Estava no fórum e como de costume conversava com meu amigo Dr. Chaguinhas. O assunto versava sobre um famoso brocardo jurídico – quod abundat non nocit. No jargão forense, significa o que abunda não prejudica. Ou, o que é demais não é nocivo.

A origem do verbo abundant é obviamente o Latim. Diferente de outra palavra que se refere aos glúteos, cuja origem está em línguas africanas. Línguas que contribuíram muito para o enriquecimento do Português do Brasil e de nossa cultura em geral.

Chaguinhas lembrou-se de um versículo do Evangelho de João em que Jesus nos fala “Quero que tenhais vida e vida em abundância”.

E ficamos meditando sobre a beleza desse ensinamento de Jesus.

O dicionário nos ensina que abundância é excesso do que é necessário; bens em exagero, grande porção de alimentos, de indivíduos.

Mas será que o ensinamento bíblico seria esse mesmo?

Eu penso que não. Acredito que para o Messias abundância não seria excesso. Também acredito que não significa desperdício nem muito menos perda.

Chaguinhas concordou. E como bom filósofo humanista disse algo bem tocante:

-Acho que o ensinamento que podemos ter do versículo é que abundância é não faltar nada. Que as coisas importantes da vida estejam sempre disponíveis. Que não haja qualquer tipo de restrição.

Um rapaz nos ouvia com atenção. Aguardava para ser testemunha em uma audiência. Identificou-se como estudante de Física, com intenções de especializar-se em Astronomia.

O jovem nos contou que havia aprendido que abundância é a quantidade de átomos ou moléculas que fazem parte de uma camada de gases que envolvem o sol. Não só o sol, emendou ele. Mas todas as estrelas. Essa camada de gases e íons circundam o núcleo, a parte de dentro das estrelas.

Chaguinhas e eu ficamos encantados com a explicação do jovem futuro astrônomo.

Eu disse ao rapaz que continue a estudar as estrelas, os planetas, o cosmo. E como seria bom se aqui em nosso planetinha Terra, todos os habitantes tivessem abundância de comida, trabalho e principalmente de amor.

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Pedro Lucas Lindoso
*Bacharel em Direito e licenciado em Letras pela Universidade de Brasília. Membro efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Pertence a Associação dos Escritores do Amazonas e a Academia de Letras Ciências e Artes do Amazonas. Membro fundador da Academia de Ciências e Letras jurídicas do Amazonas.

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