Entrevista com Ilana Minev – responsável pela Câmara de Comércio Brasil-Israel Regional Amazonas  

A presença judaica na Amazônia pode ser traduzida através de duas contribuições efetivas: determinação empreendedora e compromisso civilizatório. A lista de exemplos dessa presença é enorme e não para de crescer. O próximo acontecimento se dará no próximo dia 26, com a realização da Conferência Amazon Tech, promovida pela Câmara de Comércio Brasil Israel, BRIL – presidida por Renato Ochman. Trata-se da realização de uma parceria sempre esperada e desejada pelo setor privado, comunidade científica e gestores públicos. Afinal, Israel é referência global em avanço tecnológico. A Câmara de Comércio Brasil Israel trará um olhar de como a parceria entre os dois países pode apoiar o lado acadêmico assim como empreendedor da região, focando em 3 principais eixos: Bioeconomia, Segurança e  Saúde, diz a  responsável pelo evento e artífice de sua realização, a empresária Ilana Benchimol Minev, integrante de uma saga empreendedora e pioneira, presente há dois séculos na Amazônia. Gentilmente, atendeu a solicitação da Coluna Follow Up para nos contar mais detalhes do evento. Confira:

1– Follow Up – Você avalia que este evento Amazon Tech pode transformar-se numa grande vitrine de oportunidades que atraia investimentos para a região?

ILANA MINEV(*) – O Amazon Tech será o primeiro evento – na Regional Amazonas – desta iniciativa de termos uma cooperação regional da Câmara Brasil Israel (BRIL) de Comércio e sua transmissão será por streaming para alcançar lideranças do mercado brasileiro e internacional interessadas em conectar inovação à biodiversidade da Amazônia. Com certeza será uma vitrine, este é um primeiro evento de uma série de atividades e encontros que realizaremos para ajudar a pensar e construir a Amazônia do futuro.

Ilana Minev é administradora de empresas com MBA em Business Law. Formada pela Fundação Getúlio Vargas e Universidade de Miami, integra o Conselho de Administração da Bemol e da FBN (Family Business Network) Brasil, Diretora de Marketing e Eventos, do GACC e diretora da BRIL Amazonas – Câmara Brasil-Israel de Comércio.

A BRIL é uma entidade apolítica que tem como objetivo estreitar cada vez mais as relações entre a região que abriga a maior floresta tropical do planeta com o país que mais refloresta no mundo e fomentar ainda mais oportunidades e intercâmbio no lado comercial e acadêmico. O think tank da BRIL reúne especialistas de diferentes áreas de atuação com o propósito de identificar soluções inovadoras desenvolvidas em Israel, bem como investimentos para os diversos projetos e desafios da Amazônia.

2- Fup – É sabido que o Brasil não tem projeto para a Amazônia. Em contrapartida também sabemos que aqui se encontram as respostas para as grandes demandas da humanidade como segurança alimentar, farmacopeia sustentável e dermocosméticos da eterna juventude, além de um imenso acervo de recursos minerais. Em que medida o evento Amazon Tech pode ajudar a avançar estes novos desafios?

I.M. Atualmente, a visão dos países desenvolvidos se resume a ações impositivas e restritivas para preservar a floresta. Para salvar a Amazônia, me inspiro na visão de meu avô e amazonólogo, Samuel Benchimol, dos 4 paradigmas para o desenvolvimento sustentável que oferecerá bem estar e prosperidade tanto a nossa população, quanto aos demais países. O mundo amazônico deve ser economicamente viável, ecologicamente adequado, politicamente equilibrado e socialmente justo.

A inovação e o empreendedorismo tem se confirmado como uma ponte ao futuro da relação entre a iniciativa privada e a biodiversidade da Amazônia. Por meio do fomento à discussões propositivas, a Câmara Brasil Israel (BRIL) através  do evento Amazon Tech dará início a esta nova jornada apresentando tecnologias israelenses avançadas para geração de valor em sintonia com as demandas e perspectivas da Economia 5.0 trazendo a biodiversidade como tema principal.

Fazer pontes e promover conexões será um primeiro passo para um relacionamento nos campos de desenvolvimento, pesquisa, aceleração de negócios e cooperação econômica. De um lado um destacado e consolidado conhecimento humano e respectivo avanço tecnológico e do outro brotam recursos naturais, abundantes e em nao-uso. Precisamos de qualificação dos recursos humanos, ambientes mais fluidos de negócios, e infraestrutura inovadora como ingredientes desta parceria que estamos iniciando agora. Penso, que o objetivo de nossa iniciativa vai além das oportunidades citadas.  Nosso objetivo é construir ações demonstrativas que sirvam como exemplo para despertar o interesse de outras nações, para as oportunidades que Amazônia pode oferecer em todas as esferas da vida econômica, social e cultural.

