Teste detecta risco de infarto depois de cirurgia, diz estudo

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Mariana Versolato
Repórter

Exame de sangue simples de fazer poderia indicar os pacientes que requerem mais cuidados com o coração.

Pesquisa foi feita com 15 mil pessoas em vários países, inclusive no Brasil; fase depois da operação é perigosa.

Um exame simples pode ajudar a prever quais pacientes têm maior risco de sofrer um infarto após cirurgias de impacto, como ortopédicas ou urológicas, por exemplo.

É o que mostra um estudo no “Journal of the American Medical Association”, que acompanhou mais de 15 mil pacientes de diferentes países, incluindo do Brasil.

“Uma operação de grande porte nada mais é que um teste de esforço. Há um grande estresse para o coração e, portanto, risco de infarto”, diz Otávio Berwanger, diretor do projeto e do Instituto de Pesquisas do HCor (Hospital do Coração, em São Paulo) e um dos autores do novo estudo.

Isso ocorre pelas reações do corpo a essa situação, como aumento dos níveis de adrenalina e maior tendência do sangue a coagular.

Berwanger afirma que o infarto que ocorre nas primeiras horas após a cirurgia é mais grave do que os que acontecem fora desse contexto. A mortalidade é de 14%, em comparação com uma taxa de até 8% nos infartos não relacionados a operações.

Isso se explica porque o paciente, que geralmente está sedado ou tomando analgésicos, não sente os sinais típicos do infarto, como dor no peito, não recebendo, portanto, os cuidados necessários.

“Estamos falando de um problema grave, mas pouco reconhecido”, diz o médico.

O exame mede uma enzima, chamada troponina-T, que é liberada na corrente sanguínea em caso de infarto ou outro problema cardíaco grave. O teste já é usado na prática clínica para o diagnóstico do problema, mas não para o acompanhamento dos pacientes.

Surpreendentemente, os pesquisadores notaram que 25% dos pacientes que eram considerados de baixo risco, com boa evolução pós-operatória, na verdade tinham altos níveis de troponina-T.

Hoje, a avaliação dos pacientes com maior risco é baseada na história clinica da pessoa –idosos e doentes do coração inspiram mais cuidados. Mas o estudo indica que esse não é um bom indicador.

Berwanger diz que 11,6% dos 15 mil pacientes tiveram alteração da enzima. Desses, cerca de 7% sofreram eventos cardiovasculares graves, a maioria deles infarto.

Segundo Carlos Costa Magalhães, presidente da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo), o estudo é importante.

“O exame, já usado nas suspeitas de síndrome coronariana aguda nas emergências, agora tem uma indicação para ser utilizado na evolução clínica de pré e pós-operatório de cirurgias.”

 

(Publicado no Jornal Folha de São Paulo, de 21 de Junho de 2012,
caderno: Saúde+Ciência, pág. C12).
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