Ao Francisco Gomes da Silva, historiador da Velha Serpa.

Poema recolhido da obra “Pedra Pintada (uma viagem à cidade da minha primeira infância)”, ainda inédita.

Por uma larga avenida
a cidade nos recebe,
história muito bonita
desde o Império do Brasil,
desde que os republicanos
pensavam outro país,
país aberto às conquistas
agitadas em Paris,
conquistas da realeza
da Revolução Francesa,
Travessa da Liberdade
que a cidade respirou,
tudo feito nas origens
da vida que se afirmou
naquele sítio nascido
ali na curva do rio,
e foi crescendo no sonho
até atiçar o espírito
do prefeito Isaac Peres
que decidiu trabalhar
e gerar um novo mundo,
nos anseios de mudança
de Cassiano Secundo,
e no plano dessas ruas
desenhadas na cidade,
logo se pôs a fazer
um logradouro distinto
como do Champs-Elysées,
agora Avenida Parque
hoje vedete das ruas,
com mil e quinhentos metros
e vinte e dois de largura,
trezentos pés de oitizeiros
numa alameda onde atletas
se exercitam todo dia,
coluna dorsal que liga
a estrada de asfalto ao rio,
vai da entrada da cidade
à Catedral do Rosário,
é modelo de outras ruas
com seus canteiros centrais,
é o caminho do orgulho
do morador da cidade,
dos jovens e das crianças,
da gente de toda idade,
dos anciãos repousados
a bom revirar a vida
revendo o seu lado bom
ali na bela avenida,
ponto de encontro do povo
para tomar tacacá,
comer um bolo gostoso
que só é achado lá,
pleno resumo de um bem
que abotoa na cidade,
enfim, porque essa avenida
sempre foi da Liberdade.

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Elson Farias
*Poeta e ensaísta. Ex-presidente da União Brasileira de Escritores do Amazonas e da Academia Amazonense de Letras. Nascido em Itacoatiara é uma das glórias dessa cidade.

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