3 – Fup – Aqui na floresta nós convivemos com tecnologia da última geração no Polo Industrial e com ausência a  ‘  ‘’’ bsoluta de soluções energéticas, de comunicação e transporte em comunidades isoladas. Parcerias internacionais como esta se interessam em  transformar dificuldades em oportunidades?

Samuel Benchimol – Álbum de Família – lançamento do livro: Amazônia um pouco antes além depois, 1977

I.M. – Com certeza. Israel possui um  ecossistema de inovação que é referência mundial em soluções de segurança, energia, saúde, comunicação e produção de alimentos. O maior objetivo da BRIL é fomentar formatos de novos negócios para atrair empreendedores e investidores para gerar novos negócios no desenvolvimento da Amazônia de forma sustentável sempre apoiando a promoção do fator humano que aqui habita.  A BRIL é uma entidade sem vinculação política que visa promover missões comerciais para Israel para que empreendedores brasileiros tenham acesso a tecnologia e fundos globais, endereçando um tema específico para cada uma dessas atividades, integrando um coletivo de executivos, autoridades e empreendedores dedicados a essas questões.

4 – Fup A presença judaica na Amazônia, desde o ciclo da borracha, passando pela recuperação econômica dos anos 50, está associada ao avanço tecnológico e à modernidade. Que respostas inovadoras mais urgentes para a Amazônia nós podemos propor em termos de desenvolvimento tecnológico?

I.M. – As discussões incluem como alavancar P&D&I, incubação / aceleração de negócios e construção de empreendimentos com foco na conservação florestal, produção de alimentos e geração de renda na Amazônia. Para que a Amazônia possa inovar, precisamos alavancar uma nova geração de pesquisadores, empreendedores e  negócios, criando um ecossistema de impacto na região.  A Câmara de Comércio Brasil Israel trará um olhar de como a parceria entre os dois países pode apoiar o lado acadêmico assim como empreendedor da região, focando em 3 principais eixos: Bioeconomia, Segurança e  Saúde.  Muitas vezes as respostas de equações complicadas são bem simplórias. Precisamos pensar em reflorestamento de áreas degradadas e manejo florestal, coisas que não necessariamente sejam revolucionárias, mas são muito efetivas e nisto o espírito prático israelense pode ajudar.

5 – Fup Uma provocação: desde os primórdios da cultura hebraica, enquanto a matriarca é profetisa, é juíza, a mulher do cotidiano é autoridade na gestão da família, educação dos filhos e, hoje, cada vez mais na gestão dos negócios. Os desafios da Amazônia passam pelo fator amazona, das mulheres guerreiras, hebraicas ou não, mais presentes na condução  dos avanços civilizatórios e, é claro, tecnológicos. O que você pensa a respeito?

I.M. – A mulher conquistou um papel significativo em diversas áreas da sociedade, que vão muito além do cuidado e educação de seus filhos. Cada vez mais as mulheres têm ocupado papéis de liderança no âmbito político, empresarial, acadêmico, social e cultural. Ao observarmos a sociedade Israelense, temos exemplos do destaque feminino em todas as áreas da atividade humana. Um exemplo, que para mim é muito inspirador, são as mulheres no serviço militar atuando em pé de igualdade com os homens. Temos exímias pilotas de caças e de tanques, bem como lideranças nos serviços de inteligência.

Na minha família, temos um exemplo marcante da força feminina que sempre gosto de citar. Minha bisavó Lili, morando em um seringal perdido na selva amazônica, nos idos de 1930, não tinha medo de sonhar e mover florestas para atingir seus objetivos: queria todos os 8 filhos doutores e não poupou esforços. A frente de uma máquina de costura, trabalhava incontáveis horas e economizava o que podia, soerguia crianças para transformá-las em gigantes e maquinava como tirar a família da pobreza do seringal em decadência.  Todos seus filhos se destacaram em várias especialidades e ciências. Obstinação, muito trabalho e propósitos. Também disso as mulheres entendem.

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Alfredo Lopes
*Escritor amazonense, com 11 títulos sobre a Amazônia, e mais de 2 mil ensaios. Formado em Filosofia com pós-graduação em Administração e Psicologia da Educação. Consultor eventual do BID, Grupo Simões, do CIEAM e diretor da FIEAM.

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