“Como simples cidadão conclamo a que nos vacinemos contra as fakes news do corona e dos vieses políticos que estão sendo disseminados em relação à pandemia, ou vamos enlouquecer de vez”

Não é de agora que o mundo vem experimentando novas formas de comunicação célere, cada vez mais célere, notada mente a partir da internet e das redes sociais que se transformaram em ambientes nos quais cabe tudo, a partir da boa ou da má fé do usuário, ou daquele que se transforma em transmissor da informação, seja ele profissional do ramo ou amador.

Neste tempos de pandemia do novo coronavírus, quando os debates nesse campo vir:1lual se avolumam de maneira intensa, a mídia mais antiga e tradicional compreendida pelos jornais impressos, emissoras de rádio e de televisão que vinha perdendo espaço substancial para ceder lugar à informação rápida, curta, imediata em razão da celeridade com que a vicia estava sendo levada pela maioria da população parece estar retomando valor.

Os jornais e revistas impressos podem ampliar as possibilidades com os leitores assíduos e acostumados a esse tipo de comunicação, porque passaram a ter mais tempo para leitura detida. Entretanto, a informação via rádio e televisão, massiva corno está sendo feita, tendo como tema, quase único, o vírus que se apresenta com ares de avassalador, também tende a crescer, inclusive pela modificação de uso perpassar a servir para educação social e escolar a distância como se tem visto e que poderá ser ampliado conforme a quarentena que o vírus exigir.

Essas mídias têm origem e demonstram certa responsabilidade social pela informação que transmite e opiniões que expedem, o que não representa dizer que não possa haver, aqui e ali, tendenciosidade em aspectos que se revistam de caráter político-eleitoral-partidário-ideológico, ao meu sentir, de todo descabidos neste momento.

As redes sociais, entretanto, em muitos casos e cada vez mais crescentes casos, parecem servir a outros interesses não comuns às pessoas sãs, e, em certa medida, até à promoção de descalabros, falsas informações que levem ao desequilíbrio de pessoas, especialmente àquelas mais fragilizadas por outras e variadas razões, podendo desordenar grupos humanos susceptíveis a certos tipos de informação dita e repetida como verdadeira e reconhecida por personalidades que jamais tiverem conhecimento dos fatos em relação aos quais são dados como responsáveis e autores.

Não são mais as fakes news do início da implantação deste mundo deserto de identidade reconhecível pelas leis do país, as quais, apesar dos malefícios que poderiam provocar, não tinham o condão de adoecer pessoas, de promover o desequilíbrio social, político e econômico da Nação. As de agora, além da falsidade original que lhe confere o título aceito, não raro estão contribuindo para o pânico coletivo e o desencontro de informações básicas que podem por em risco o bem mais precioso dos indivíduos: a vida.

Aliás, não é sem razão que O constituinte de 1988 inscreveu a cidadania e a dignidade da pessoa humana no primeiro artigo da Constituição, seguindo-se a prevalência dos direitos humanos, e, neste diapasão, o direito à vida, contra o qual nem o Estado pode se insurgir, ao reverso, a ele também cabe a obrigação de assegurá-lo.

O inferno em que muitas das informações expedidas por redes sociais tem transformado a vida dos usuários, muitos inocentes e confiantes em tudo por tudo que chega ao seu conhecimento podem provocar mazelas emocionais e sérios danos em parte da

população usuária, especialmente nestes tempos de tensão, recolhimento e isolamento social.

Como simples cidadão conclamo a que nos vacinemos contra as fakes news da corona e dos vieses políticos que estão sendo disseminados em relação à pandemia ou vamos enlouquecer de vez.

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Roberio Braga
*Amazonense de Manaus. Historiador. Bacharel em Direito, especializado em Direito Agrário, pós-graduado em Administração de Política Cultural e Mestre em Direito Ambiental. Professor da Escola Superior da Magistratura do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas. Ex-presidente da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Ex-Secretário de Estado de Cultura, desde 1997 até 2017 e atual Presidente da Academia Amazonense de Letras.

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