Tempo I 

A destruição da fauna, da flora e do Meio ambiente. 

Ao longo de seus bilhões de anos de existência, o planeta Terra tem sofrido modificações, algumas extremas, que levaram à quase extinção da vida.

Essas modificações foram inicialmente de origem natural. Grandes explosões vulcânicas em série, criando gigantescas nuvens de fumaça, tomando o clima mais frio. Quedas de meteoros produzindo poeira e impedindo a passagem da luz e, em consequência, a fotossíntese, levando à destruição de milhares de espécies. Derivas de continentes criando gigantescas cadeias de montanhas. Maior ou menor atividade solar, aumentando ou diminuindo a temperatura do planeta.

Esses fenômenos podem acontecer, a qualquer momento, nos tempos atuais. A explosão do Krakatoa, na Indonésia, no século passado, determinou rigorosos invernos. A qualquer hora um asteroide pode atingir-nos ou a nossa estrela entrar em uma fase ativa, bombardeando a Terra com gigantescas cargas de raios de todos os tipos, da sua fenomenal fornalha atômica.

Mas existe alguma coisa que está alterando o instável equilíbrio climático do nosso planeta, as condições ideais de temperatura, a composição do ar respirável e a manutenção das águas puras, um todo necessário à manutenção da vida.

Nos estudos que estou fazendo sobre a navegação na Amazônia, na época da borracha, ao acompanhar as informações sobre os estaleiros da Inglaterra descobri um dado interessante, a de que o último ano de congelamento da foz do Tâmisa foi o de 1813. Algo de estranho está acontecendo com o planeta, desde que a população humana começou a crescer, destruindo a fauna e derrubando as florestas para a obtenção de madeira, para a formação das pastagens necessárias aos seus rebanhos, esses inclusive produtores de gazes fecais, que destroem a camada de ozônio; para a formação de campos destinados à agricultura e de espaço para as cidades. A revolução industrial e a era moderna vieram ainda mais piorar a situação com a queima da madeira, do carvão e do petróleo para a produção de energia, consumindo o oxigênio finito da terra e transformando-o no gás carbônico, incompatível com o equilíbrio climático e vital.

Desta maneira os países da Europa, da Ásia e da América do Norte nada fizeram para impedir que suas reservas ecológicas, suas florestas fossem destruídas, pois se usava dos mesmos métodos do nosso tempo, na Amazônia, em que os imediatistas quiseram obter tudo ao mesmo tempo e em qualquer condição, sem medir as conseqüências para o futuro.

Quando tratamos de Floresta Amazônica, nós que aqui nascemos, vivemos e morreremos, não estamos interessados em situações, que no momento apenas favorecem os interesses de outras regiões, aproveitando-se do seu peso político sobre o País, para nos imporem falsas premissas e formas de neocolonialismo interno.

A ação depredadora do ser humano tem sido terrível nos últimos 3000 anos, quando o seu número subiu de 120.000.000 para 6.000.000.000 de seres.

Durante este tempo o homem tomou a terra de Canaã, o Sael, o Decão, o Turquestão, o Saara, o Oriente Próximo e outras terras, em desertos, o barrido dos elefantes deixou de ser ouvido nas margens do Orontes, na Turquia; as manadas de bois selvagens não mais atravessam o Bósforo, todos os anos; os milhões de focas que habitavam o Mediterrâneo, do delta do Nilo ao Gibraltar, as sereias da mitologia, viraram óleo e pele; e os cardumes de baleias do mesmo mar desapareceram caçados nas Baleares e industrializadas na Maiorca e na Minorca, ainda no tempo dos romanos. Na América do Norte, 50.000.000 de búfalos foram mortos nos 50 anos da conquista do Oeste, pela língua e pelo couro, deixando famintos 2.000.000 de índios. Na América Central, México e Antilhas outros milhões de índios foram mortos pela fome do ouro.

