O Cantor da Velha Serpa

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Caso não conheças, ainda, o emérito cantor da terra e do povo itacoatiarenses, leitor amigo, quero investir-me na honra de apresentá-lo a ti. Ei-lo:

Francisco Gomes da Silva, misto de advogado e escritor, promotor de Justiça aposentado, sócio efetivo do lnstituto Geográfico e Histórico do Amazonas e da Academia Amazonense de Letras.

E, de logo, deduzo, que estás a indagar:

– Mas, por que cantor da terra e da gente de Itacoatiara?
Respondo-te: simplesmente porque é ele o grande intérprete de sua terra natal. O cantor, aqui, não é aquele artista que se apresenta nos palcos chorando canções que falam ao coração. O intérprete não é o seresteiro das noites enluaradas nem das alegres noitadas estúrdias tendo por companheiro um violão mágico para despertar na mulher amada o encanto do amor. Ou, nos ouvintes, a sedução que um poema melódico contendo mensagem de sonho, incendeia-lhes a pele e invade-lhes a alma. Não. Não é desse intérprete que falo. Nem desse cantor a que me refiro. Falo do escritor, do pesquisador, do historiador que, tendo publicado até esta data, 12 títulos a partir de 1965, simplesmente 10 deles versam sobre Itacoatiara, analisando com propriedade e seriedade os mais diferentes aspectos da formosa terra da Pedra Pintada.

A partir dos 16 anos de idade vamos encontra-lo, curioso e diligente “fussando” velhos pergaminhos, consultando antigos alfarrábios esquecidos na memória dos tempos, frequentando bibliotecas e museus, arquivos empoeirados e gavetas enferrujadas, examinando tomos antiquíssimos, revendo livros vetustos desgastados pelas eras nas estantes cartoriais, nos registros ecumênicos e dos cemitérios, tudo para oferecer aos estudantes, professores e pesquisadores informações corretas, forradas de certeza comprovada.

Nos seus livros, em todos eles, Francisco Gomes da Silva nos ensina, quanto à velha Serpa, que a cidade antecipou-se ao próprio Município. E lembra que, enquanto a cidade completou neste ano de 2012 os 329 anos, o Município contabilizou 253 anos. Ensina que a cidade se originou da missão itinerante fundada no rio Mataurá em 1683 pelo padre jesuíta Jódoco Perez, transferido o núcleo para o rio Canumã em 1691; para o rio Abacaxis em 1696; para o rio Madeira em 1757, sendo finalmente assentado no sítio onde hoje se encontra no ano de 1758, sucedendo ao foral de vila de Nossa Senhora do Rosário de Serpa, em 1759. Foi elevada à categoria de cidade, como hoje se entende, em 1874.

E segue o nobre historiador discorrendo com precisão, agora, sobre a História do Legislativo no precioso volume “Câmara Municipal de Itacoatiara (sinopse histórica)” – última obra de sua lavra.

Esse livro é de leitura fluída levando o leitor a um passeio histórico pela política da velha Serpa numa constante relembrança a homens e fatos que levaram e estão levando Itacoatiara a atingir a meta vaticinada, em 1948, pelo saudoso acadêmico Anísio Jobim, segundo a qual “Itacoatiara é uma sociedade em marcha para um futuro de grandezas”. E o escritor Francisco Gomes da Silva o arauto de tão bela profecia!

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Almir Diniz
Poeta e contista amazonense. Membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.

1 COMENTÁRIO

  1. Concordo plenamente e sou suspeita em elogiar porque nutro uma admiração sem tamanho pelo Sr.Francisco Gomes e suas obras. Espero sinceramente que esse trabalho não se perca no tempo e sim, que seja difundido amplamente nas escolas e na comunidade em geral. Acredito que um povo que não conhece sua história, não saberá lutar por si mesmo.

    Há um ditado que diz que nada se cria, tudo se copia….. Sr.Francisco Gomes deveria ser copiado em larga escala.

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