Pintando nossa aquarela

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Só é cantador quem traz no peito,

o cheiro e a cor de sua terra,

a marca de sangue de seus mortos

e a certeza de luta de seus vivos.

 

François Silvestre.

Qualquer estrangeiro poderá  conhecer o município a partir deste blog, visto que o acadêmico em suas diversas interpretações aproveita o desenvolvimento de suas inteligências múltiplas e criadoras, para cantar sua terra natal, sem ser chato, disponibilizando  os conhecimentos que aprendeu, em palestras,  conversas com o autor e, agora, na posmodernidade, através da convergência das mídias digitais.

Em minhas andanças pela existência observei inúmeros seres humanos apaixonados pela vida, mas o amor incondicional que este cidadão nutre pelo seu chão é inigualável, parecendo até que o leitor sente o pulsar do coração, irrigado pelo sangue da terra,  ao entrar  em contato com o conjunto da obra, visto que a cada  frase escrita faz jorrar a pura e legítima emoção de um especial  filho que sempre honrou seus pais, o nome de sua família e seus ideais.

Líder inconteste desde os tempos estudantis aprendeu a práxis nos movimentos sociais, solidificando amizades sinceras que perduram até hoje.  Mas foi no grêmio estudantil com seus colegas que exercitou a oratória, dom que o acompanha desde a adolescência, chegando a aperfeiçoá-la na academia.  Construiu  na vida apenas dois altares em seu coração: um santuário para Fátima e, o outro, para Nossa Senhora do Rosário, sendo que do primeiro, nasceram três filhos e do segundo, todos nós herdamos 12 obras, todas contando  um pouco da história de sua gente.

Estudando a vida intelectual do autor,  até  poderíamos pensar que esse sentimento fosse uma utopia qualquer,  aflorada no auge do fulgor juvenil. Mas essa ideia nunca morreu no peito do humilde escritor que apostavam, desistiria ali mesmo no nascedouro, todavia  a vontade de registrar  a história de seu povo era a energia de que necessitava a usina de seus sonhos contrariando a desconfiança dos céticos. O Governador Arthur César Ferreira Reis fez questão de patrocinar a edição e o lançamento, celebrado no dia da inauguração da Rodovia AM-010 em sua interligação com Manaus.

É admirável ver em Francisco Gomes da Silva, o homem incansável, despido de sentimentos de medo,  ódio ou vingança,  prospectar nas madrugadas  do  saber  –  quer seja analisando as fontes primárias, confrontando as ideias ou fazendo o cruzamento de informações  –  o seu eterno objeto de pesquisa e, logo,  definindo mais uma produção histórica que irá para as editoras e ganhará o país, fazendo a alegria de estudiosos, leitores e amigos.

O blog Francisco Gomes – Itacoatiara história e cantigas é, sem dúvida,  a opção a ser acessada pelos filhos de Serpa em qualquer parte do planeta, especialmente aos  usuários que buscam  o mapa do caminho de nossas trilhas da memória aumentando, deste modo, a auto estima dos nossos irmãos que estão dispersos pelo mundo.  Ele foi o professor de todos nós e, sem dúvidas, continuará o trabalho de divulgação da cultura relacionados  a cidade da Pedra Pintada.

Por isso, somos eternamente gratos, Francisco Gomes, por ser um pontifex, isto é, ponte sobre fronteiras entre nossas gerações, pela qualidade dos textos e das informações no esforço de dar visibilidade na mídia mundial, através da WEB,  a Cidade da Canção. Toda obra está alicerçada na espiritualidade e na História, emoldurada pela bússola do tempo que ancora a vida na natureza,  refletindo a imagem da floresta da outra margem, no rio de nossas vidas, como sugerem os ícones da página. E  que pelo saber, postura ética e pela ciência histórica conseguiu colocar Itacoatiara dentro de nossos corações, como o centro do debate.

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J.R Lopes
É jornalista. Natural de Itacoatiara (AM).

9 COMENTÁRIOS

  1. Amigo Zé Raimundo. Obrigado e parabéns. Continue e continue… Nos próximos dias estarei postando um texto (ligeiro) sobre seu pranteado pai. Também sobre o Rio Madeira, complementando seu maravilhoso trabalho anterior. Também falarei sobre o Antogildo, cuja família está no aguardo de suas ordens. Abraços do amigo e irmão

  2. Liiiiindo texto Jota.Parabéns!!!!

    Só você mesmo, um filho orgulhoso da sua mãe-terra, é capaz de escrever um texto capaz de afagar o coração daqueles que precisam de, mesmo que sejam poucas mas boas, palavras de sua terra natal.

    Estarei acompanhando o blog sempre.

    Um grande abraço, meu amigo querido.

    Izolda Ellen

  3. Caro Raimundo, o pequeno trecho, ”para cantar sua terra natal” do texto me chamou atenção acerca de uma problemática que a questão indígena. Na etnia Yanomami, Suw’e’ , wãro e ihiru ( Mulher, Homem e Criança), cantam em tom bem alto para os chamados civilizados ouçam, pedindo a calmaria o silêncio para a natureza sendo esta o lugar sagrado para este povo.Nas sociedades indígenas, a natureza é sempre vista com o olhar religioso. Os Quéchua, do Peru, chamam a terra de mãe – pacha mama. Os povos indígenas da América do Norte têm a mesma percepção. Muito conhecida é a carta que o cacique Seatle enviou ao presidente dos Estados Unidos, explicando porque seu povo se recusava a vender parte das terras: “Cada pedaço dessa terra é sagrado para o meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia nas praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória de meu povo. Somos parte dessa terra e ela faz parte de nós”. Entre os povos indígenas do Brasil há também esse respeito à terra, não só como chão sagrado, local de sobrevivência física, mas também como morada dos espíritos. As sociedades pré-históricas celebram a vida através do canto. Os Yanomami celebram a vida cantando e dançando para agradecer a mãe natureza e pedindo para acalmar o espírito de destruição dos homens brancos, sobre todas as riquezas que herdamos dada por Deus.

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