Palestras no IGHA

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O Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), dando sequência às festividades do centenário de sua fundação, no sábado passado (15/07/2017), a partir das 9:00 horas, realizou em sua sede social, à Rua Bernardo Ramos, 117, no centro antigo de Manaus, sessão magna em homenagem à libertação dos escravos do Amazonas no dia 10 de julho de 1884, que foi prestigiada por um expressivo número de intelectuais, professores, estudantes, pesquisadores e autoridades da educação e da cultura amazonenses.

A programação pautou os seguintes ítens: 1) “Trajetórias de Pesquisas”, com a participação da professora doutora Maria Magela Andrade Ranciaro, que discorreu sobre “Identidade e etnicidade dos quilombolas do Rio Andirá no Município de Barreirinha-Am”; e da doutoranda Lúcia Lira, sobre o tema “Identidade e reconhecimento étnico na festa de São Benedito no quilombo da Praça 14”; 2) Palestra do Secretário de Estado da Cultura, historiador Robério dos Santos Pereira Braga abordando “A Libertação dos Escravos no Amazonas”; e 3) Lançamento do livro “O corpo – olhares diversos”, de autoria das professoras doutoras Artemis Soares e Neize Teixeira.

Sala cheia, a sessão prolongou-se até cerca de 13:30 horas. Em relação à primeira parte da programação, as professoras Maria Magela Andrade e Lúcia Lira discorreram sobre presença, escravidão e cultura africana na Amazônia, ousaram condenando o paradigma da história tradicional que supervaloriza as fontes escritas em detrimento das fontes orais e, no particular dos quilombos objeto da sua área de estudo (Rio Andirá/Barreirinha e Praça 14 de Janeiro), elas contextualizaram o dia a dia dos habitantes dessas comunidades ressaltando sua trajetória de vida, sua coragem e disposição de lutar contra os interesses das ordens dominantes e repressoras. Notável foi a performance das expositoras: apoiadas em data-show, ambas atenderam à expectativa dos ouvintes.

Quanto à segunda parte, coube ao historiador e secretário de Cultura Robério Braga debruçar-se sobre o tema “Escravidão no Amazonas”. Autoridade no assunto fez um longo pronunciamento sobre os fatos que desaguaram no dia 10 de julho de 1884; falou dos antecedentes do histórico evento e do que resultou daí em benefícios sociais, econômicos e políticos para o nosso Estado. Informou que nessa data o Amazonas libertou seus escravos, tornando-se o segundo Estado brasileiro a proclamar a libertação dos escravos, atrás somente do Estado do Ceará, e, quatro anos antes da Lei Áurea ser sancionada no Rio de Janeiro pela Princesa Isabel. Foi com a designação do presidente Theodoreto de Farias Souto, para a Província do Amazonas, em fevereiro de 1884, que se deu a proliferação das sociedades abolicionistas, na capital e no interior, quando se juntaram à Sociedade Emancipadora Amazonense (1870) e à Libertadora (1881).

Robério Braga, competentemente e de forma didática, destacou o trabalho dos abolicionistas Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha, Miguel Gomes de Figueiredo, José Coelho de Miranda Leão, José de Lima Penantes e Augusto Elíseo de Castro Fonseca, que vinham fazendo constar em todos os orçamentos da Província dotações específicas na lista de suas despesas, destinadas à libertação dos escravos, através da compra de cartas de alforria, entregues sempre em festas solenes, para maior retumbância do acontecimento, sendo rara a sociedade ou qualquer evento público em que não fossem incluídas. Concluiu afirmando que o Amazonas, ao libertar seus escravos, além do pioneirismo, dava um grande passo à igualdade social do homem nessa parte do território brasileiro.

Ao final das exposições, face à magnitude dos temas abordados, as professoras Maria Magela Andrade e Lúcia Lira e o doutor Robério foram questionados por diversos membros da plateia, daí resultando um proveitoso debate num clima de respeito e perfeita interação. Antes de finalizada a histórica reunião com o oferecimento de um coquetel aos presentes, houve uma sessão de autógrafos presidida pela escritora Artemis Soares, coautora do livro “O corpo – olhares diversos”.

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