Revolução de 1924

0
926

A situação de insolvência financeira do Estado do Amazonas, na gestão de Rego Monteiro, levou a população a uma crise de graves conseqüências. Era total a estagnação econômica e o funcionalismo, com o pagamento atrasado em vários meses, vendia os seus salários depreciados aos asseclas do Governo, que logo conseguiam a liberação integral do pagamento.

Este estado de coisas facilitou o desencadeamento, a 23 de julho de 1924, de um movimento revolucionário da tropa federal aqui aquartelada, movimento filiado ao levante de 5 de Julho de São Paulo, visando à deposição do Presidente da República e chefiado pelo general Isidoro Dias Lopes.

O movimento assumiu características populares locais pelos problemas já mencionados, sendo chefiado pelo 1º Tenente Ribeiro Júnior, apoiado pelos seguintes oficiais: Capitão José Carlos Dubois, Capitão Médico Francisco Batista de Almeida, Primeros tenentes José de Lemos Cunha, Aurélio Linhares, Joaquim de Magalhães Barata, José Baker Azamor, Raimundo Villaronga da Fonseca, José Gutierrez Simas, Aluísio Pinheiro Ferreira, Osmundo de Anequim, Sebastião Mendes de Holanda, José Dias Vieira e Pedro Alves da Cunha e pelos Segundos Tenentes Abílio Costa, Mendes Silva e Euclides Cunha.

Após a tomada do Governo, saiu o primeiro número do “Jornal do Povo”, que estampava o Decreto do Imposto da Redenção. Contas bancárias foram congeladas e bens confiscados.

A 28 de julho o Capitão Dubois, Comandante do 27º Batalhão de Caçadores, embarcou, no vapor Bahia, com uma tropa destinada a Óbidos, que foi capturada. A seguir Santarém e muitas outras cidades do interior do Pará, foram t0omadas ou aderiram aos rebeldes,  mas ao chegarem próximo a Belém souberam que a tropa federal local havia sido contida, pela Polícia Militar paraense, e que um grande contingente deslocava-se para o Amazonas

Pouco duraria a rebelião, que tinha inteiro apoio popular. A 28 de agosto, Manaus foi ocupada pelas tropas do General Mena Barreto. O tenente Ribeiro Júnior entregou-lhe o Governo, sendo a seguir aprisionado.

A força de ocupação compunha-se do 2º Regimento de Artilharia, do 21º BC de Pernambuco, do 29º BC de Natal, do 23º Bc de Fortaleza, do 26º BC de Belém, dos 1º, 2º e 3º BC do Rio de Janeiro, de 3 baterias de metralhadoras e de 2 aviões. A esquadra que a trouxera era formada pelos navios: Mato Grosso, Poconé, Sergipe e Barroso; as canhoneiras Amapá e Missões, os transportes Macapá, Campo Sales, Manaus, Curitiba, Cuiabá e Belo Horizonte.

Hidroaviões foram usados pela primeira vez , no Brasi, no ataque e retomada da fortaleza de Óbidos.

Os rebelados foram em sua maioria remetidos para a ilha da Trindade, onde enlouqueceu o Capitão Dubois.

A 24 de outubro, 35 soldados do 27º BC, foram deportados para o Acre.

Compartilhar
Antonio Loureiro
Historiador amazonense. Membro das academias Amazonense de Medicina e Amazonense de Letras. Ex-presidente do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário
Por favor informe seu nome aqui