As igrejas fechadas,
O Vigário, sozinho, quase noite, rezava,
Mas palmas na janela o fazem levantar-se.
“Padre, eu preciso ir, um instantinho
ali, junto do altar!”.
– “Em que posso ajudar?
A igreja eu já tenho de fechar”.

“ Escute, por favor, minha oração:
é o meu filho que acaba de morrer
deste vírus mortal.
E a dor que sinto agora ao receber
do meu filho o suspiro derradeiro,
como posso explicar?
Preciso com Jesus compartilhar:
É uma dor imensa e extranha que me invade
e no meu peito estando a transbordar,
preciso extravasar:
A DOR PELO MEU FILHO
É a dor que eu sinto pelo mundo inteiro!”

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Marília Menezes
*Poeta e escritora. Ex-secretária da CRB. Trabalhou na Prelazia de Itacoatiara, em 1962-1963, ao tempo do bispado de dom Francisco Paulo Mc-Hugh (1924-2003), onde dirigiu o Colégio Nossa Senhora do Rosário. Em 1997 voltou a Itacoatiara para secretariar o bispo dom Jorge Marskell (1935-1998), até sua morte no ano seguinte. Sócia correspondente da Academia Amazonense de Letras. Reside em Belém, sua terra natal.

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