Na nossa Amazônia, na época colonial e durante o ciclo extrativista:

  1. Destruiu-se a tartaruga, pela saborosa carne, com 50.000 tartarugas consumidas anualmente, somente em Barcelos, no século XVIII, avançando este consumo até o nosso tempo, quando se vendia mais carne delas do que a bovina, em Manaus, e além da produção de manteiga, o óleo obtido dos ovos, sendo necessárias 16 a 20 covas de 100 ovos, para a produção de um pote do produto. A produção de 1830 chegou a 8.000 potes, o equivalente a 600.000 covas ou 60.000.000 de ovos destruídos.
  1. Exterminou-se o peixe boi, para a produção de mixira, a sua carne conservada em gordura, e couro,
  1. E continuamos a eliminar o pirarucu, consumido seco e salgado, ou fresco, o principal alimento local, através dos tempos, e o maior produto de exportação regional até que fosse superado pela borracha, correspondendo, no século XIX, à pesca de 100 a 300.000 peixes anuais.
  1. Durante e após o ciclo da borracha destruiu-se praticamente a capivara, os porcos do mato, a onça e o jacaré, pelos couros e pela carne.

O extermínio da flora também tem sido uma constante.

  1. Já desapareceram a saboarana, a balata e a sorva da região em volta de Manaus, a acariquara cada vez fica mais distante, o mesmo acontecendo com o pau rosa, hoje valendo milhares de dólares, por barril da sua essência.
  2. O mogno é a madeira mais procurada pela Europa, que não deseja madeira colorida.

Na realidade quer se culpar a destruição florestal da Amazônia aos estrangeiros, quando o que acontece é que estamos abastecendo todo o Brasil, com madeiras de todos os tipos, para móveis e construção, nada ficando desta riqueza, na nossa região, literalmente saqueada pelas madeireiras, pois já não existem florestas no resto do País. Seriam necessários milhões de dólares para a sua importação, além de não existirem fornecedores.

Em quinhentos anos a nossa população indígena, os mais antigos brasileiros, foi quase levada ao extermínio pela escravidão, que só do alto Amazonas teria arrastado 2.000.000 de pessoas em dois séculos, pelas doenças viróticas e pelos maus tratos.

Hoje, em algumas regiões, ainda se discute se os índios têm ou não direito à sua terra ancestral. Os nossos cabocos e os habitantes dos antigos seringais, os amazonenses em geral, têm problemas semelhantes aos dos índios, em sua própria terra, nas mãos dos mais poderosos de outras regiões, e defendê-los é uma ação humanitária.

Tempo II

O desenvolvimento sustentável 

OS Estados Unidos foi o primeiro país do Mundo a sentir os efeitos dos desmatamentos indiscriminados de suas florestas estendidas pelos Aleganis e Montanhas Rochosas e pela queima anual das suas pradarias, para o rebrotamento do capim.

A destruição das florestas, para a produção de madeira, levou aos grandes deslizamentos, ao assoreamento de rios, como o Tenessee, às grandes enchentes, à perda de terras agricultáveis e até à falta de madeira, suprida pela do desabitado Canadá, não só para construção, como para a fabricação de papel. O clima mudou com secas e chuvas torrenciais fora de época, grandes tempestades e tomados. Indústrias e cidades em crescimento estabeleceram-se às margens dos rios poluindo-os. O grande rio Mississipi foi poluído em pouco mais de 80 anos.

A destruição predatória do búfalo, para o extermínio dos índios, pois a carne seca ou pilada, constituía-se no seu principal alimento de inverno, levou-os a serem recolhidos nas reservas, geralmente em regiões inóspitas de serras e desertos, depois reconhecidos como seus territórios, pois a que os imigrantes desejavam era a boa terra para o plantio de cereais e batata.

Graças a uma legislação que respeita a propriedade do subsolo, receberam, sem contestações secundárias, as ricas jazidas existentes, no subsolo do seu território montanhoso.

Os sioux ganharam as montanhas Black Hills, ricas em ferro e cobre que tomaram esse povo relativamente abastado e respeitado. Aos cheroquis e outras tribos deportadas para Oklahoma, coube o petróleo, apesar de seus limites terem sido desrespeitados.

