Quem de nós não vivenciou ou conhece alguém que irá vivenciar a tão temida adolescência. Porém, é importante que saibamos lidar com uma fase tão importante na vida de um serzinho que passa do estágio infantil para a adolescência e ao contrário do que a maioria pensa e age, é o momento crucial para que pais firmem uma relação de extrema cumplicidade e desperte no adolescente as inúmeras características benéficas provenientes dessa fase.

Contudo, acredito que a melhor maneira de educar um adolescente se dá desde a mais tenra idade, ou seja, desde o colo, quando ainda mama. Entre alguns adultos há uma visão preconceituosa sobre a fase da adolescência como a fase da rebeldia. Por outro lado, há também uma visão preconceituosa do adolescente sobre os adultos como a fase da tirania. Vale ressaltar que uma visão preconceituosa é o resultado da outra. É o que se pode chamar de conflitos de gerações. Na verdade, não passa de um conflito de comunicações, mas não se resume somente a isto, apesar de começar por aqui.

Essa visão preconceituosa de ambos – adolescentes e adultos – é o que não permite uma aproximação saudável e empática entre estas duas fases da vida. Por vezes, se faz uma aproximação desgastante e nada eficiente.

Se o responsável pelos adolescentes quiser proporcionar uma relação eficiente deve em primeiro lugar despir-se dos seus preconceitos sobre essa fase da vida do ser humano, para depois permitir-se compreender esse mundo de conflitos entre uma personalidade em formação.

Muitas vezes, o adolescente reage à incompreensão de sua vida psicológica e à falta de uma comunicação empática que verse sobre seu desenvolvimento e necessidade de independência.

O adolescente reage ao cerceamento da sua individualidade. A individualidade está relacionada à inserção grupal, à identidade e à sexualidade. O adolescente requer autonomia para estar em um grupo onde o aceite, requer uma identidade reforçada por esse grupo e ainda busca o descobrimento de sua sexualidade como forma de contribuir com sua identidade.

Buscar essa inserção num grupo social e buscar autonomia para que esta inserção aconteça e haja uma aceitação grupal não é nada demais. O problema começa quando essa aceitação num grupo social é resultado de uma incompreensão no seio da família ou quando essa necessidade de aceitação grupal se alia à construção de sua autoestima ou de sua identidade. Para tornar mais saudável a relação com o adolescente, é imprescindível mexer em todo o contexto familiar

Como o adolescente está em processo de formação de identidade e de individualidade, há uma alta sugestionabilidade para grupos de comportamentos desviantes, como reação à tirania do autoritarismo dos pais que não o compreendem de forma plena.

Portanto, uma conversa franca e esclarecedora com o adolescente, deve permitir que ele tome uma visão introspectiva e reflexiva sobre si mesmo. Possibilitar que o adolescente se esclareça dos fatores de sua psique que fornecem estrutura à sua personalidade.

O responsável deve permitir ao adolescente uma conversa sobre si mesmo e consigo mesmo. Uma conversa sobre seus sentimentos, seus pensamentos, e seus grupos prediletos, sua relação com a autoridade parental e os porquês de suas reações indisciplinadas.

Em suma, os pais devem se atentar para proporcionarem a aceitação do adolescente no seio da família, pois é isto o que ele busca por vezes. Com isso, o dialogo, compreensão, amor e limite na medida certa é o caminho ideal para uma adolescência saudável.

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Fabiolla Fonseca
Psicóloga, nascida em Itacoatiara, casada e mãe de duas filhas. Especialista em Psicologia Jurídica.

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