É que ainda nem começou o ano das eleições gerais e as disputas estão acirradas, a tal ponto acirradas que muitos dos líderes de agremiações partidárias estão quase se engalfinhando em busca de se tornarem notados.

Peço licença ao Mário Brasini para usar o título da sua peça apresentada pelo Teatro Escola Amazonense de Amadores no palco do nosso Teatro Amazonas, e de tanto sucesso nos idos de alguns anos. A história que eu vou contar, entretanto, é um pouco diferente daquela que mo tivou Brasini, ainda que seja cheia de divagação, mas não transcorreu em Afogados de Ingazeira, pois passa-se em quaisquer dos cantos por onde andem politiqueiros de plantão, nessa terra geral do Brasil.

E que ainda nem começou o ano das eleições gerais e as disputas estão acirradas, a tal ponto acirradas que muitos dos líderes de agremia ções partidárias estão quase se engalfinhando em busca de se tornarem notados e, quem sabe, venham a conquistar eleitores, muitos dos quais, menos avisados de suas histórias pretéritas,podem ser novamente enganados e acabar caindo no conto do vigário.

Verdade que não é em todos que pode caber a carapuça, pois há muitos injustiçados no meio deles, havendo, de verdade, quem preste bons serviços ao povo e à Nação; mas o que se vê, sem qualquer esforço, é que a guerra eleitoral já começou, e, desta vez, com novos ingredientes e muitos componentes inesperados e indesejados, daqueles que ninguém conseguiria imaginar que pudessem surgir.

O que sucede, neste ano de todo sofrido pela pandemia que nos persegue, é bem mais do que se viu em todas as eleições passadas, pelo menos naquelas que pude acompanhar mais de perto ou das quais tive notícia pelas pesquisas que faço nos campos da história política e do direito eleitoral. Desta feita, a luta parece estar sendo estendida para campos e terreiros nunca dantes vislumbrados e chega a envolver santidades e majestades, enquanto os humanos, aqueles que são detentores de mandato, postularam alterações nas regras legais de modo a terem melhores possibilidades de vitória.

É que os homens comuns e conscientes de seu papel na sociedade pensam em conquistar os votos do eleitorado de boa-fé apresentando propostas e projetos de interesse coletivo, ou de segmentos sociais mais sensíveis a seus vínculos comunitários e discursos parlamentares, por exemplo; enquanto outros, sobem morro e descem baixios com as suas botas de sete léguas para se apresentarem ao povo como salvadores da Pátria.

O que se sabe, de antes e desde Atenas e Roma inteira, é que as disputas eleitorais sempre foram uma luta renhida, às vezes sangrenta, dura, difícil, árida, mas sempre desafiadora, a exigir cada vez mais esforço dos interessados na cadeira governamental ou nas poltronas dos parlamentos, além de reclamarem coragem moral e cívica para constituírem armaduras capazes de suportar os enfrentamentos da campanha, e, agora, as notícias falsas espalhadas por aí.

Este ano a coisa se amplia e parece caminhar para uma verdadeira guerra, precisamente em razão de uns e outros começarem a meter o bedelho fora de suas verdadeiras missões, podendo se transformar em uma “guerra mais ou menos santa” posto que resolveram envolver, de vez e descaradamente, o valor da fé e a religião em coisas nas quais nem de longe deveriam estar. Nessa disputa, além dos cargos eletivos, há quem aspire mandar e desmandar em tudo e em todos e até no judiciário, porque das urnas a guerra passou para a indicação de ministros sem que se saiba até onde isso vai parar.

O que se vê, nem Mário Brasini, autor muito festejado e de grande sagacidade, conseguiu vislumbrar. O que se temé uma guerra menos santa do que parece, a qual estamos assistindo todos os dias no decorrer dos últimos tempos, país afora, e resumida à disputa do poder pelo poder, sem dó nem piedade.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ex-Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até 2017 e atual Presidente da Academia Amazonense de Letras.

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