Pinturas mais antigas do mundo têm 41 mil anos

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REINALDO JOSÉ LOPES
Editor de Ciência + Saúde

Imagens como discos e marcas de mão vêm de cavernas no norte da Espanha.

Idade dos desenhos faz arqueólogos suspeitarem que seus autores podem ter sido neandertais, e não humanos modernos.

Pinturas em cavernas da Espanha têm pelo menos 41 mil anos de idade, fazendo delas os mais antigos exemplares dessa forma de arte no mundo. Mais importante ainda, a antiguidade das imagens pode indicar que os neandertais foram seus autores.

A hipótese , proposta pelo arqueólogo português João Zilhão, da Universidade de Barcelona, junto com colegas do Reino Unido, está em artigo na revista “Science”. Se estiver correta – e os pesquisadores ainda estão longe de comprovar a ideia – , cai definitivamente por terra a ideia de que a mente neandertal era “inferior” à humana.

Tudo depende das datas. Por enquanto, as novas datações obtidas nas cavernas espanholas estão no limite do período em que os primeiros seres humanos modernos chegaram à Europa (enquanto os neandertais já ocupavam o continente 100 mil anos antes deles).

Por isso, é concebível que membros da espécie Homo sapiens, como nós, sejam os autores das imagens –  discos e marcas de mãos, como as que uma criança faz quando coloca a mão sobre um papel e traça o contorno dos dedos com um lápis de cor.

No entanto, conforme Zilhão lembrou em entrevista coletiva por telefone, trata-se de uma idade mínima. O que os pesquisadores dataram foi a capa calcária que recobria parte das imagens.

Como o mineral está por cima das pinturas, a única certeza é que se depositou lá depois do trabalho do artista, mas as imagens podem ter sido feitas bem antes.

Zilhão e seu colega Alistair Pike, da Universidade de Bristol, prometem agora obter mais datas, em outros sítios dentro e fora da Espanha.

Se alguma dessas datas for de 43 mil anos, por exemplo, quase certamente os autores das pinturas serão neandertais, diz Zilhão. “Como base no que descobrimos nos últimos anos sobre o comportamento deles, e o fato de que cruzaram com humanos modernos, não há por que duvidar que fossem capazes disso.”

(Publicado no Jornal Folha de São Paulo, de 15 de Junho de 2012,
caderno: Saúde+Ciência, pág. C17).
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