Em 1908, os americanos observaram a necessidade do reflorestamento e recuperaram gigantescas áreas florestais, hoje sob um controle permanente, funcionando como verdadeiras fazendas madeireiras. Ao mesmo tempo, pelo plano Minessota, a floresta passou a ser olhada como um todo e não somente como terra a arar, madeira e carvão. Outros produtos eram muito mais valiosos do que esses dois últimos, e nas florestas tropicais ainda mais, como os couros e as peles, as nozes, a borracha, as plantas medicinais, as essências, os peixes, as fibras e o turismo.

Na Conferência Interamericana de Agricultura, Floricultura e Indústria Animal, realizada em Washington, no período de 6 a 20 de setembro de 1930, foi apresentado o trabalho Diversificação Florestal na América Tropical, de W. T. Cox, que continha as primeiras ideias para a exploração sustentada da floresta amazônica, onde se previa:

  • O reconhecimento da floresta por aeroplano e o seu levantamento, área por área.
  • As áreas a serem protegidas por parques federais e estaduais.
  • O preparo de pessoal, para a ciência florestal.
  • Os estudos dos processos de corte.
  • Os métodos apropriados de silvicultura.
  • A sistematização das plantas existentes.
  • Os efeitos da erosão.
  • Os produtos alternativos além da madeira.

Os assuntos estabelecidos nos dois primeiros pontos já foram efetuados, nos tempos atuais, através do Projeto Radam, uma belíssima obra efetuada pelo Brasil, onde se detalhou todas as riquezas da Amazônia, especialmente as florestais, das quais se pode conhecer a quantidade e circunferência de todas as árvores da região, além das minerais.

O terceiro ponto crescia com a Escola de Engenharia Florestal e de Piscicultura da UTAM, em fase de desmonte. Quanto ao manejo da floresta muito pouco se sabe. Sensibilizada, pelos riscos ecológicos da Amazônia, com o desaparecimento da salsa, a escassez do peixe boi, as grandes remessas de pirarucu, para o Pará, a destruição dos ovos da tartaruga e o alto consumo de sua carne, em Manaus, em 1935, a Associação Comercial do Amazonas levantou a idéia de um Conselho Florestal do Estado do Amazonas, o que jamais foi concretizado. O assunto foi objeto do artigo As Sombras do Futuro. E a destruição continuou: os cardumes de jaraqui do rio Negro desapareceram, os de tambaqui, só a grande distância; a grande esteira de camarões que descia os rios, para povoar o Atlântico, passando em frente à Itacoatiara todos os anos, praticamente desapareceu, o jacaré foi eliminado, os patos e marrecas já não são na mesma quantidade. Hoje já não vemos botos e gaivotas em nosso porto de Manaus. Tudo está sendo perdido.

Por outro lado ressaltava-se que a produção de borracha e de castanha já tinha sido um belo exemplo de desenvolvimento sustentável empiricamente estabelecido, para a exploração de produtos da floresta tropical.

Aquele editorial de 1932 é um marco histórico para estudo dos princípios ecológicos, na região, onde foi dito que na Amazônia vivia-se da pilhagem irresponsável da Natureza, sem constância e sem método, não se pensando no Futuro, e que castanhais e seringais deveriam ser plantados, na periferia de Manaus.

O projeto Radam não levou em conta a população amazônica, chegando a alijá-la do processo de desenvolvimento da região, o que foi uma forma de neocolonialismo preconceituoso de seus autores.

A verdade é que nada de novo foi feito nesses últimos cinquenta anos, para a instalação de um projeto inicial de desenvolvimento florestal sustentável, para a região, empiricamente explorando e destruindo as suas florestas até às vezes de maneira benéfica, para os habitantes citadinos da Amazônia, como a criação dos

extensos campos artificiais de Rondônia, Mato Grosso, Tocantins e Pará, com mais de 20.000.000 de cabeças de gado, sem o que Manaus e Belém estariam desabastecidas de carne, as grandes plantações de soja, café e algodão, e até a agricultura arrozeira migrante de Roraima, que hoje abastece Manaus.

