Surpresas que esperam quem está envelhecendo

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Neste século quem consegue chegar à idade tardia é sempre surpreendido com alguma coisa nunca vista pelos idosos do passado. Primeiro, os longevos de hoje se surpreendem com a própria idade, já que os pais e avós de outras gerações partiram muito cedo e estes quando morriam aos 60 anos já eram considerados muito velhos para aquela época.

Como sabemos, a partir do ano 1960 já ganhamos três décadas de expectativa de vida e somente no século XXI já ganhamos sete anos a mais de expectativa de vida. Asssim, a surpresa da geração seguinte, os atuais idodos, não é estar vivo, mas sim estar trabalhando na idade tardia.

E mais, este aumento da expectativa de vida mudou drasticamente o cenário da aposentadoria. Se antes os aposentados ficavam no máximo 15 anos a receber o benefício, hoje em dia ficam 30 ou 40 anos nesta condição. Porém, como nasce menos gente e morre também menos gente, a cada dia neste sistema de solidariedade de gerações diminuiu drasticamente a entrada de novos profissionais no mercado de trabalho e aumenta consideravelmente o número daqueles que vão tendo direito ao benefício da aposentadoria. Sem contar o grande número de pessoas com atividades informais, sem contribuir para a Previdência. Então, é provável que chegue um momento que os idosos ficarão sem este recurso para a automanutenção (remédios, alimentos e serviços de sustentabilidade de suas casas, por exemplo).

As mudanças na sociedade são tão rápidas que assustam. A tecnologia está deixando cada vez mais profissionais fora do mercado, tais como agentes de viagens, corretores de imóveis, contadores, motoristas e até médicos, que poderão ser substituídos num curto período de tempo por robôs de alta performance.

Logo deveremos nos preparar para ter várias profissões ao longo desta vida. Se a primeira surpresa foi morrer mais tarde e continuar trabalhando até mais tarde também, é de se esperar que seja necessário aprender uma nova profissão quando se estiver mais velho, para garantir a própria sobrevivência. E quem disse que isso não é bom?

Por isso esteja sempre aberto a novas possibilidades de aprendizado na vida, afinal manter-se produtivo, ativo e com saúde é tudo o que esperamos de uma velhive saudável.

Enfim, como disse o poeta: nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia… É como sempre digo: quem viver, verá!

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Euler Ribeiro
Amazonense, de Itacoatiara. Formado em Medicina em Belém (PA), o médico geriatra completou os estudos em SP e nos EUA. Foi secretário de Saúde do Estado e deputado federal. Fundador da Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI), ligada à Universidade Estadual do Amazonas (UEA). Membro das academias amazonenses de Letras e de Medicina.

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