Dentre esses doutores da lei, um deles se destacou na profissão de advogado e nas lutas político-partidárias, sempre ácidas naqueles anos.

O período áureo da borracha no Amazonas está marcado, também, pela presença de muitos nordestinos, seja os que se perderam nas matas dos seringais, padeceram no tronco como se fossem escravos, sofreram as doenças tropicais mais agudas, seja os que, diplomados em medicina, direito, farmácia e engenharia, fincaram os pés na cidade de Manaus e, ao seu modo, fizeram história.

Dentre esses doutores da lei, um deles se destacou na profissão de advogado e nas lutas político-partidárias, sempre ácidas naqueles anos. Piauiense de nascimento, faleceu na capital amazonense depois de muitas vitórias nos tribunais, entreveros na imprensa, e embates eleitorais. Projetado no Império como deputado geral em 1873 e depois presidente da província do Amazonas nos anos de 1877 e 1878, sob a bandeira do Partido Conservador.

Causídico sempre bem respeitado, esteve em defesa do patrimônio de herança de Custódio Pires Garcia, agiota conhecido nas terras amazonenses. Fundador do Partido Nacional ao lado de Jonathas Pedrosa, em contraposição a Emilio Moreira, o poderoso, que organizava o Partido Democrata, esse tal de Agesilau meteu-se em uma encrenca de onze varas nos idos de 1892, quando assumiu posição contrária a Thaumaturgo de Azevedo, presidente (governador) do Amazonas, quem sabe por alguma rusga originada na terra natal ou tão só para contrariar as posições de governo que pareciam desastrosas para os florianistas.

Ao atuar pela deposição de Thaumaturgo, acabou recebendo ordem de prisão expedida pelo governador, ao mesmo tempo em que eram recolhidos e deportados desembargadores, médicos, políticos, jornalistas, militares, enfim, todos aqueles que fossem contra o major-governador e a favor de Eduardo Ribeiro.

E o caso vem contado por Agnelo Bittencourt, insuspeito por todos os motivos, e mesmo que pareça piada, foi verdade verdadeira que se contou durante muitos anos nos salões do fórum de Manaus. Estando em sua casa de residência, certa hora, em 17 de fevereiro de 1892, Agesilau recebeu a visita-intimação de um corpo de policiais com ordem de levá-lo preso por pretender a deposição do governador e haver liderado manifesto e revolta popular.

Por estar de pijamas, depois de acolher os policiais com respeito e educação, pediu pequeno tempo para vestir-se adequadamente, de modo que não fosse levado ao xadrez em trajes de dormir, para cuja providência obteve a autorização do chefe de polícia. Retirando-se da sala de visitas para o quarto do casal, logo em seguida escafedeu-se pelo quintal e tomou o varou pelos Educandos onde tomou uma catraia na qual seguiu para Itacoatiara em cuja cidade seguiu de “gaiola” para Belém, de onde retornou logo após a deposição do Thaumaturgo.

O velho e sábio Agesilau Pereira da Silva, Conservador no Império e Nacional na República, deixou os policiais atônitos, enquanto vários de seus amigos revolucionários foram presos e deportados, além de padecerem agressões físicas e ofensas morais, em defesa dos ideais que defendiam.

Teria sido a passagem mais ridícula que desacreditava os policiais e a mais comentada, até que se deu a de Turiano Meira em 1924, pelos fundos do Palácio Rio Negro.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ex-Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até 2017 e atual Presidente da Academia Amazonense de Letras.

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