores se revelam na busca de soluções para os desafios estruturais da Amazônia. Foram sábios em implementar e avaliar soluções para os desafios dessa esfinge chamada Hileia, que nos devora quando descuidamos de decifrar seus mistérios. Foram visionários na construção de parcerias duradouras com instituições dedicadas a formação de lideranças capazes de implementar soluções.

De olho na qualificação dos jovens

E entre os desafios emergenciais, nossos pioneiros se deram conta de que na floresta poucas demandas são tão relevantes como qualificar as novas gerações de olho nas iniciativas bem resolvidas, instrumentalizar e motivar na preparação e execução de projetos, compartilhar lições, reflexões, saberes e fazeres. Sem essa premissa da comunhão e qualificação dos jovens, com certeza iremos a lugar algum…Temos que formular um pacto de qualificação permanente, inclusiva, holística e inovadora, na perspectiva da sustentabilidade para mobilizar novas lideranças, a formulação de metas e produtos dentro das métricas transparentes e coerentes com a Amazônia que somos e o futuro que todos pretendemos. Este bastão e essa utopia, como antecipação de realidades possíveis, precisam se misturar nos corações e mentes de quem vive e vivifica a Amazônia, os jovens. Este dever é sobretudo nosso…

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Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo e ensaísta. Consultor do Centro da Indústria do Estado do Amazonas - CIEAM.

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