Amazônia, a desinformação destrutiva
Amazônia, a desinformação destrutiva

A democratização de conteúdos e de notícias, impulsionadas pelas redes sociais, promoveu uma das mais importantes revoluções da modernidade. “Eu só existo se alguém me vê…” Essa frase utilizada pelos movimentos de auto e hétero ajuda nos anos 70, tiveram comprovação radical na dinâmica estonteante das redes sociais. Trata-se de uma ferramenta com propósitos ambivalentes, ou seja, o de revelar mistérios ou de mascarar falta de compromissos. E é este o propósito da criação da página Brasil Amazônia Agora – que fazemos em parceria com Alberto Morelli e Lúcio Flávio de Oliveira – anunciar o Novo Mundo que os navegantes europeus chamaram de Paraíso Perdido, e denunciar a desinformação, a ausência do saber que, frequentemente, derrapa para o maldizer.

O conhecimento sobre a Amazônia, suas interações e possibilidades, ganha maior dinâmica quando inserido na lógica instantânea dessa partilha – quanto mais abrangente e simultânea, melhor. Talvez assim possamos contar quem inventou o futebol, convocando o cientista e naturalista francês La Condamine; quem ajudou o mundo a andar mais rápido com os pneumáticos, e mais asséptico com as luvas epidérmicas, ou inventou a desidratação dos alimentos, inovação tecnológica dos Sateré-Mawee, de desidratação do guaraná, que permitiu o surgimento das viagens paraorbitais tripuladas.

Cutucar a curiosidade humana, quando o objeto/sujeito é a Amazônia, significa pautar a maior floresta tropical do planeta, 25% de sua biodiversidade, 1/5 da água doce da terra, 20 bilhões de toneladas de gases do efeito estufa transformados e fixados em forma de madeira, mais de 3000 espécie de peixes, outro tanto de pássaros, 65% de seus seres vivos composto pela imensa quantidade de insetos e respostas para todas as demandas de cosméticos, fármacos, alimentos, entre outros necessidades da higidez Humanidade. A chamada Região Amazônica é Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. A população total da Amazónia será, em 2022, de 32 milhões de habitantes, incluindo tribos indígenas, 0,4% da população brasileira num total de 800 mil indígenas em 225 grupamentos além de referências de 70 tribos que ainda não foram contatadas, segundo a Funai.

A página Brasil Amazônia- Agora, já disponível no Facebook, se baseia em algumas Utopias, aqui entendidas como antecipação de realidades possíveis, ou utopia no sentido da ruptura com a realidade excludente, onde ela se associa à educação como exercício de liberdade. A premissa da utopia se origina na narrativa Amazônia que mistura socioecologia e economia, olhando a região na perspectiva nacional, continental e planetária. Faz-se necessário compartilhar os saberes sobre e desse acervo monumental, na dimensão antrópica, geológica e bioética, integrada e compartilhada com a comunidade humana. E nesse sentido, Brasil Amazônia Agora é Amazônia Humanidade, sempre, pois pertencemos a comunidade das nações como elos de uma corrente ecológica e econômica.

A pátria das águas, a morada da biodiversidade, as maiores províncias minerais do planeta, de nada vale se não nos dermos a conhecer. Quando dizemos que a Amazônia é nossa, os sujeitos dessa oração referem a comunidade das pessoas decididamente dispostas a manejar com inteligência e sustentabilidade a prodigalidade infinita de tantos recursos. Sejam bem-vindos a este Brasil Amazônia de portas abertas para descobrimos, utilizarmos e compartilhamos nossos mistérios, recursos e oportunidades, sem preconceitos, sem dogmatismos nem improvisação. Afinal, nos desagrada o estigma de último jardim do mundo, preferimos ser primeira morada de comunhão natural da Humanidade.

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Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo e ensaísta. Consultor do Centro da Indústria do Estado do Amazonas - CIEAM.

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