Silvino Santos

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Está no Paço Municipal uma surpreendente exposição de fotografia, trabalho de Silvino Santos, que registrou um dos maiores escândalos que envolveram empresários na Amazônia, o escândalo do Putumaio. As lentes do fotógrafo não escondem a verdadeira natureza dos negócios do seringalista Julio Cesar Arana, naquele rio, envolvendo diversas figuras dos meios financeiros de Londres, inclusive membros da Câmara dos Comuns. Walt Hardenburg, de Illinois, Estados Unidos, estava com 21 anos quando decidiu se aventurar pela selva amazônica, acompanhado de um amigo.

Quando descia o rio Putumaio, foi apanhado por um destacamento policial peruano, recebendo o conselho de se afastar daquela área. Ao ficar alguns dias na localidade de EI Encanto, uma das sedes da Companhia Peruana do Amazonas, de Arana, o jovem aventureiro teve a oportunidade de conhecer o tratamento desumano dispensado aos índios uitoto que trabalhavam na coleta de seringa, com torturas, fuzilamentos, castigos corporais brutais, privação de alimentos, prostituição infantil e violação de mulheres. Em Londres, publica suas denúncias no “Truth”, jornal que e tornara famoso por revelar as mazelas da sociedade eduardiana. O outono de 1909 é ocupado pelo escândalo amazônico. As denúncias de Hardenburg ainda que contra-atacadas pelo poderio econômico de Julio Cesar Arana, abala os ingleses. Deixaria em maus lençóis o ministro britânico do Exterior, Sir Edward Grey, baixaria uma sombra de suspeita sobre a Câmara dos Comuns e provocaria quedas na Bolsa de Londres.

O governo britânico, pararia completa chegou ao conhecimento público, com todos os pavorosos detalhes colhidos por Casement, o governo peruano foi obrigado a tomar uma atitude, remetendo um navio de guerra ao Putumaio, com juízes a bordo, levando mais de duzentos mandatos de prisão. A cinco de novembro de 1912,a Câmara dos Comuns deu o golpe final nos negócios de Arana e seus sócios, mandando apreender os arquivos da Companhia Peruana do Amazonas e abrindo um inquérito. A repercussão do escândalo do Putumaio provocou inúmeras reações. O duque de Norfolk estabeleceu um fundo, em Londres, para a criação de uma reserva indígena no pra da borracha oriunda do Putumaio. O governo peruano criou um Serviço de Proteção aos índios, nos moldes da experiência de Rondon, e o Papa recomendou aos bispos da região que procurassem ajudar os povos indígenas e ampliassem o trabalho missionário.

É importante assinalar que todas essas medidas serviram influiu muito pouco na vida dos índios do Putumaio. É uma exposição que todo amazonense deve ver.

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Márcio Souza
Dramaturgo e historiador nascido em Manaus. Ex-presidente da FUNARTE. Professor Adjunto da Universidade da Califórnia, em Berkeley (USA). Membro da Academia Amazonense de Letras. Presidente do Conselho de Cultura da Prefeitura de Manaus.

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