claudio bernardes
*Claudio Bernardes

Implementação do conceito pode promover ambientes sem desperdícios.

O conceito de economia circular consiste no estabelecimento de um programa de desenvolvimento que envolva todo o ciclo econômico, desde a produção até o consumo, com controle de desperdícios, regeneração dos sistemas naturais e reutilização de materiais. Essa ideia de produção responsável e regenerativa, tipificada no conceito de economia circular e utilizada em processos de produção industrial, pode e deve se adaptar à construção e ao desenvolvimento das cidades.

No sistema linear de desenvolvimento existente na grande maioria das cidades são consumidos 75% dos recursos naturais, e produzidos mais de 50% dos resíduos do planeta. A economia circular oferece a oportunidade de repensar como faremos uso dos recursos necessários à vida, e nos permite explorar as novas formas de garantir prosperidade a longo prazo.

Com o objetivo de auxiliar os administradores municipais a implantar esse conceito, a Fundação Ellen Macarthur, do Reino Unido, e a empresa inglesa de engenharia e planejamento Arup Group Limited lançaram um guia de economia circular nas cidades.

Embalagens para a economia circular

Vencedores do concurso Ellen MacArthur: TrioCup é um copo feito com técnica de origami que prescinde de tampa plástica; seu papel é compostável Divulgação

Vencedores do concurso Ellen MacArthur: Delta, em forma de sachê, é uma evolução da membrana Ooho!, para bebidas, condimentos e cosméticos Divulgação

 Vencedores do concurso Ellen MacArthur: Miwa, projeto da República Tcheca que prevê entrega de mantimentos em embalagens retornáveis Divulgação

A implementação de uma visão de economia circular pode promover o surgimento de uma cidade próspera, onde a produtividade econômica aumenta em razão da redução dos congestionamentos e da eliminação dos desperdícios, que diminuem custos e criam novas oportunidades para o surgimento de negócios e a geração de empregos. As cidades tornam-se resilientes na medida que mantêm os materiais em uso, reduzindo a pressão para a utilização de novos recursos naturais.

Dessa forma, o programa propõe que a economia circular seja focada em três sistemas urbanos principais: edifícios, mobilidade e produtos.

Paralelamente ao planejamento urbano, a infraestrutura, os veículos, edifícios e produtos devem ser projetados para serem a perfeita combinação dos conceitos durável, adaptável, modular e de fácil manutenção. A cidade alimentada por energia renovável deve ter recursos naturais de origem local, com matérias-primas que possam ser recicladas e reutilizadas.

As pessoas devem acessar espaços, produtos ou transportes de novas maneiras, como compartilhamento e uso de produtos na forma de serviços. Projetos modulares podem possibilitar a reconfiguração de edifícios e equipamentos para atender as novas necessidades.

Os produtos devem ser reparados adequadamente e reformados para prolongar o uso sem substituição. Essa ideia deve envolver as pessoas, individualmente, as empresas, as comunidades e os serviços públicos. Infraestrutura, desde ruas até serviços de iluminação, devem ser mantidos e operados de tal forma que materiais, energia e água sejam utilizados no processo com eficiência e possam ser reutilizados e reciclados.

Edifícios, veículos e produtos são montados usando técnicas desenvolvidas para evitar desperdícios de materiais. A engenhosidade local e os níveis de habilidade aumentam à medida que o foco é colocado na produção descentralizada e distribuída nas cidades. Os produtos e as peças são produzidos sob demanda, no próprio sítio de fabricação, transformando os métodos construtivos e os sistemas de estoque.

A OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico também oferece um programa para implantação e governança da economia circular nas cidades, assessorando o desenvolvimento de indicadores para avaliação das estratégias adotadas, promovendo diálogos em vários níveis entre as cidades para identificar desafios e oportunidades, e favorecendo a aprendizagem por meio das melhores práticas da experiência internacional.

As cidades e os centros regionais têm papel fundamental a desempenhar como promotores e facilitadores da economia circular, garantindo condições econômicas e de governança adequadas para aproveitar, de forma eficiente, todo seu potencial.

*Engenheiro Civil. Artigo na Folha de São Paulo, Caderno Opinião, de 20/01/2020.
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