Em abril, artista amazonense lança livro onde reconstitui suas influências. Em um texto suave do jornalista Rosiel Mendonça, tomamos conhecimento de que o renomado Óscar Ramos lançará, no próximo dia 25 de abril, o livro Maya, onde conta o percurso e os momentos-chave que contribuíram para sua formação como artista plástico. O evento coincidirá com o aniversário da elevação da antiga vila de Serpa à categoria de cidade de Itacoatiara, berço natal do autor. Segundo Óscar, não foi fácil escrevê-lo. “Sentei na frente do computador e em dois meses [o livro] estava pronto”, explicou Ramos, justificando a demora para a publicação do material autobiográfico. “Ano passado foi um pouco complicado, estava fazendo filmagem fora de Manaus e não tive tempo para tratar o livro. Na verdade, não tenho a menor paciência para essas burocracias da fase de pós-publicação”.

Óscar – neto do saudoso empresário português Oscar Maria Ramos (1880-1937), que se estabeleceu em nossa cidade no início do século XX – aos oito anos de idade saiu de Itacoatiara para Manaus e depois ganhou o mundo. “A relação artística com Luciano Figueiredo, a ida para a Europa, o retorno para o Brasil e o encontro do artista com o underground e o movimento tropicalista – essas e outras passagens da vida de Óscar Ramos ganham destaque na obra, que não tem, nem de longe, um caráter didático por opção do próprio autor” – informa Rosiel Mendonça. Maya vem para preencher um vazio quando o assunto é a sua trajetória nas artes plásticas. “Nunca houve um trabalho de crítica do meu trabalho, pelo que dou graças a Deus. Nesse livro procuro conceituar, para mim e para os outros, o conjunto da minha obra. Hélio Oiticica e Lygia Clark diziam que se eles mesmos não conceituassem as obras deles, a crítica ia fazer bagunça. Não deixar nenhum subsídio para o público é um problema dos artistas locais. Não tem como deixar tudo á mercê do público, dos curadores e dos críticos. O artista precisa dizer a que veio”, enfatizou o grande itacoatiarense.

Apesar de retratar a influência do cinema na arte de Óscar Ramos, o livro não contempla sua experiência como profícuo diretor artístico em grandes produções nacionais, como “Menino do Rio” (1981) e, mais recentemente, a saga “Tainá”. O autor também aponta outros “buracos” na obra, como a sua atuação, junto a Luciano Figueiredo, na produção da revista de artes e literatura “Navilouca” (1971), idealizada por Waly Salomão e Torquato Neto. “Foi um processo muito confuso, não tive forças para abrir um capítulo sobre isso”, explicou Ramos.

O artista contou, ainda, que o seu amor pelo falso lhe causou estranhamento durante o processo de escrita. “Conto uma história de um tempo em que ainda morava em Itacoatiara, onde morava dona Neuza Fernandes, que fazia flores de papel. Um dia, ela me deu uma flor verdadeira e fiquei com ódio dela, porque eu queria a de papel, que não morria”, relembrou.

Mesmo trazendo trechos autobiográficos como esse, Óscar Ramos se permitiu contar apenas as experiências pertinentes à sua formação como artista plástico. “São recortes da infância, da juventude e da vida adulta. Não conto segredos e nem falo mal de ninguém. É uma experiência extremamente pessoal, como se eu olhasse minha vida através de um microscópio para enxergar tudo que o que me fez ser o artista que sou”, pontuou.

Hosana ao querido e culto filho da velha Serpa, Óscar Ramos – nosso amigo e nosso irmão.

Fonte: “A Crítica” de 27/03/2013
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