Síndrome de Burnout: um problema que afeta diversos profissionais

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O trabalho no mundo contemporâneo é visto como uma das principais causas de estresse na população. É possível encontrar uma parcela de pessoas que conseguem encará-lo como fonte de prazer e de conquistas sejam elas materiais ou subjetivas. Entretanto, fatores como o alto nível de competitividade, a pressão pela produtividade e resultados, os conflitos decorrentes da má qualidade das relações dentro de uma organização, a complexa hierarquia de cargos e funções aliada à escassez de tempo livre, são alguns dos problemas que predispõem o homem contemporâneo ao estresse ocupacional.

Vamos aqui falar sobre a Síndrome de Burnout (SB), que é definida como uma das conseqüências mais graves do estresse ocupacional, e que se caracteriza por levar o indivíduo à exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação à quase tudo e todos.

A descoberta da SB se deu na década de 1970, e nessa época os estudiosos acreditavam se tratar de um problema que acometia especificamente os profissionais de saúde. No entanto, tempos mais tarde pesquisas mostraram que a SB pode afetar qualquer pessoa, do executivo à dona de casa, embora exista uma predisposição muito maior em profissionais cujas funções se caracterizam pela assistência direta a outras pessoas, e que mantém uma relação especialmente de ajuda (médicos, enfermeiros, psicólogos, professores, assistentes sociais, policiais, bombeiros, carcereiros, atendentes de telemarketing, entre outros).

Uma triste curiosidade na etiologia da SB é que os profissionais mais motivados para o trabalho encontram-se mais sujeitos à síndrome. À medida que esses profissionais depositam energia e afeto em suas tarefas, esperam receber um retorno à altura de seus investimentos, e como essa recompensa nem sempre acontece, surge o esgotamento. Do ponto de vista psicodinâmico, o que ocorre com essas pessoas é uma falha no mecanismo da sublimação. Esse processo descrito por Freud, consiste na transformação de uma atividade sem qualquer ligação aparente com a sexualidade, em uma fonte de prazer, em geral por meio da valorização de atitudes socialmente aceitas e aprovadas, como é o caso do trabalho.

 

O quadro clínico da SB pode ser identificado pelas seguintes características: 1- Esgotamento emocional, com diminuição e perda de recursos emocionais, 2. Despersonalização ou desumanização, que consiste no desenvolvimento de atitudes negativas, de insensibilidade ou de cinismo para com outras pessoas no trabalho ou no serviço prestado; 3. Sintomas físicos de esgotamento, tais como cansaço e mau estar geral;4. Manifestações emocionais do tipo: falta de realização pessoal, tendências a avaliar o próprio trabalho de forma negativa, vivências de insuficiência profissional, sentimentos de vazio, fracasso, impotência, baixa auto-estima.5.  É freqüente irritabilidade, inquietude, dificuldade para a concentração, baixa tolerância à frustração, comportamentos paranóides e/ou agressivos para com os clientes, companheiros e para com a própria família;6. Transtornos Psicossomáticos: como fadiga crônica, freqüentes dores de cabeça, problemas com o sono, úlceras digestivas, hipertensão arterial, e outras desordens gastrintestinais, perda de peso, dores musculares e de coluna, alergias, etc; 7. Manifestações comportamentais: consumo aumentado de café, álcool, fármacos e drogas ilegais, absenteísmo, baixo rendimento pessoal, distanciamento afetivo dos clientes e companheiros como forma de proteção, aborrecimento constante, atitude cínica, impaciência e irritabilidade, sentimento de onipotência, desorientação, incapacidade de concentração, sentimentos depressivos, freqüentes conflitos interpessoais no ambiente de trabalho e dentro da própria família.

O início do quadro de SB é insidioso, com o surgimento dos sintomas ocorrendo paulatinamente e oscilando em sua intensidade. Na maior parte dos casos são os colegas que percebem a diferença nas atitudes do sujeito, embora exista uma forte tendência de sua parte em negar essa percepção. Entre 5% e 10% das pessoas acometidas pela SB atinge um estágio considerado irreversível, no qual os sintomas atingem tamanha gravidade que o sujeito é impelido a deixar o trabalho. Nesse nível são comuns os casos de alcoolismo, drogadicção, idéias ou tentativas de suicídio e doenças mais graves como câncer ou acidentes cardiovasculares. 

A psicoterapia individual é bastante recomendada nesses casos, a fim de que o sujeito possa conscientizar-se dos processos intrínsecos que o predispõe ao fenômeno. Assim, compreende-se que a psicoterapia leva o indivíduo a um auto conhecimento necessário para a partir de então, fornecer ferramentas para que o mesmo possa modificar os comportamentos que lhe trazem problemas e fortalecer aqueles que lhe ofereçam satisfação.

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Fabiolla Fonseca
Psicóloga, nascida em Itacoatiara, casada e mãe de duas filhas. Especialista em Psicologia Jurídica.

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