Tempo III

As vantagens e desvantagens

Sempre que estudamos esses assuntos estão em jogo as vantagens e desvantagens da Amazônia, para a sua exploração de fora para dentro, projetada pelos famosos amazônidas, que querem ditar leis para a região, sem a conhecerem com profundidade e não levando em conta que aqui já existem mais de 15.000.000 de brasileiros. Existe mesmo a tendência de um crescimento rápido, não sendo mais a despovoada região do início do século XX, quando possuía apenas 1.000.000 de habitantes.

  1. Possuímos a maior floresta tropical do Mundo, com uma grande biodiversidade, ao contrário das florestas temperadas que são praticamente homogêneas. Se por um lado isto mostra a pujança da vida, por outro lado dificulta a sua exploração racional, pois não existe a tecnologia e o conhecimento para tal, todo voltado para as florestas de coníferas, daí ficarmos a mercê da destruição imediatista, para a produção de madeira e a substituição da floresta por campos e áreas agrícolas, para produzir a carne e as comodities, que a superpopulação mundial exige. Embora o Brasil seja um dos grandes produtores mundiais de papel, não utiliza as árvores de madeira dura das suas florestas nativas, mas as do reflorestamento a base de coníferas. A floresta Amazônica neste instante está sem maior finalidade econômica, pois todos os seus produtos necessários ao Mundo já foram sintetizados. Hipocritamente todos defendem a floresta como uma reserva à disposição da pesquisa até novas descobertas, mas esquecem de que estão consumindo madeiras e alimentos produzidos nas áreas desmatadas, até que haja um controle da natalidade mundial.

Na realidade a floresta amazônica da sua borda sul, abrangendo Rondônia, Mato Grosso, Sul do Pará e Tocantins já foi praticamente substituída por campos, onde vivem milhões de cabeças de bovinos, que abastecem até a própria Amazônia de carne. E foi substituída não pelos estrangeiros, mas pelos brasileiros do sul que ali encontraram um clima modificado pela altitude a menos 10 C, para cada cem metros, e amadeira necessária às fabricas de móveis e de materiais de construção, sem o que o Brasil estaria importando o produto, pois a Europa só se interessa por mogno, enquanto o Brasil prefere a cerejeira, o louro e outras madeiras coloridas, e nem tem onde se abastecer.

Para nós da Amazônia é preferível a posição mundial de expectativa quanto ao uso da floresta amazônica, enquanto para os brasileiros do centro-sul ela é vital, pois já não possuem mais florestas e a madeira que ali se produz é a de coníferas de reflorestamento. Daí quererem controlar política e economicamente a região, mediante falsas premissas de ação internacional.

