Mesmo a despeito do dinamismo do Polo Industrial de Manaus (PIM), a economia do Amazonas corresponde, segundo o IBGE, a 1,6% do PIB nacional. Baseia-se, preponderantemente, na indústria eletroeletrônica, de motocicletas, químico-farmacêutica, gráfica e relojoeira, indústria de transformação de minerais; em plano bem inferior segue-se o beneficiamento de matéria prima vegetal (inclusive madeira)  e extrativismo vegetal. Produção e processamento de petróleo e gás natural, envoltos em mistério marciano, não decolam: o gás não chega sequer ao PIM, muito menos aos lares da capital. A indústria petroquímica não é sequer cogitada nos planos do governo federal para o Estado. Mineração, piscicultura, agropecuária, fruticultura e ecoturismo seguem em ritmo muito lento.

Os segmentos implantados no PIM têm reduzida margem de expansão. Trata-se de setores praticamente estagnados em termos de crescimento de oferta dada a inelasticidade da demanda (quando a mudança na procura de bens e serviços é menor do que a mudança nos seus preços) do mercado nacional, ao qual se restringe. A via das  exportações limita-se a alguns segmentos (duas rodas, telefonia, sobressaindo-se os concentrados para a indústria de refrigerantes).  O maior gravame da economia estadual é o fato de que o Amazonas, diferentemente dos estados mais prósperos, não tem campo que possa compensar eventuais crises mercadológicas, como a que o Brasil vem enfrentando desde 2008. A produção do PIM, em tais circunstâncias, é afetada negativamente de forma contundente. Resultado direto dessa conjuntura adversa: desemprego, férias coletivas, redução de vantagens salariais, queda da arrecadação tributária e dos investimentos.

Por isso a necessidade premente,  imprescindível de diversificar o modelo industrial vigente. A dramaticidade do quadro conjuntural exige dose extra de responsabilidade política dos governantes em reconhecer que o PIM, hoje, é o setor tradicional. O novo, o futuro está em empreender esforços no sentido de conferir à exploração dos recursos da  biodiversidade o papel de protagonista em relação ao conjunto da economia amazonense. Simultaneamente gerar condições favoráveis para  o desenvolvimento da agropecuária como setor complementar, porém não menos importante que o industrial. Somente por esse caminho será possível corrigir as dramáticas distorções que, inexoravelmente, agravam a economia estadual.

Valores alocados aos fundos de fomento do turismo, serviço e interiorização do desenvolvimento do Amazonas (FTI), de fortalecimento das micro e pequenas empresas e desenvolvimento social do Estado (FMPES) e ao Fundo da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) montaram a cerca de  RS$ 1,4 bilhão em 2014. Tais recursos, somados aos recursos da Lei de Informática recolhidos pelas indústrias do PIM, e criteriosamente geridos, podem perfeitamente corrigir o déficit estrutural em relação à demanda de engenheiros e profissionais técnicos, além de viabilizar a consolidação de áreas de Matemática, Química, Bioquímica, Física, Eletricidade, Nanotecnologia, Mecatrônica, TI, Biotecnologia, Engenharia Florestal e de Pesca, essenciais à consolidação de polos estaduais tecnológicos que levem em conta vocações e diversidades da economia estadual.  Para tal necessário se torna empreender esforço hercúleo no sentido de promover a governabilidade do sistema local de P,D&I. Desta forma, viabilizar a harmonização dos resultados aqui alcançados pela pesquisa, identificando alternativas tecnológicas, oferecendo serviços especializados de capacitação técnica e estímulo ao empreendedorismo e de atração de capitais nacionais e internacionais. Esta, como se há de inferir com toda segurança  não é uma responsabilidade de governo, mas de Estado. Transcendente, por consequência, eventuais conveniências político-partidárias e espaços temporários de mandatos eletivos.

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Osíris Silva
O economista Osíris M. Araújo da Silva é consultor de empresas, ex-secretário Municipal de Economia e Finanças da PMM, ex-secretário da Indústria, Comércio e Turismo e ex-secretário da Fazenda do Amazonas. É presidente da AMAZONCITRUS – Associação Amazonense de Citricultores, membro do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (GEEA), do INPA, e articulista econômico de A Crítica.

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