Já adianto que não tenho nada contra os que gostam e usam a novela da televisão como opção de entretenimento, assim como anuncio que não gosto deste produto de diversão que a rede globo coloca no televisor da sala da maioria dos brasileiros e até em Portugal. Faço uma exceção, com relação às novelas da autoria do saudoso dramaturgo Dias Gomes, cuja inteligência, talento e elevado nível de formação intelectual, permitiram-lhe criar enredos de conteúdo interessante e sedutor para acompanhar o desenrolar da trama. O problema da novela, é que, mesmo a pessoa não gostando do produto, e mudando de canal para não ver, não consegue deixar de tomar conhecimento da sua existência, porque quando se aproxima de um grupo de amigas e até amigos, lá o tema preferido para as conversas é sobre as novelas do momento. E não é justo perder amizades por conta de você não gostar de uma das opções de recreação do amigo.

É de conhecimento geral, mesmo daqueles que não assistem às novelas, que os assuntos do pertinente enredo são os mesmos de todas as novelas, visto que lá estão cenas quase de sexo explícito, uso de drogas, por alguns personagens, mulher e homem casados, que se traem mutuamente, filhos insubordinados com os pais, enfim, dramas da vida real que tornam a sociedade doente, e que a rede globo não contribui para combatê-los e sim para incentivar a manutenção desses maus costumes sociais, como se fosse tudo normal. E tudo isso acontece nas novelas com as crianças ainda vendo televisão na sala. Adianto, também, que não sou moralista fundamentalista. Dane-se este tipo de moralismo. Mas um pouco de respeito com as pessoas nesses conteúdos de televisão, não faz mal a ninguém.

As novelas são vistas por pessoas de todos os níveis intelectuais. Lembro-me de que, quando estudava direito, na velha e querida “jaqueira”, no curso noturno, eu tinha umas colegas que faltavam à aula, no horário da novela, da época, para não se desatualizarem no enredo. Perderam aulas de grandes professores, que, com certeza, depois lhe fizeram falta. Lembro-me ainda de que geralmente o horário da novela era o mesmo da magnífica aula do genial mestre Samuel Benchimol. Vejam, assim, como a novela fazia mal à formação acadêmica daquelas queridas colegas de turma. Mas neste texto, quero falar, com base no que tenho ouvido as pessoas falarem, sobre um personagem da nova novela global. Sobre este assunto, penso que a rede globo foi longe demais. Sei que já usaram macaco no enredo de uma novela, no passado.

E agora é um gato, coitado, que tiraram do seu conforto na vida animal normal, para o transformarem num ator da Globo, contrariando a natureza e finalidade que o Criador de todas as coisas do mundo atribuiu aos animais irracionais e aos seres humanos na terra. A sociedade de proteção aos animais deve agir, para vedar esse desrespeito ao animal-ator. A existência do gato tem finalidades específicas na sua vida animal. Ele colabora com a saúde pública e doméstica na casa onde vive, matando ratos, se houver. Também faz a alegria das crianças e de algumas madames, que vivem fazendo mimos ao animal, quando o transformam em animal de estimação. Não vejo outra finalidade na existência do gato. Por isso que este animal trabalhar em novela, para a minha forma de pensar é demais, embora respeitando os que pensam diferente de mim.

Para a Globo já não basta o falso papagaio, chato e ridículo do programa daquela senhora que lambe o dedo, quando come alguma coisa, dando um mau exemplo de falta de educação doméstica aos seus telespectadores? Mas é esta a rede globo que já comandou o Brasil, e quer continuar ditando os costumes da sociedade brasileira. Na verdade, a novela é um gênero literário virtuoso na literatura nacional, mas que a Globo prostituiu ao levar para a tela da televisão.

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Raimundo Silva
*Amazonense de Itacoatiara. Advogado. Desembargador Federal do Trabalho aposentado. Professor de Direito da UFAM aposentado. Mestre em Direito pela UFPE. Foi vereador em dois mandatos, de 2009 a 2016, e nesse período Presidente da Câmara Municipal de Itacoatiara. Escritor e membro da Academia Itacoatiarense de Letras.

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