  1. Possuímos gigantescas jazidas minerais, já conhecidas, mas não exploradas, desde o final do século passado, confirmadas pelo famoso e famigerado projeto RADAM. Afora os metais preciosos, que podem ser explorados a qualquer tempo, sem muito afetar o mercado internacional, todos os demais minérios ou ainda são uma promessa futura, como nióbio, ou existem em exploração no resto do mundo, até em excesso, e se a Amazônia viesse a produzi-los, criaria uma redução nos preços. Pela legislação brasileira o subsolo pertence à Nação Brasileira, diga-se: aos funcionários do alto escalão e aos políticos no poder, pois são os que têm acesso às autorizações das lavras. Infelizmente os nossos índios estão em cima dessas jazidas atrapalhando este processo, sendo preciso passar por cima de seus direitos ancestrais. As multinacionais não querem a sua exploração por representarem prejuízos, nem a política mundial, por representarem desequilíbrios, no mercado. O estanho do Pitinga custou a eliminação de grande número de índios atroaris e a queda do preço do metal, no mercado mundial, acompanhada de rebeliões na Bolívia e na Birmânia. A exploração das nossas grandes jazidas de alumínio causou instabilidade no Caribe (Jamaica e Guianas). O ferro dos Carajás fechou inúmeras minas em todo o mundo. Mais uma vez o interesse do Centro-Sul nos atinge, pois de lá vem a força para os políticos que defendem a exploração imediata das nossas reservas e delas querem se apossar. O interesse futuro da região demonstra que haverá um melhor tempo para sua exploração.
  1. Possuímos as maiores extensões agricultáveis de terras do planeta, ainda desocupadas, utilizáveis tanto na agricultura, quanto na pecuária. A principal desvantagem é que os seus solos são pobres, necessitando de correções, sendo outra o clima, suportável pelas etnias de pele morena da Ásia, capazes de suportar o sol, constituindo-se este no maior risco internacional, pois são povos carentes de terras. Mesmo com os problemas de nutrientes e de pH a Amazônia poderia produzir grandes quantidades de alimentos, alguns daqui originários, como a batata doce, a mandioca e jerimuns, capazes de em conjunto fornecerem mais de 20 toneladas de alimentos por hectare, em seis meses, mas nada temos estudado a este respeito. O consórcio desses três vegetais associados à criação de aves e à piscicultura manteria a nossa população alimentada, com a fome a nível zero. Com um melhor tratamento do solo, aqui poderiam ser produzidos outros alimentos como o arroz, a cana, o feijão, o café, nas serras e várzeas, além da borracha e do cacau. Milhões de cabeças poderiam aqui pastar, e uma população de 1.000.000.000 de habitantes poderia aqui viver tranqüilamente. Infelizmente alguns desses produtos foram até proibidos de serem produzidos, na região, em algum tempo.
  1. A nossa rede fluvial de milhares de quilômetros facilita o transporte, mas está subutilizada, pois o poder pertence aqueles que não a conhecem. Na época da borracha chegamos a ter centenas de navios, na Amazonia. Hoje este transporte é quase tão caro quanto o aéreo. Todos se esquecem de que de Belém ao Acre são mais de 7000 km., o que corresponde a uma atravessia e meia do Atlântico.
  1. Possuir grande potencial hidroelétrico, embora subutilizado, a não ser em Tucurui, na realidade atendendo indústrias de alumínio e o Nordeste.
  1. Possuir grandes reservas de água potável, o que hoje não é mais vantagem, pois os países ricos podem

dessalinizar a água do mar.

  1. Biodiversidade é uma palavra mágica atual sem este significado maior que a ela quer se dar. Não existe tecnologia, gente especializada, ou qualquer coisa que possa aproveitar essa biodiversidade, pois a Amazônia

vive em apartheid mundial, sendo praticamente desconhecida esta sua faceta. Nós costumamos associar biodiversidade com remédios e achamos que isto corresponde a esta parafernália de galhos e folha secos

vendidos pelo mercado dito alternativo, um charlatanismo sem qualquer base científica. Qualquer projeto de estudo da biodiversidade levaria muitos anos e custaria muito dinheiro, embora ele precise começar agora.

Tempo IV

O futuro próximo

Como pudemos observar tudo sobre a Amazônia concentra-se em três pontos fundamentais:

1:- O destino das potencialidades amazônicas, floresta, minérios, água e terras – eles devem ser usados em uma política imediatista controlada por grupos extra-regionais, em detrimento do futuro da região? Ou comedidamente de acordo com as necessidades locais, visando o futuro?

2:- O destino das populações amazônicas está sob forte pressão extra-regional, tanto a indígena, como a brasileira local, por grupos que querem a posse de suas terras, dos seus minérios e do poder político. Na realidade necessitamos de uma verdadeira era Meiji, que as traga para a atualidade, libertando-as de centenas de anos de estagnação, o que se conseguiria com a melhoria da educação e de uma melhor política econômica.

3:- O controle das migrações para Amazônia.

