Soneto do entardecer no porto

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Luz movediça nos beirais pousando,

violáceos traços restos do horizonte,

longínquos barcos, mastros se embalando

na música do dia que se fende.

 

Nos brilhos de ternura, mágoa e tédio

do olhar da moça preso na chegada;

o porto a pressentir o sortilégio

do rio, turva a voz cadente, vasta.

 

Boiam do cais marcadas de inscrições

por mãos de marinheiros estrageiros,

as boias solitárias dos galpões.

 

Assim, eu inscrevi meu barco em arco,

os gritos laborados na cidade,

nos muros desse ocaso, curva tarde.

 

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Elson Farias
*Poeta e ensaísta. Ex-presidente da União Brasileira de Escritores do Amazonas e da Academia Amazonense de Letras. Nascido em Itacoatiara é uma das glórias dessa cidade.

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