O rio dourado da Amazônia

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Na Amazônia os rios são considerados  “estradas líquidas”, utilizados desde os tempos imemoriais pelos povos indígenas até os dias atuais, tradição herdada por caboclos e ribeirinhos como caminhos que transportam alimentos, vidas,  informações e saberes, interligando, através dessa ponte, a cidade com a floresta, além da riqueza na piscosidade dos rios de onde os povos da floresta usufruem, retiram os alimentos e desenvolvem há séculos, o trabalho diário.

Em nossa região os rios têm a função de inundar, pelo fenômeno cíclico da natureza,  umedecendo com o húmus carreado dos altiplanos andinos, as várzeas de suas margens, enriquecendo com os sedimentos o solo pobre em nutrientes, preparando-o para o cultivo de uma agricultura orgânica de primeira e, claro, de servir a navegação regional. A via fluvial joga papel fundamental na Amazônia, infelizmente nem elencadas nas plataformas governamentais dos políticos brasileiros, acomodados pelo imediatismo das reformas populistas republicanas.

Ele nasce na Bolívia apenas como um filete, mas no Brasil, se encorpa, tornando-se poderoso e possui fortes correntezas que, com uma violência ímpar, arrancam árvores e pedaços de terras caídas, conduzindo para o seu leito um pedaço do ambiente, em que os troncos  viajam de bubuia por centenas de milhas,  fazendo de qualquer ponto que se aviste, a bela vista do olhar, agregados a murerus, canaranas e imbaubeiras, em que garças brancas e mergulhões viajam de camarote no cenário de rara beleza multicor, sob o balanço do banzeiro do rio de águas turvas, isto é, barrentas.

Recebe o nome de Beni, na Cordilheira dos Andes (Bolívia) e, descendo, se junta ao Mamoré-Guaporé misturando-se, chegando a Porto Velho com o nome de Caiari, através de inúmeras corredeiras, banhando os estados de Rondônia e Amazonas, conhecido como principal afluente da margem direita do maior rio do mundo. Como via para escoar os produtos de Rondônia e Mato Grosso  é uma opção alternativa ao desenvolvimento regional, através do modal rodo fluvial com a Hidrovia do Madeira, além o aproveitamento sustentável da potencialidade energética, ampliando o sistema interligado nacional.

É considerado um rio novo pelos estudiosos e o 17º em extensão do mundo, percorrendo cerca de 3.315 km de extensão,  dos quais mil só de vias navegáveis até sua foz, em frente a cidade e ao Retroporto Internacional de Itacoatiara. Tem ainda como inigualável paisagem, o furo Tupinambarana, diversos banhados e as famosas corredeiras amazônicas onde suas águas fluem céleres para o Rio Amazonas formando várias praias,  mostradas a época da seca e a grande quantidade de rochas que formam seu leito.

Foi, em suas margens, no século XVIII, respectivamente, resultado das missões de Mataurá, Canumã e Abacaxis que teve origem o municipio de Itacoatiara, habitado pelos Iruri, os temíveis Mura,  os Torá,  Mundurucu, Arara e os naturaes da aldeia de Abacaxis.

Em sua passagem pela Amazônia, em 4 de Junho de 1542, Francisco Orellana descobriu o Rio Madeira e por ele navegou até o Rio Amazonas. Hoje ele está completando 470 anos.

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J.R Lopes
É jornalista. Natural de Itacoatiara (AM).

11 COMENTÁRIOS

  1. Gostei muito do texto. Quanta coisa ainda precisamos aprender sobre nosso Amazonas! Infelizmente ainda o conhecemos muito pouco.

    Parabéns pela iniciativa.

    Profa. Risonilde

  2. Amigo Zé Raimundo. Parabéns. Você é o cara. Tenho orgulho de você. Estou no aguardo daquele belo texto (lembra?) sobre o Principado de Itacoatiara. Quando você o enviar, falarei sobre nosso querido Ozório Fonseca. Você vai gostar. Continue e continue e continue… Abraços fortes

  3. Amigo José Raimundo, O testo é uma alerta para o ser humano em perceber que, no ritmo atual, a devastação mudará o ciclo de chuvas e logo poderá ser tarde demais para salvar a Floresta Amazônica, que está sendo devastada como se nunca fosse acabar. Já não é possível continuar nesse ritmo, pois estamos nos aproximando do ponto em que não haverá mais volta. Simulações feitas em computador pelo meteorologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, de São José dos Campos, indicam que a floresta desaparecerá quando a perda atingir entre 40% e 60% da cobertura vegetal. Não falta muito, pois nos últimos quarenta anos a mata encolheu 17%. A razão disso é o delicado equilíbrio do sistema de chuvas na região. Metade da precipitação pluviométrica é formada pelas massas de ar úmido provenientes do Oceano Atlântico, uma fonte inesgotável de umidade. O restante é alimentado pela transpiração das plantas e pela evaporação da água dos rios, do solo e da superfície das folhas. Essa fonte é destruída com a vegetação. No ritmo atual de devastação, a maior floresta tropical do planeta será substituída por uma vegetação típica de cerrado em apenas cinqüenta anos. Ou em trinta, de acordo com o prognóstico mais pessimista, que levou em conta a possível aceleração no ritmo de desmatamento.

  4. Cerdeira, suas palavras relembram-me com saudades as aulas do Prof. Dr. Roberto Veira que já nos advertia. Sem dúvidas, também, voce será um dos grandes do direito ecológico internacional.

  5. Parabéns prof. pelo levantamento histórico e geográfico. De fato a navegabilidade do rio Amazonas perfaz toda fundação do Amazonas. Lembrar e manter viva a lembrança regional como de Itacoatiara mostra o amor das pessoas pela cidade. Ainda não conheço, mas espero em breve visitar.

    • Prof. Amaury, voce será benvindo e convidado a conhecer na Cidade da Canção nas atividades realizadas no FECANI com 30 mostras paralelas, do Centro Cultural Pedra Pintada, da Fundação Dom Jorge Marskel e manter conversas com o pessoal da Academia Itacoatiarense de Letras e da gente simples do lugar. Obrigado.

  6. Ao Sr.Francisco Gomes,no meu ponto de vista o Sr. é uma das pessoa mas ilutre dessa cidade, ama como os demais, jamais deixará de negar a sua origem,sempre admiro, pelo que você é, e sempre foi,e será o nosso vulto histórico, por tudo que tem feito pela Velha Serpa.Recordo os velhos tempos aonde viví, deje-lho, tudo de bom pra você.Que Deus lhe proteja grandioso.

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