Terminalidade da vida

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Os intensivistas de modo geral, têm sido ávidos na incorporação de inovações tecnológicas. Contudo observa-se um crescente questionamento quanto à eficácia e prováveis benefícios desses tratamentos quando usados de modo inapropriado ou contra a vontade da família e do próprio paciente.

Todas as questões inerentes à terminalidade da vida e à limitação de tratamentos de suporte em pacientes com doenças incuráveis e terminais têm sido um tabu no Brasil. Temos ao redor do mundo em países desenvolvidos e nos que estão em processo de desenvolvimento uma concentração do número de mortes intra-hospitalares nas UTI´s.

Os intensivistas de modo geral, têm sido ávidos na incorporação de inovações tecnológicas. Contudo observa-se um crescente questionamento quanto à eficácia e prováveis benefícios desses tratamentos quando usados de modo inapropriado ou contra a vontade da família e do próprio paciente.

Os cuidados ao doente em fase terminal representam um grande desafio para os profissionais de saúde que devem reconhecer que além da meta de curar existe a do cuidar. Neste âmbito, os cuidados paliativos representam uma abordagem diferenciada que visa melhorar a qualidade de vida do paciente e de seus familiares, por meio da adequada avaliação e tratamento para alívio da dor e de outros sintomas.

Recente pesquisa na Universidade de Cornell em Nova York apurou que os dois principais sintomas que mais afligem os pacientes terminais são: dor e dispnéia. E quando o paciente entra no nível hospitalar, na maioria das vezes, a rotina do atendimento médico inclui inúmeros exames invasivos, às vezes até agressivos, de custo alto e de pouco resultado, esquecendo, portanto do cuidar dos sintomas principais que na maioria das vezes ficam negligenciados, agravando e ficando longe dos cuidados paliativos que seriam os mais necessários.

O HU da USP Brasil instituiu um programa de cuidados de pacientes frágeis e terminais, onde os sintomas são priorizados para serem minimizados, limitando as internações desnecessárias, cuidando intra-domiciliar destes pacientes junto aos seus familiares, pois como a finitude é iminente devemos associar terapia de controle dos principais sintomas, assistência psicoemocional junto à família sem esquecer-se de apoio espiritual.

Devemos nos lembrar sempre que a Morte faz parte da Vida e, portanto não devemos temê-la. Porém, que possamos sim desejar que a mesma chegue num dia cada vez mais distante e que até lá vivamos cada vez mais com qualidade.

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Euler Ribeiro
Amazonense, de Itacoatiara. Formado em Medicina em Belém (PA), o médico geriatra completou os estudos em SP e nos EUA. Foi secretário de Saúde do Estado e deputado federal. Fundador da Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI), ligada à Universidade Estadual do Amazonas (UEA). Membro das academias amazonenses de Letras e de Medicina.

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