“Vereador de Manaus, presidente da Câmara Municipal, senador da República, projetou-se Brasil afora como libertador e tribuno por excelência.

Desde muito cedo ouvia comentários elogiosos de todos de que me acercava, ainda bem jovem, sobre a personalidade e a figura humana de Almino Monteiro Álvares Affonso, filho de Humaitá como outras personalidades importantes de nossa história, e que despontara como líder na política estudantil, na imprensa e na vida partidária, em meio a vultos exponenciais daqueles anos.

A expressão-síntese que inaugura esta página comumente era aplicada a outro Almino, o avô, também advogado, político, libertador de escravos negros, inatacável e daqueles que não fugia à luta, desde que em favor das liberdades, da democracia e da igualdade entre os homens.

Vereador de Manaus, presidente da Câmara Municipal, senador da República, projetou-se I Brasil afora como libertador e tribuno por excelência.

Meu pai, o elogiava por tê-lo conhecido e ouvido em várias ocasiões.

O neto, praticamente homônimo, e que acaba de completar 90 anos de existência profícua, destacou-se desde bem jovem entre os colegas de turma, os poetas que nasciam com a nova geração, os jornalistas que se formavam diretamente nas redações e na convivência com nomes que eram verdadeiro símbolo para a época.

Acadêmico de Direito, conheceu as primeiras aulas para a nobre profissão ainda na Faculdade de Direito do Amazonas, na Praça de Torquato Tapajós a qual o povo denomina de Praça dos Remédios estabelecendo convivência fraterna com outros egressos do Ginásio Amazonense Pedro II, no qual também honrou a tradição ginasiana.

O destino o retiraria da floresta como se fosse um pássaro que alça voos mais altos e desafia, cada vez mais, as alturas infindas.

O respeitável Largo do São Francisco o acolheu e lá, por entre entusiastas do mesmo ideal, formou-se em direito e, mais que isso, tornou-se reconhecido por seus pares e mestres.

Para encetar carreira política voltou a Manaus e foi eleito deputado federal.

A tribuna da Câmara foi seu lugar de destaque.

As comissões, os debates internos, as questões partidárias claro que não passaram em vão pelo caboclo, mas foi na tribuna parlamentar na firmeza de conduta, na beleza da oratória que impressionava e impressiona, ainda agora, com Imagens puras e, sobretudo, com a elegância. “dos nobres e a simplicidade do homem ”

amazonense jamais perdida, que Almino Monteiro Álvares Affonso se agigantou no cenário nacional e internacional.

Defensor da democracia, do estado de direito, da Constituição, enfrentava a tudo e a todos com firmeza e altivez.

Foi assim que a decisão de cassar seu mandato parlamentar foi encontrá-lo: rijo como uma frondosa árvore de látex do velho rio das madeiras.

Deixara há pouco o ministério do Trabalho do governo de João Goulart e se mantinha fiel aos princípios que o nortearam por toda a vida, com honra. dignidade, amor ao Brasil e defesa dos ideais que acreditava. Não tombou!

Distante do País por circunstâncias políticas, manteve-se como um varão de Plutarco lecionando em universidades estrangeiras, enfrentando a dureza de dias sombrios para si e para a família, mas sempre desejoso de voltar ao Brasil e renovar sua contribuição à vida nacional.

Isso fez-se de forma retumbante.

Seu retorno foi festejado pelos jovens estudantes e aplaudido por quantos o admirávamos, ainda que, muitos de nós, sem as mesmas bandeiras que ele empunhava sobranceiro.

O amor ao Amazonas e às letras nos aproximou.

Pude recebê-lo no Instituto Geográfico e Histórico para encontro com as novas gerações; dar-Ipe as boas-vindas a quando da outorga da Medalha “Pericles Moraes”; e vê-lo alçar-se, por méritos indiscutíveis, a membro efetivo de nossa Academia Amazonense de Letras.

Ao completar 90 anos de vida repleta de realizações, sua voz elegante, tonitruante e aveludada ressoa das terras do café para a floresta que lhe agradece toda a dedicação em tom de preces.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ex-Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até 2017 e atual Presidente da Academia Amazonense de Letras.

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