Num artigo sobre Os Potenciais da Bioeconomia, publicado em 2018, pelo canal Medium.com, sob o título “Da fotossíntese à indústria, da inovação aos mercados”, Claude Roy, membro do Clube dos Bioeconomistas de Paris, define Bioeconomia como “valorização dos frutos da fotossíntese vegetal em alimentos, materiais, bases químicas, fertilizantes orgânicos e bioenergias variada.” Ou seja, a produção da massa vegetal para suprir a falência iminente dos recursos naturais em atendimento às demandas da humanidade na segurança alimentar, na higidez eficaz e na busca das pessoas pela eterna juventude através da miraculosa dermocosmética.

Terra preta dos índios

Bioeconomia, portanto, é a geração de produtos que supõe a dinâmica do carbono vegetal, ou do bio-carvão, que fertiliza o solo, como sequência do processo da fotossíntese. Os índios da Amazônia, por necessidade, descobriram, há mais de cinco mil anos,a melhor forma de fertilizar a terra com a coivara, a fabricação do carvão com pequenas queimadas. Daí se chamar porções de terrenos com alta fertilidade de “terra preta dos índios”.

Biomimética, a imitação da natureza 

Importa, pois, contextualizar Bioeconomia como um termo de muitas conotações, distintos marcos cronológicos e que supõe, além da fotossíntese como movimentação positiva e criativa do carbono, a mimese, imitação da natureza, cuja dinâmica evolutiva ajudará a humanidade a descobrir as saídas já consolidadas pelo design da vida, a flora e a fauna em sua expansão rumo à mutação evolutiva.

Diversificar e somar 

Nos debate frequentes entre empreendedores do agronegócio e seus críticos, em lugar de priorizar os itens que os unem, eles se desentendem por detalhes racionalmente contornáveis. O Brasil não tem Plano B para vender suas commodities num cenário de dois anos para descobrir a vacina do Coronavírus, se a China não achar uma saída convincente para o imbróglio em que se enfiou. A si e à comunidade internacional. Como representa 50% da balança comercial brasileira, sem Plano B, voltaremos rapidinho à recessão. Metade dos ovos numa cesta única é encrenca à vista. Mesmo que tentássemos o mercado europeu, as portas estão fechadas, pois padecemos de muitas certificações.

Proteínas,  alimentação e clima

Se tudo se resolvesse num passe de mágica,teremos terra suficiente, destinada a pecuária para seguir produzindo 500 quilos de proteína bovina por hectare? Ora, nos próximos 10 anos, já estaremos perto dos 10 bilhões de terráqueos, todos demandando alimentação.Qual a saída para a Amazônia, o que decidirá a respeito seu Conselho formado predominantemente por militares e representantes federais dos ministérios? Que novo modelo para o desenvolvimento da Amazônia será desenhado? Ora, um hectare de lâmina d’água produz 22 toneladas de proteína de peixe. Com tecnologia e inovação e sem necessidade de escavação, podemos dobrar essa produção em dois a três anos.

Lavoura, pecuária e floresta

Com esta alternativa, poderíamos brecar a expansão da pecuária predatória, que pode ser desenvolvida nos moldes criados pela Embrapa, LPF, lavoura, pecuária e floresta, de tal forma que a diversificação de atividades mantenha ou reponha os estoques naturais, premissa de uma fotossíntese produtiva e de uma biomimética florestal competente, baseada na nanobiotecnologia, aqui convocada como ferramenta essencial.

Nova ordem econômica integrada

Em outras palavras, não basta criar mecanismos artificiais de controle da fronteira agrícola. Precisamos criar uma nova ordem econômica integrada e fundada em conhecimento e inovação. Quanto custa cinco toneladas de carne bovina na comparação com um caminhão baú com costelas de tambaqui, polpas de açaí, ou de cogumelos amazônicos? Ou ainda, com um carregamento de  sofisticados frascos de anti-rugas produzidos com o manejo nanobiotecnológico da casca do mulateira, um poderoso antioxidante florestal? Uma carga não exclui a outra, o somatório de todas e o equilíbrio climático que se impõe será proporcional à riqueza gerada por esses arranjos, capaz de promover a prosperidade e a sustentabilidade socioambiental. Voltaremos novamente.

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Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo e ensaísta. Consultor do Centro da Indústria do Estado do Amazonas - CIEAM.

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