Passando a borracha

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 *Bruna Mozer

Seringueiros criam associação com objetivo de reverter crise no setor, provocada por alta nas importações e queda de preço. 

Produtores de borracha de várias regiões do país criaram uma associação para discutir e conter a crise pela qual passa o setor neste ano.

Além da seca que atingiu a plantação de seringueiras, o aumento nas importações de borracha de países asiáticos resultou em queda no preço do látex.

A situação levou produtores a demitir funcionários e até suspender a sangria de seringueiras –processo de extração do látex para a produção de borracha.

Criada em novembro, a Associação dos Produtores de Látex do Brasil é liderada por seringueiros, parte deles da região de Barretos (SP).

O município está em segundo lugar na produção do Estado de São Paulo, responsável por 50% de toda a borracha produzida no Brasil. O líder em produção no Estado é São José do Rio Preto.

De acordo com os produtores, em 2011, o látex era vendido por até R$ 4,50 o quilo. Caiu para, em média, R$ 3,50 em 2012. E, agora, varia de R$ 1,50 a R$ 2 o quilo.

“Falta política pública para proteger os produtores nacionais. É mais barato importar do que comprar aqui dentro”, disse o produtor de Barretos Marcelo Jamal Pereira.

Eles querem que a alíquota para a compra do produto importado seja elevada para 30%. Hoje, o valor é de 4%.

Além do Imposto de Importação, o látex de fora é mais barato por causa do baixo custo com a mão de obra, devido às leis trabalhistas mais brandas nos exportadores.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, 88% da borracha importada neste ano veio da Malásia, da Indonésia e da Tailândia.

As importações prejudicam também as usinas processadoras de borracha.

“Elas trabalham hoje com a margem de lucro muito pequena. O preço é regulado pelo mercado internacional”, afirmou o presidente do Apabor (Associação Paulista dos Produtores e Beneficiadores de Borracha), Wanderley Sant’Anna.

 

SANGRIA 

A vice-presidente da associação, Teresa Morais, é produtora de seringueiras em Barretos e tem 12 funcionários. Nesta época do ano, normalmente, precisaria de 30.

Ela também já cancelou a sangria em 100 mil pés de seringueiras em Goiás. “Se eu fizer a sangria nessa situação, o prejuízo será maior”, disse.

A associação já conta com representantes de cinco Estados do país: Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Tocantins.

“Precisamos de mudanças no mercado da borracha. Teremos uma consultoria para reivindicar mudanças ao governo”, diz o produtor Paulo Fernando de Brito.

O Ministério da Agricultura informou, por meio de sua assessoria, que o fato de o Brasil importar dois terços da borracha consumida no país torna os produtores “reféns do mercado internacional”, mas que há garantias do governo de preço mínimo, com subsídio aos produtores.

Também informou que o ministério tem ações para o setor, entre elas políticas de crédito de custeio e investimento disponíveis aos produtores de borracha natural.

A associação, que já realizou assembleias, também quer facilitar a venda da borracha às usinas que coagulam o látex e vende principalmente às fabricantes de pneus.

Com a união, esses produtores também querem facilitar a venda de borracha e a compra de insumos.

*Articulista da Folha de São Paulo. Texto no Cadern0 Mercado B7, de 09/12/2014.
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