Entre os pontos básicos necessários à proteção da Amazônia e a sua utilização em benefício de sua própria

população citamos:

a) Respeito ao meio ambiente e à população amazônica preexistente.

b) Não se pode deflagrar um processo de povoamento da Amazônia sem antes solucionar o do conhecimento da maneira de se desenvolver o de proteção ambiental.

c) Os recursos gerados na Amazônia deverão ser reinvestidos na região.

d) Os recursos minerais não podem ser exportados sem processamento local.

e) Proteção à fauna, a flora e aos cardumes.

f) Criação de centros de pesquisas.

g) Desenvolvimento da agricultura de produtos locais.

h) Transporte fluvial adequado.

i) Vigilância sanitária das populações migrantes.

j) Escolas para a população local.

k) Resistência à Internacionalização – o maior risco vem da parte dos próprios brasileiros de outras regiões que a desconhecem. A manutenção da Amazônia para o Brasil sempre dependeu da população local e da nordestina, da proteção inglesa, o nosso principal aliado do século XIX e do início do século XX, e do sol, que impede a população branca de colonizá-la, pois estamos muito mais próximos dos povos colonialistas, que o resto do Brasil, geograficamente uma periferia mundial. Acresça-se a inadaptabilidade da cultura  mediterrânica, na Amazônia, que deve desenvolver a sua equatorial autóctone, no que foi impedida por imposições externas, disto decorrendo uma dependência de alimentos. As doenças epidêmicas foram aqui introduzidas pela colonização. A qualquer momento podem vender um pedaço da Amazônia por uma dívida externa, pois ela tem sido o aval de muitas, ou de repente entrega-la temporariamente, por algum valor, como aconteceu de 1942 a 1945, quando fomos cedidos por U$100 milhões de dólares aos Estados Unidos, que felizmente nos devolveram. E isto já acontece com as riquezas minerais.

1) Evitar os dirigentes do tipo colonial, que não têm relação com a região.

Tempo V

O futuro mais adiante

A Amazônia Legal representa 5/8 do Brasil, que sem ela corresponderia a um país um pouco maior que o México ou a Argentina. Somos o território que dá a condição continental ao nosso País.

Geopoliticamente estamos na terra-coração da América do Sul, com a potencialidade de abrigar mais de um bilhão de habitantes, bem próxima do chamado Grande Oceano Central, o Atlântico Norte, onde estão localizadas as Potências Marítimas, as regiões mais desenvolvidas do Planeta. A Amazônia só não foi ocupada mais precocemente que o resto da América do Sul, por três motivos principais: clima totalmente diferente do europeu, dificultando a adaptação, distâncias internas gigantescas e um meio ambiente desconhecido. Hoje a geopolítica brasileira continua centrada no triângulo Minas-Rio-São Paulo esquecendo que o centro demo gráfico e econômico brasileiro avança para o norte. Há uma verdadeira política neocolonialista da Amazônia, onde somos vistos como uma região a explorar e onde as consciências ainda podem ser escondidas em alguma piranheira da ilha de Marapatá ou de Marajó. Somos proibidos de ter fábricas de automóveis e usinas siderúrgicas, impedindo o nosso progresso, e aqui só podem ser estabe1ecidas indústrias leves. Não temos linhas de navegação interna ou externa que propiciem as trocas. Somos os maiores produtores de madeira e não temos fábricas de móveis. Acreditamos sermos considerados, como os índios, estrangeiros dentro do nosso próprio país natal.

Enquanto o país volta-se para um cone sul que lhe é ostensivamente contrário, esquece-se de que temos um litoral de mais de 7000 quilômetros, para o Oceano Central, capaz de melhor comerciar com as Nações Marítimas, litoral que vai do cabo de São Roque a Tabatinga.

É preciso que o País tome consciência de que todo o seu futuro depende da Amazônia, e que melhor seria

ligar-se às Potências Marítimas. Também é necessário se dar início a uma política de maior relevo à Amazônia, tratando com equidade e justiça o seu povo, que foi quem conquistou e manteve esta região brasileira até os nossos dias. Da maneira com que somos tratados é melhor que as nossas riquezas sejam poupadas para o futuro. Se não houver mudanças, mais cedo ou mais tarde, o Brasil perderá a Amazônia, não para os Estados Unidos ou para os países europeus e asiáticos, mas para a formação de um novo país maior e mais povoado do que ele próprio. O Brasil está destruindo o seu futuro ao não atentar para a grandeza da Amazônia.

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Antonio Loureiro
Historiador amazonense. Membro das academias Amazonense de Medicina e Amazonense de Letras. Ex-presidente do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.

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